A organização do festival, que este ano vai renascer como Vodafone Paredes de Coura, escolheu os franceses Justice como primeira confirmação. A dupla, que este verão tocou no primeiro dia do festival Optimus Alive, irá ao Alto Minho apresentar um dj set no dia 17 de Agosto, o último deste festival.
O Vodafone Paredes de Coura realiza-se de 13 a 17 de Agosto de 2013 e os passes para os cinco dias custam 70 euros, numa primeira fase, sendo que quando estes esgotarem, o preço sobre para 80.
O último trabalho lançado pela banda foi o álbum ao vivo Access All Arenas de 2012 e o seu maior hit foi o tema «D.A.N.C.E.». Ouça-o abaixo.
Hoje deixamos os "cintilantes" anos 80 e avançamos uma década.
Sim, infelizmente os anos 90 também possuem muito bom material que possa
figurar neste “cantinho”. A época pode ser de tenra memória para muitos, mas
repare-se que já se passaram 22 anos e, de resto, a década da flanela, do Grunge e do Pop /Punk marcou não só o nascimento do autor da rubrica, mas
também o surgimento de ícones incontornáveis na vida de qualquer teenager. Entre
as novidades destaco os míticos patins em linha, a revolucionária PlayStation ou
o clássico filme da Disney O Rei Leão (1994), que hoje parece coisa de criancinhas, mas segundo
me lembro conseguiu que muitos “calmeirões” das escolas secundárias vertessem
lágrimas no momento da morte de Mufasa (o pai do pequeno Simba).
Afianço-vos que pegar nestes teenagers não é de todo
despropositado e que até faz todo o sentido, visto que os adolescentes foram desde
sempre os primeiros alvos das indústrias discográficas a nível mundial. Se
pelos anos 50 as novidades circulavam em volta dos “Rockabilly”, que
transpiravam brilhantina, e os discos de R&B, nos anos 90 os gostos
diversificaram-se entre o Grunge, as Boysbands, o Hip Hop, o Nu Metal e o Pop
Punk.
A minha escolha de hoje podia muito bem recair nos
Backstreet Boys, nas Spice Girls, ou nos saudosos Nirvana, mas não podia deixar
impune a importância de bandas que transformaram o Punk em música “para as
massas”. Entre os responsáveis estão os Green Day e os Offspring, duas bandas
norte-americanas que marcaram a diferença no mundo da POP entre finais dos anos
80 e a década de 90, justamente por unirem a energia frenética do Punk aos
refrões marcantes e coloridos dos registos mais "Populares".
Os Offspring (foto) foram uma das bandas responsáveis pela evolução do Punk Rock e do nascimento do Pop Punk nos anos 90.
No fundo este era um estilo novo, fresco e que remetia os
ouvintes para os desportos radicais e para as actividades de alto risco, como o
Skate o Downhill ou o Budging Jumping. Esta realidade veio, na época, a formar
uma “nova onda” que empolgou os jovens, possuidores de mesadas “sofredoras”, a
comprar discos e ver concertos deste “novo Punk”.
Decidi, por fim, escolher os Offspring, visto que, entre a
minha pesquisa, saltou à vista a horrível capa de Smash (1994), o terceiro trabalho de originais da banda de Dexter
Holland. O lettering não me chocou, é até bem simples e o mais usado pela banda
ao longo da carreira, não fosse ele encabeçar um inestético monte de manchas
pretas e amarelas, que por cima de um fundo castanho, tentam formar um plano médio
de um esqueleto humano. Nada podia piorar, não fosse o nome do álbum surgir em
vermelho, o que me lançou uma questão: Quem é que no seu prefeito juízo coloca
vermelho sobre este tom, de algo que não devo especificar, e ainda arrisca
conjugar manchas para adquirir uma espécie de um “efeito Compton”? Não sei se
alguém terá a “envergadura mental” para encontrar uma resposta viável, mas
confesso que já me sinto “esmagado” de tanto a tentar achar.
Smash até pode ter marcado a história da editora independente "Epitaph", mas não deixa de ter a pior capa da carreira dos Offspring.
Tirando este defeituoso “Raio X” o álbum não tem mesmo nada de errado,
aliás é até algo marcante, não tivesse sido o disco mais vendido de sempre por
uma editora “indie”, até aos dias de hoje, com 6,3 milhões de cópias adquiridas.
Este marco histórico motivou uma autêntica “corrida à banda” por parte das
grandes editoras americanas que, sem sucesso, foram tentando fazer chegar
propostas à banda. Só em 1997, três anos depois, a Columbia Records (actual Sony
Music) conseguiu convencer a banda de Huntington Beach, a assinar um contrato
discográfico.
Negócios à parte, Smash
deu ao mundo dois sucessos incontornáveis na história banda Californiana: “Come
Out and Play (Keep ‘Em Separeted)” e “Self Esteem”. O primeiro tema apresenta-nos
um arrojo nas composições da banda com um riff baseado numa escala arábica, o
segundo fica na memória pelo coro desafinado e distorcido com que inicia.
É óbvio que estes temas não firmaram o sucesso que a banda
alcançou com “Pretty Fly (For a White Guy)”, o principal single de Americana, mas deram o mote a muitos dos
temas compostos nos álbuns seguintes. Aliás a última faixa, e homónima do álbum
Smash, mostra-nos um riff muito
idêntico ao que é usado em “Pay The Man”, uma das faixas de Americana.
Com uma melhor ou pior capa o certo é que os Offspring
começaram em 94 a coleccionar fãs e um reconhecimento generalizado, que os
tornou, não só, num pequeno fenómeno, como também numa referência para esta
nova forma de fazer Punk. Hoje já não imprimem a mesma energia que documentam
os videoclips, visto que a idade e a massa adiposa já não o permite, mas lançam
Days Go By, em Junho deste ano, que
não só continua a mostrar do que estes californianos são capazes como também nos
brinda com uma capa muito mais agradável a qualquer “vista desarmada”.
Fiquem com os dois grandes êxitos de Smash (1994):
Darwin Deez apresenta o seu novo single, <<Free (The Editorial Me)>>, que faz parte do seu novo álbum, Songs For Imaginative People, com lançamento previsto para 11 de Fevereiro de 2013. Este single conta com um vídeo inspirado pelo filme Groundhog Day, de 1993:
O seu primeiro álbum, Darwin Deez,
lançado em 2010, chegou ao terceiro lugar no UK Indie Chart, e o single <<Radar
Detector>> valeu-lhe variadas nomeações pela maneira como o vídeo
do single foi produzido.
O artista já referiu que as músicas do seu segundo álbum irão ser mais longas, e pede aos ouvintes para não o ouvirem uma vez e julgarem logo, acrescentando "chew your food. It tastes better that way after all.", o que em português significa "mastiguem a vossa comida. Afinal, ela sabe melhor desta maneira".
Tem descendência japonesa por parte do pai, génese facilmente detectável pelos olhos rasgados de Justin. Do lado da mãe, tem um lado inglês e canadiano, meia-irmã da actriz Kyra Sedgwick, por sua vez casada com o actor Kevin Bacon. É irmão do também músico George, com o mesmo apelido escondido no nome pessoal. O meio artístico foi, por isso, quase um berço para Justin Nozuka. Aprendeu a tocar guitarra com colegas de escola em Ontario, no Canadá, e Marvin Gaye e Lauryn Hil é o que costuma tocar na sua playlist.
O primeiro álbum Holly chegou em 2007, o qual continham músicas escritas quando tinha apenas 15 anos, como «Supposed To Grow Old» ou «I’m in Peace». No ano seguinte, foi nomeado para Artista Revelação pelos prémios Juno. As letras contam histórias ficcionais (?) de abusos, violência, drogas e, por isso, o single «After Tonight» não lhe faz jus. É demasiado leve, demasiado comercial. Já em «Save Him» ou em «Hollow Men» vale a pena ouvi-lo. E «Don’t Listen To a Word You’ve Heard» é daquelas músicas escondidas que têm mesmo de ser descobertas.
A música sazonal desta semana veio com um pequenino atraso
relativamente ao habitual. Deixo, desde já, as minhas desculpas, mas esta vossa cronista ou colunista, como lhe
preferirem chamar, teve um mau início de semana. É verdade, a segunda-feira não
é um dia nada fácil. Mas, looking on the
bright side, como diriam os Monty Phyton, começa uma nova semana e é dia
desta rubrica, modéstia à parte, claro.
E de que vos falo hoje? Bem, pondo de parte o mundo da política e as previsões atmosféricas, hoje vamos diretamente ao cerne
(palavra pomposa, mas má para nome de álbum) da questão, a música!
Amanhã é dia de um dos concertos mais aguardados: A estreia
dos The Black Keys em Portugal. Se não sabem quem eles são não é crime, embora
possivelmente já os tenham ouvido na rádio, uma vez que esta dupla de Ohio,
ganhou mais destaque em 2010, com o seu sexto álbum Brothers e com o single «Tighten up».
Eu, como outras tantas pessoas, fiquei entusiasmada com a
vinda da banda a Portugal. Conheci-os em 2010, mas logo a curiosidade despertou
para ouvir tudo o que havia para trás até à sua formação em 2001. Confesso
que fiquei fã do seu rock “sujo” e “desmazelado” de "banda que não podia mais
ficar fechada dentro de uma garagem".
Mas, voltando ao concerto em Portugal, quando
confrontada com os preços dos bilhetes e a sala escolhida (bilhete para a plateia a 39 euros e concerto no Pavilhão Atlântico), prometi a
mim própria que iria “bater o pé” e recusar-me a gastar tanto dinheiro para ir
vê-los, quando achava que tocariam muito melhor num Coliseu dos Recreios, por
um preço muito mais acessível.
Entrei neste meu protesto solitário e o resultado é que o
concerto é amanhã, eu não tenho bilhete e, da última vez que visitei a
ticketline, ainda estavam disponíveis 40 bilhetes para a plateia do Pavilhão Atlântico. E, por isso, a música desta semana é mesmo dos The Black Keys, do
terceiro álbum Rubber Factory, de
2004, é uma das minhas de eleição e chama-se «10 A.M. Automatic»
Para quem vai, desejos de um bom concerto. Para quem não
vai, aqui vos deixo a minha forma de consolação e o meu sentimento solidário.
Além disso, independentemente da altura do ano, um bocadinho de rock n’ roll
vem sempre a calhar!
Na rubrica de hoje, do Ocarina do Tempo, vamos viajar
até 1940, ano da gravação do tema «Orchids In The Moonlight», por Xavier Cugat e a sua
orquestra. A versão original foi composta em 1933 pelo norte-americano Vincent
Youmans e foi orquestrada por Rudy Vallee para um filme intitulado «Flying Down
To Rio», realizado por Thornton Freeland. A canção
está classificada como sendo um dos melhores tangos do mundo e já foi alvo de
variadíssimas versões por parte de alguns artistas.
Versão original do tema «Orchids In the Moonlight», por Rudy Vallee, de 1933
A versão de Xavier Cugat,
gravada a 26 de novembro de 1940, é uma delas. Uma pesquisa mais a fundo, sobre
a história do artista, leva-nos a descobrir um repertório enorme de músicas e
um elevado grau de notoriedade em relação à sua carreira, desvendando o porquê
de tamanho sucesso e o porquê de grandes êxitos de dança latino-americanos, que
hoje conhecemos, terem sido popularizados por ele.
Versão do tema «Orchids In The Moonlight», por Xavier Cugat, de 1958
Xavier Cugat, nascido Francisco de
Asis Javier Cugat Mingall de Cru y Deulofeo, foi um dos principais
impulsionadores da música de dança latino-americana. Durante as suas oito
décadas de carreira, ajudou a popularizar estilos como o tango, a rumba, o
cha-cha e o mambo. Temas como «El Manisero», «Perfidia» e «Babalu», podem ser facilmente reconhecidos no seu
repertório. Da sua banda faziam também parte Dezi Arnaz, Miguelito Valdez, Tito
Rodriguez, Luis Del Campo, Yma Sumac, e a sua terceira esposa (de um total de
quatro), Abbe Lane.Cugat conta ainda com aparições em filmes como «Gay
Madrid» (1930), «You Were Never Lovelier» (1942), «Bathing Beauty» (1945),
«Weekend at the Waldorf» (1945), «Holiday in Mexico» (1946), «On an Island With
You» (1948), «A Date With Judy» (1948), «Chicago Syndicate» (1955) e «Desire
Diabolique» (1959).
«El Manisero»
«Perfidia»
Nascido em Espanha, no município de Girona (comunidade autónoma da
Catalunha), Xavier Cugat imigrou com a sua família para Cuba em 1905. Começou
desde muito novo a sua atividade musical. Com 12 anos apenas, a sua formação em
música clássica permitiu-lhe integrar a orquestra do Teatro Nacional, em
Havana, como primeiro violinista. Emigrou entre 1915 e 1918 para os Estados
Unidos, onde encontrou rapidamente trabalho acompanhando uma cantora de ópera. Cugar
ainda tocou duas vezes no Canergie Hall, percorreu os EUA e a Europa numa
digressão com uma orquestra sinfónica e foi solista da Los Angeles
Philharmonic, mas o dinheiro e o feedback crítico não foram satisfatórios.
Na altura da febre do tango, por volta de 1918, Cugar ainda chegou a
fazer parte de um grupo de baile popular chamado The Gigolos, porém, o seu
envolvimento com o grupo foi curto. Com a diminuição da popularidade do tango,
Cugar foi obrigado a fazer uma pausa para trabalhar como cartoonista para o
jornal The Los Angeles Times, regressando ao mundo da música somente em 1920,
com a criação do seu próprio grupo os Latin American Band. Embora tocassem
regularmente no Coconut Grove, em Los Angeles, e fornecessem as bandas sonoras
para curtas musicais, o grupo obteve o seu maior sucesso depois de se terem
mudado para Nova Iorque e de se terem tornado a banda residente do Waldorf
Astoria Hotel.
Cugar foi bastante criticado por a sua sonoridade ser ter alterado para
uma característica mais comercial, ao que ele um dia justificou: “prefiro tocar
o «Chiquita Banana» e ter uma piscina, do que tocar Bach e morrer à fome”. Cugar
e o seu grupo permaneceram como a banda residente do hotel por um período de 16
anos, tornando-se no líder de banda mais bem-pago de toda a história do hotel.
Em 1934, a sua banda foi convidada a tocar num programa de rádio numa emissão,
aos sábados à noite, com a duração de três horas.
«Mambo nº5»
Numa altura em que líderes de bandas como Benny Goodman e Glenn Miller
tinham atingido um elevado grau de popularidade, Cugat beneficiou de um
conflito entre a sociedade americana de compositores, cantores e editores, e as
estações de rádio. A sociedade retirou todas as músicas, que fossem nela
registadas, das emissões de rádio, no entanto, Cugar tinha mais de 500 temas
latinos não assinados na sociedade e rapidamente agarrou uma audiência enorme,
tendo-lhe validado, por isso, o apelido de “Rei da Rumba”.
As participações em filmes, acompanhado da sua banda, ou mesmo sozinho,
foram uma constante. Sendo que, a mais popular de todas, e a que serviu de
rampa de lançamento para a grande tela, foi a aparição no filme «You Were Never
Lovelier», em 1942, com a atriz Rita Hayworth, que tinha conhecido anos antes,
ainda ela era uma bailarina sob o nome de Margarita Cansino. As gravações do seus
temas, durante a década de 50, contaram com a participação da sua terceira
esposa Abbe Lane, no entanto, em meados da década de 60, as
participações foram levadas a cabo pela sua quarta esposa, Charo, que acabou
por ficar famosa a título individual, com temas como «Dance a Little Bit Closer»
e «Love Will Keep Us Together». Cugat retirou-se do mundo da música em 1970,
regressando a Espanha, onde acabou por morrer em 1990.
Os portugueses OqueStrada vão atuar no Concerto do Prémio Nobel da Paz. A banda Almadense vai ter a oportunidade de partilhar o Oslo Spektrum Arena, na Noruega, com Seal e Jennifer Hudson já no próximo dia 11 de Dezembro.
Como vai sendo habito desde 1994, a organização do Concerto do Prémio Nobel da Paz convida vários artistas para emprestarem as suas atuações à cerimónia. Os convites deste ano vêem "substituir" as prévias presenças de Sting, Paul McCartney, Aretha Franklin, Alicia Keys, Diana Ross, Florence and The Machine, entre outros nomes.
Em 2010 a atuação de Florence and The Machine no Oslo Spektrum Arena foi assim:
Os OqueStrada vão poder ser vistos em 100 países via transmissão televisiva. Em palco estarão ainda Sarah Jessica Parker e Gerard Butler, convidados para a apresentação do espectáculo.
Como ordena a tradição, desde 1902, a entrega do Prémio Nobel será feita a 10 de Dezembro, um dia antes deste Concerto de celebração. A cerimónia deste ano vai ocorrer no Oslo City Hall, e não só data marca o aniversário de Alfred Nobel, o "pai" do prémio, como também galardoar a União Europeia.
Relembre-se que os OqueStrada nasceram em 2002, percorreram o mundo inteiro, desde a Espanha, a França e a Sérvia até à China, mas só em 2009 lançaram o seu primeiro álbum. Tasca Beat registou um interessante fenómeno de vendas, tendo atingido o 9º lugar no Top de vendas nacionais, onde permaneceu mais de 20 semanas.
Reveja aqui o videoclip de "Oxalá te Veja" o primeiro single de Tasca Beat (2009):
Já anda pelo Porto a fazer beats e rimas desde a década de 90, já colaborou com alguns dos DJs e produtores mais conceituados que Portugal tem para oferecer; este seu álbum contêm beats de Sam the Kid e Nelassassin, um poema de Almada Negreiros, e muitas referências de grandeza. Contudo, e apesar da sua experiência e das contribuições alheias a este álbum, Capicua soa a fresco. Tem qualquer coisa de novo.
Talvez isto se deva ao facto de ter uma vida diferente do que já esperamos de um MC - uma infância dificil, problemas com a família. Ana não provêm de uma casa assim. Talvez esta sua sonoridade seja o resultado do seu estudo académico; não é um zé-ninguém que consegue queixar-se do estado do seu país ao descrevê-lo como um masoquista que, de acordo com <<Terapia de Grupo>>, não se flagela há dois dias. Estudos estes que também se revelam no próprio nome que escolheu para se representar no mundo do Hip-Hop, com conotações bíblicas. Talvez esta frescura se deva até a ser uma MC mulher, facto que glorifica no single <<Maria Capaz>>, apesar de ser algo triste ainda ser legítimo ter de glorificar o simples facto de se pertencer ao sexo feminino, isto dois séculos após os primeiros passos do movimento femininista.
Ao ouvir este álbum, o que é certo é que a sua identidade fica marcada como única. Em <<Domingo>> revela "os porquês" de não gostar deste dia da semana, enquanto que em <<Hérois>> nos descreve uma situação conhecida demasiado bem por demasiados portugueses. Criou <<Medo do Medo>>, em que a sua maneira agressiva de rimar, aliada à sua poesia, chega a assustar um pouco, mas enfrenta com bom-humor o <<1º Dia>>. O seu amor pelas rimas é transparente em todo o álbum, dando-lhe um certo intimismo, já que com cada música ficamos a conhecer melhor a mulher por detrás do projecto.
Tal como ela própria afirma, não é uma mulher fácil, e o seu álbum também não. Aqui não se vai encontrar superficialidade, letras que soam bem sem terem sentido, ou algo sobre como sair à noite com os amigos é bom. Este álbum é mais do que isso, e apela apenas aos que sabem apreciar bons beats aliados a uma poesia deliciosa de se ouvir, sobre temas menos optimistas. Um grande álbum de apresentação.
Portugal português Em nove
séculos de história Portugal nunca tinha vivido um momento tão dramático quanto
o actual. Não, não vos falo da crise económica nem das mais recentes medidas de
austeridade, falo-vos sim do “falecimento patriótico” que leva a maioria dos
portugueses a renegar o próprio país sem que tenham de se levantar dos seus
velhos sofás. As bandeiras
gastronómicas do nosso país, como o Vinho do Porto ou a indústria conserveira, são
agora exploradas por outros países, o sol, que nos brinda o ano inteiro, é
visto pelos parceiros europeus como uma forma de “ganhar bronze”. Até a cultura
parece estar a morrer, visto que as tradições são vistas “como coisas do
passado” e a arte não passa de uma coisa “gira”. Posso não
ter nascido nos anos 60, mas decerto que registei ao longo dos anos relatos de
quem por essa altura nasceu e recorda com saudade os tempos do “Festival
Eurovisão da Canção”, um fenómeno dos anos 70 e 80. O festival veio a decair a
partir de 96 depois dos êxitos de Sara Tavares, com “Chamar a Música” e de
Lúcia Moniz, com “O meu coração não tem cor”, não terem tido seguidores à
altura.
Reveja a atuação de Sara Tavares em 1994
No próximo
ano, e segundo a RTP, Portugal não vai participar no festival por “razões
económicas”, situação que já se adivinhava há algum tempo e que nos deixa a
sensação de que a participação deste ano pode mesmo ter sido a última. Para
muitos este é até um “mal necessário”, visto que este evento era visto por
muitos como um “desperdício de dinheiro”, mas não deixo de registar a minha
consideração para com esta manifestação musical e cultural europeia que levou
para lá das fronteiras vozes históricas, da música ligeira nacional, como as de
Simone, Fernando Tordo, Carlos do Carmo ou Dulce Pontes. Mas este
exemplo não morre só e Portugal é visto pela maioria como “um país velho e de
velhos”, visão que não está completamente errada, é verdade, mas que não ajuda
em nada os milhões de jovens, que procuram um rumo, a identificarem-se com o
seu país. No
seguimento da luta contra este “falecimento patriótico” têm-se formado grupos,
associações e promotoras que têm tentado integrar manifestações culturais e artísticas
em meios rurais. Só na última década o nosso país viu nascer perto de 20
novos festivais de verão. Somam-se de ano para ano e preenchem os três meses da
época balnear desde o Minho até às ilhas da Madeira e dos Açores. A maioria
aposta em novos universos musicais fora da comum cultura Pop/Rock e nos quais a
WorldMusic faz-se ouvir e viver por recintos relvados e parques de campismo. De facto reparo que o nosso pequeno país é cada vez mais “festivaleiro”
e arrisco-me a dizer que a “onda” dos festivais promovidos em zonas rurais
confere uma experiência muito mais enriquecedora do que qualquer outro festival
de grandes dimensões. Exemplo desta realidade é o festival Bons Sons, que desde
2006 “invade” gentilmente a aldeia de Cem Soldos, em Tomar, e demonstra o que
de mais puro o nosso país tem para oferecer. Visitei pela primeira vez o
certame este ano e pude constatar que a “SCOCS”, a associação cultural que criou o festival, tem
feito um enorme trabalho. Nunca tinha visto algo idêntico, uma aldeia repleta
de música, exposições, mostras gastronómicas, convívio, centenas de jovens e
muito espirito de entreajuda e camaradagem. O que me permitiu passar cinco dias
quase perfeitos, não fosse a grande distância do parque de campismo até ao
recinto. Para todos
os gostos, o cartaz, puramente nacional, combinou o rock mais experimental dos Linda
Martini e dos PAUS com o rock “dançavel” dos Capitão Fausto. Deu ainda a
oportunidade aos visitantes de pode assistir a Jazz com os incríveis Maria João
& Mário Laginha e aos grandes êxitos da música popular portuguesa com o “mítico”
Vitorino. Impressionantes, ainda, os projectos de fusão com os A Naifa, os Pé
na Terra, os ATMA e os Xícara, ao lado dos enternecedores: Mário Zambujo,
Márcia, Aldina Duarte, Filho da Mãe e Nuno Prata.
Um "mix" de imagens captadas na edição deste ano do festival Bons Sons
O slogan
«Vem viver a aldeia», tantas vezes repetido na página do facebook do festival, faz todo o sentido, pois quem visita o Bons Sons não vai só poder ver e ouvir
música, mas também poder partilhá-la com toda a aldeia, que respira vida e
convida a entrar mais alguém para beber um copo, respirar ar puro e, de facto, viver o verdadeiro espírito de uma aldeia. Para quem visitar o festival em 2014 aconselho a sopa da pedra seguida de
uma “talhada” de melão, que tantas vezes me socorreu as necessidades nutritivas
que passei, não fosse a minha alimentação mantida à base do típico “menu de campista”. Entretanto,
já lá vão três meses desde que vi Cem Soldos pela última vez.A aldeia deve
agora sentir-se mais só sem as centenas de “festivaleiros” e curiosos que iam
aparecendo por lá em Agosto. Deve agora reflectir as diferenças climatéricas do
“calor acompanhado” e do “frio solitário”. Em 2014 mata-se a saudade - tão
portuguesa – de um festival que só se realiza de dois em dois anos. Quanto ao
festival da canção o mais certo é ouvirmos um até sempre da tradicional voz de Eulálio Clímaco.
Confira aqui o cartaz completo da última edição do Bons Sons:
Ana Fernandes é licenciada em Sociologia e
tem um doutoramento em Geografia Humana. A par da vida académica, gravou um
disco de hip-hop. Nestas lides é conhecida como Capicua. Pode ser um nome novo
para muitos, mas para Capicua, o hip-hop não é certamente coisa nova. Foi por
volta dos 15 anos que teve o seu primeiro contacto com a cultura hip-hop, mais
propriamente com o graffiti. Do graffiti à música foram 10 anos. Dois eps
(colectivos) e uma mixtape (a solo) depois, a MC que era verde, quis mostrar-se
capaz (e completa) e começou a fazer planos para um disco maduro, uma coisa
mais à séria. Assim surge este álbum homónimo, num registo mais autobiográfico,
que pretende reduzir a distância entre a Ana e a Capicua.
A MC natural do Porto marca pela diferença. Assume à partida que teve uma
infância e adolescência felizes, contrastando com alguns rappers que falam
sobre infâncias traumáticas e como é crescer em bairros sociais. Assume-se pelo
que é, uma das poucas mulheres a fazer hip-hop em Portugal e não esconde esse
lado mais feminino e sensível, muito pelo contrário.
Capicua começa por nos dizer em «Mão Cheia», através
de um texto de Almada Negreiros, que as palavras não são novas, mas que os seus
sentidos podem ser reinventados. E é isso mesmo que vemos nas faixas seguintes:
a mestria das suas metáforas e analogias aguçadas. «1º Dia», «Hora Certa», «Judas
e Dalilas», «A Volta» e «Luas» são canções que têm um cunho mais pessoal e
relatam experiências de vida. Infância, fases da vida, amores, desamores,
amizades, inimizades, ambições, lutas, são alguns dos temas que transparecem
nestas vivências relatadas por entre versos.
Ana cresceu a ouvir cantores como Zeca Afonso e José
Mário Branco. A presença da música de intervenção na sua vida fez com que
quisesse fazê-la um pouco sua e ao seu jeito, com a sua pronúncia do norte. A
voz revolucionária de Capicua faz-se ouvir em músicas como «Os Heróis», «Terapia de
grupo» e «Medo do Medo». Esta última é a terceira faixa do disco e a sua preferida.
Fala da perda de orgulho nacional, de angústia, agonia e insegurança. Contudo tenta passar uma mensagem de força e coragem. «Nós temos direito a um futuro» é a frase que marca «Os Heróis».
«Casa do Campo» é talvez a música mais especial de
todo o disco. É a única que invoca ambições para o futuro, a um nível mais
pessoal. Inspirada em Elis Regina, Capicua despe-se de pretensões e expõe a
simplicidade do futuro que deseja. «Um filho, um livro, um disco, uma árvore, dois
amigos, dois umbigos unidos num chão de mármore». Uma tendência
cíclica, uma vez que gerações anteriores sonhavam com uma casa na cidade. Do
campo para a cidade, da cidade para o campo.
«Maria Capaz» é o primeiro single do álbum e a afirmação de Capicua como uma MC
para quem «o máximo é o mínimo».
Mas não é só a letra que faz uma canção. Para os beats do álbum, Ana contou com
colaboradores de luxo comoD-One, Ruas, Sam the Kid, Xeg e Nelassassin. É um bom disco
de apresentação, um cartão de visita do hip-hop feminino, mas também de Capicua no passado, no presente e no futuro. A prova de que o hip-hop pode aparentar
ser um mundo de homens, mas que a colaboração entre ambos os géneros dá frutos. Link para download gratuito: Aqui
Estava eu em
“passeio” pelo Youtube, quando me deparo com um vídeo publicado em Abril deste
ano, sobre uma aparição de Tupac Shakur num concerto do Snoop Dog e do Dr. Dre
no Coachella Live 2012.
Confesso que
pouco ou nada conheço do trabalho de Tupac (não tivesse eu apenas oito anos,
aquando da “morte” do famoso rapper americano.
O que é
certo é que fiquei de tal forma petrificada ao visualizar aquele vídeo de cinco
minutos, que confesso que o vejo a toda a hora.
Tupac Shakur
“ressuscitou” no referido concerto de Snoop, sob forma de uma projecção holográfica,
cantou e encantou o público presente, que interagiu como se o “fantasma” fosse
real. E de facto assim o parecia. A única coisa que poderia eventualmente
demonstrar a referida projecção, e não ser confundida com uma pessoa real, era
o facto de, quando Tupac estava parado, a projecção andava ligeiramente para o
lado, como se tivesse em cima de uma passadeira rolante.
Vejo o Snoop
Dog a cantar para uma imagem holográfica, como o fez, imaginando que o rapper
estava ali mesmo ao lado, a cantar com ele, a debitar rimas atrás de rimas, e
público num banho de emoção e sentimento, por ter á sua frente o rapper
considerado por muitos o melhor e mais influente do mundo. Até eu estava
arrepiada. Imagino quando forem feitas projecções do Bob Marley, ou do Kurt
Cobain, ou do Michael Jackson!
Ao fim dos
cinco minutos do vídeo, em que a música também termina, Tupac esfumaça-se e
desaparece de palco.
Conforme já dito,
é possível perceber que se trata de algo digital, mas a qualidade está muito
acima do produzido até agora. Não sei como o fizeram, mas Tupac até soltou a
frase “What the fuck is up, Coachella!”. Segundo o produtor deste holograma,
não irá ficar por aqui esta história das projecções holográficas, e o público
poderá contar com mais concertos de “arrepiar”. Ainda hoje estou arrepiada. Já vi
o vídeo mais de três vezes seguidas hoje!