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Viajei com o Acaso Até Aqui #23

Já modificou a «Paranoid» do Kayne West, já utilizou a «Here Comes the Sun» dos Beatles para a banda sonora do filme Selvagens (2012) e com Adam Young (Owl City) gravou «Shine Your Way» para a película de animação The Croods (2013) da DreamWorks. Foi descoberta pela editora norte-americana Indie-Pop, com a qual acabaria por assinar um contrato depois daquela ter viajado até à Malásia, de propósito, para a convencer a entrar na música de forma maquinal.

Até ali Yunalis Zarai, uma cantora e compositora nascida em Quedá, um dos estados da Malásia, era uma miúda como as outras com queda (ou Quedá) para estas coisas. Começou a escrever as suas próprias letras com 14 anos e cinco anos depois já as exibia ao vivo, altura em que aprendeu também a tocar guitarra.

Uns anos depois, o MySpace foi o melhor amigo de Yuna. Ela explicava-se em inglês e em malaio e elegia Bob Dylan, Coldplay, Feist, Fiona Apple e Sia como os autores do seus discos de estante. No início do ano passado, «Live Your Life» alavancou o que Yuna andava a preparar desde Decorate (2011), o EP além fronteiras asiáticas - para trás já haviam ficado demos e outras pequenas amostras unicamente malasianas. O single integrado no primeiro álbum de estúdio teve a produção de Pharrel Williams, mas é na abertura de Yuna (2012) que o seu indie rock/pop se dilui para um lado melhor. «Lullabies» parece remeter-nos para o trip hop de «Teardrop» dos Massive Attack, vocalizada por Elizabeth Fraser (Cocteau Twins).


Além do colectivo de Bristol, Yuna conduz no mesmo sentido que uma Maria Mena ou uma Nina Persson, comparações mais explicítas, contudo, em Decorate, com «Someone Out of Town» e «Fears and Frustations».

Yuna foi aluna de Direito na Universiti Tecnologi MARA na Malásia; é detentora de um bacharelato em Estudos Legais; é co-proprietária de uma loja de roupa feminina no subúrbio de Subang Jaya no seu país; conseguiu ser finalista da competição "Best New Band in the World", na Times Square, em Nova Iorque, espectáculo emitido ao vivo pela MTVIggy.com e ainda transformou «Come As You Are» dos Nirvana numa outra coisa qualquer.


http://www.yunamusic.com/
http://www.myspace.com/yuna
 

Viajei com o Acaso Até Aqui #22

Apareceu na cena musical no ano passado, mas anda desde pequena a entreter-se com cordas de guitarras. Hoje (ou em 2012) está a entrar na casa dos 30 e já vem com uma imagem transformada de quem já foi pupila e agora é mestre. As razões prendem-se com as performances ao lado de James Chambers (ou Jimmy Cliff, que celebra hoje 65 anos), o escocês Paolo Nutini ou o novato (este, sim) Michael Kiwanuka.

De mãe liberariana e pai jamaicano, Josephine Oniyawa faz-se apresentar com uma voz seca, perturbada e quase perturbante, embebida em folk e com uma postura de quem não veio para não impressionar, pelo menos, não de forma pouco dilatada no tempo (não parece querer ser fugaz ou pouco penetrante como uma VV Brown ou Leela James).

Além de tudo isto, o exercício de associar uma voz a um corpo pode ser muito traiçoeiro. As primeiras impressões fazem-nos imaginar, por vezes, uma mulher voluptuosa com vestes tribais como em «Original Love» ou uma mulher franzinha ao estilo nórdico como em «When We Were Trespassers». Com alma de soul, fez ainda o seu caminho com outros dois EPs A Freak A e I Think It Was Love, ambos em 2010, para depois - dois anos mais tarde - dar-nos o retrato final. O álbum chama-se Portrait e uma das melhores fotografias é «House of Mirrors».



No disco, Josephine tem Leo Abrahams como compositor e produtor, nome que também consta nos trabalhos de Amy Winehouse, Corinne Bailey Rae, Grace Jones ou Nick Cave. «What a Day» foi o single da apresentação da cantora de Manchester. Faz lembrar o resultado de uma receita com os seguintes ingredientes a fermentar: Margo Timmins (Comboy Junkies) e Dani Klein (Vaya Con Dios).


Viajei com o Acaso Até Aqui #21

Por trás do cabeçilha, está um colectivo oriundo de Toronto. Ou então talvez seja ao contrário: primeiro há que contar a hitória do produtor Slakah, the Beatchild (o miúdo dos beats ou o beat acriançado); e depois alargar as vistas para o resto dos convidados. O canadiano não é um novato e, muito menos, é um estreante à procura de um protagonismo repentino à custa dos outros, ao juntá-los todos em The Slakadeliqs.

Slakah - também responsável pelos produtos do rapper D.O. (aka Defy the Odds); por «Sunglasses», de Divine Brown, escrito por Nelly Furtado e editado no álbum The Love Chronicles (2008); pelo dueto de Miles Jones, detentor da editora Mojo Records & Publishing, com Shad em «Say What» e ainda pela ascenção de Drake e outras trilhas como «Enjoy Ya Self» e «Between Us» - esteve durante quatro anos em ajustes, repensamentos e escrita voluntária. O resultado é o som fresco de The Other Side of Tomorrow (2012) que se fez, ainda assim e assim, muito por culpa alheia.



Além dos temas que se apresentam apenas através de um título, este é um álbum feito de partilhas e para ser ele mesmo ouvido em grupo. "Call me in the morning,call late at night/Call me when you need me it's alright/Tell me what you're thinking I'll understand" de «Call Me Your Friend» não podia exprimir melhor de que é feito o supergrupo canadiano, aqui tendo Sandie Black? como muleta. King Reign e Shad parecem ter Lil Wayne a servir de filtro ou, pelo contrário, de megafone, em «Beneath It All», e Tingsek (que entra em cena em três temas), valoriza «Perfect Night Summer», onde os instrumentos de sopro são reis, e «Love Judge» - também com Ebrahim a figurar no featuring naming - é um dos melhores exemplos a resumir o que Slakah fez aqui.


O 'solo' independente do canadiano é muito recente (tem pouco mais de um ano) e é filho único. Tem um soul light, um reggae refinado, a força de um som acústico vindo de guitarras treinadas para isso mesmo, o protagonismo de uma percussão e ainda arranjos a fazer parecer que foi, na íntegra, gravado ao vivo de tão orquestrais que são. O rapper Drake não escondeu a satisfação com o feito do amigo no seu Twitter: "Um dos meus produtores favoritos com os quais já trabalhei acabou de lançar o seu álbum".

Se pensarmos que o tweet apareceu depois de já gozar de uma popularidade empolada por Thank Me Later (2010) e Take Care (2011) e duas mãos cheias de parcerias com Young Jeezy, T.I, André 3000, Rick Ross ou The Weeknd, o caminho para Slakah sempre esteve mais do que desbravado.



Viajei com o Acaso Até Aqui #20

Vamos contar a história de cada um. Miguel Peixoto é o baterista e é o Mike Peixoto. Os seus pés já estiveram ao lado de outros em palco: Júlio Pereira, Lumem, Outwithanew e The Moss são alguns deles. É uma pessoa do rock, mas acabou no jazz. É formado em Educação Musical, mas já passou pela Escola de Jazz da sua cidade. Nasceu em 1979 e na sua lista de músicas também estão coisas indefinidas como músicas do mundo ou, outras também descoordenadas, como o funk.

Mais novo (tem 27 anos), está o André Sebastião nas teclas. É o André Sebastian que é um verdadeiro entendido da coisa. Já estudou piano, história da música e tem formação musical. É um diamante em bruto. E também é da cidade Invicta.

Rui Gomes ocupa-se do baixo e do contra-baixo. De intenções mais pompousas, apresenta-se como Rui Materazzi. Anda nisto há mais 25 anos e o primeiro instrumento nas suas mãos foi uma guitarra clássica. Veio ao mundo no dia da Revolução dos Cravos, mas em 1982.

Já Santo Tirso viu nasceu Daniel Alves. Foi um puto esperto. Começou a aprender sozinho como tocar guitarra. Seguiu-se a escrita do que queria dizer. Fez parte do projecto Above the Blue Carpet e agora emprestou o seu nome a este quarteto: Dan Riverman.



As semelhanças com Eddie Vedder começam na voz e terminam no cabelo e, outra vez, na voz. De corte aparado - e longe do ondulado desalinhado do líder dos Pearl Jam - Dan Riverman tem, ainda assim, algo em comum com o músico norte-americano. A idade menos avançada (30 anos contra os 48 de Eddie), e o exagerado-esforço-artíficio nas cordas vocais, que lhe fica bem.  De propósito e para evitar comparações, apresenta-se com um rosto a condizer e de barba certinha. De rouquidão com mais personalidade do que ele próprio, Dan obriga-nos a fazer viagens com ele e com as suas músicas. «Sea and the Breeze», «To Live a Dream» e «Lady Luck» são alguns pontos de partida.

Nos entretantos, volta a cruzar-se com Eddie nas letras, quando aquelas músicas espelham amores que precisam de ser corrompidos ou de perdões que nunca chegam a sê-lo. A página oficial de Facebook do grupo adianta que Cousteau, Davey Ray Moor, John Martyn, Morphine são os principais influenciadores da criatividade dos quatro. Ouvir falar pouco deles e do que andam a fazer é o lado negativo disto.


Viajei com o Acaso Até Aqui #19

Andrea Fuentealba Valbak é filha de pai chileno e mãe dinamarquesa. Mas os sons que se ouvem por causa dela têm muito pouco de veia latina ou de outra coisa europeia quando comparada com os suecos ABBA ou os britânicos Muse. Andrea prefere ser conhecida apenas como Medina - nome também ajustado a partir do seu seu alter-ego artístico: Medina Daniela Oona Valbak.

Nasceu em 1982 e, por isso, não conseguiu fugir às danceterias que encheram a sua adolescência. Reproduziu as influências em três álbuns cantados em dinamarquês e outros dois em inglês. Estreou-se em 2007 com Toet pa, mas os discos de platina (atingiu este recorde de vendas três vezes) seriam registados no ano seguinte com o «Kun for mig» e com o segundo disco Velkommen til Medina.  O single foi líder dos tops durante cerca de seis semanas e as músicas seguintes seguiram-lhe os passos.

A internacionalização de Medina aconteceu em 2009 quando decidiu traduzir aquele single para a versão inglesa. Rebaptizou-o e este ganha o novo nome «You and I». É editado com sete novas canções na Alemanha, Aústria e Suíça. Nos tops germânicos conseguiu a nona posição. Voltou às origens com For altid e no ano passado editou um novo trabalho entitulado Forever. Do pingue-pongue de Medina, há coisas escondidas. Entre elas sobressaem  «Jeg Troede», «Perfektion» e «Vinden Vender».



Foi considerada a melhor artista dinamarquesa pela MTV em 2009 e 2011. No entretanto, conquistou seis distinções pelos Danish Music Awards: foi eleita a artista revelação e a compositora e a artista feminina do ano. Apesar de um pop demasiado empolado, Medina tem sabido reescrever-se através de um dupbstep misturado com pontas de chillout. A atrapalhar-lhe o caminho está o nome artístico que escolheu: significa uma das mais sagradas cidades islâmicas. À partida é um facto pouco condizente - dizem os islâmitas - com os movimentos dançantes (ou insinuantes) de Andrea, por vezes, em roupas de tamanhos reduzidos.


Viajei com o Acaso Até Aqui #18

A confusão com os Wolfgang é muito fácil. Aliás demasiado fácil, quase falaciosa de tão escorregadia que é. A diferença está num espaço entre as duas coisas: o ‘wolf’ e o ‘gang’. Os primeiros nasceram em 1992, nas Filipinas, e são uma banda de heavy metal e hard rock. Foram a única banda com aquela nacionalidade a editar álbuns no Japão e nos EUA. As traduções linguísticas são traiçoeiras e considerá-los um grupo de lobos ou de pessoas cruéis é, talvez, duro demais. O dicionário refere-se ainda a ‘wolf’ como ‘indivíduo insaciável’. Se se aplica aqui? Pode ser. E agora com o tal espaço. 

Falamos de Wolf Gang: Max McElligott, Gavin Slater, James Wood e Lasse Petersen. Há cerca de três meses andavam na estrada com os Keane, na digressão por terras britânicas. Regressados a casa, voltam também aos trabalhos de casa. Preparam o segundo álbum de originais - depois de Suego Faults (2011) - que deverá ainda ser lançado este ano, pela Cherrytree Records. 

A história da banda de rock alternativo começa com a vida de estudante de McElligott. Formava-se em Antrolopogia na London School of Ecnomics quando decidiu parar durante um ano. Queria experimentar a música.  Os instrumentos que aparecem naquele primeiro disco, editado há dois anos, foram todos tocados por ele. Dave Fridmann, produtor de Flaming Lips e MGMT, ajudou a montar as peças soltas. Seguiram-se críticas favoráveis no The Guardian, na Spin Magazine e na Pitchfork. 


Foram descobertos pelo Off naquele lugar encantado chamado Burberry Acoustic. A versão slowmotion de «Back to Back» foi ouvida pela marca e desde logo quis que os Wolf Bang actuassem no Fashion Night Out em Setembro de 2011. Seguiram-se outros desfiles de moda e de vaidades, animados com os seus sonoros, como Emporio Armani e Thom Browne/Harrods.

O ano passado entreteram os amantes de Coldplay nas primeiras partes dos concertos e constaram no cartaz de Coachella, na Califórnia. De resto, já foram banda de abertura de outros espectáculos: Editores, Florence and the Machine, Miike Show, Naked and Famous e The Killers. E no ano passado, em Dublin, Irlanda, no Artur's Day Music Festival tocaram ao lado de Aloe Blacc, Ed Sheeran e Scissor Sisters. 

http://www.wolf-gang.co.uk/
http://www.myspace.com/thisiswolfgang

Viajei com o Acaso Até Aqui #17

O som agridoce está de regresso. After All será o título do quatro álbum The Sweet Vandals, com chegada prevista para o segundo trimestre deste ano. Sob a chancela da sua própria editora, Sweet Records - criada em 2012 - o grupo madrileno, por agora, ainda pouco desvenda sobre o lançamento mundial do novo trabalho, nos seus canais oficiais. Mas o site oficial sumariza o que aí vem: "After All é o melhor trabalho do grupo até agora e uma obra-prima do soul e funk modernos. A obsessão dos Sweet Vandals em encontrar o melhor som para cada música é uma marca do seu trabalho e esta atinge o seu auge com este disco".

Para trás, fica o êxito publicitário «I Got You, Man!», cedido à marca Fiat, e da edição posterior do disco de lançamento em 2007. As boas críticas dirigidas a «Do It Right», «Papa's Got A Brand New Bag» ou «Beautiful» valeram-lhes digressões pela Europa, incluindo Portugal, Alemanha, França, Itália, Aústria, Turquia, mas também outras actuações por terras mexicanas.




Depois da partilha de palcos com Neneh Cherry, Sean Kuti, Keziah Jones ou Sharon Jones and The Dap Kings, os 'Vândalos Doces' começaram a preparar novos sons para o segundo trabalho, que viria a ser editado em 2009. A Lovelite  seguiu-se So Clear (2011), mais cheio de protagonismo de guitarras eléctricas e de pedaços de jazz e blues: ou seja, coisas de poucas palavras.  Este trabalho acabaria por fechar a colaboração com a Unique Records.

O funk, misturado com um sotaque sul-europeu difícil de esconder do quarteto, ganhou novo fôlego com a voz de Mayra Edjole, descoberta em 2005 - no mesmo ano de formação da banda - depois de Jose 'Yusepe' Herranz (guitarra), Santi 'Sweetfingers' Martin (baixo) e Javi 'Skunk' terem percebido que precissavam de um toque feminino para que a fórmula energica funcionasse. Se em 2005 foi assim, em 2013 quer-se ouvir o que eles têm ainda para contar sobre os 60's e 70's.

http://www.thesweetvandals.com/
http://www.myspace.com/thesweetvandals
http://www.last.fm/music/The+Sweet+Vandals

Viajei com o Acaso Até Aqui #16

Mesmo depois de ouvir «Breathe» com muita atenção, difícil é perceber que a voz de Angela McCluskey está metida no meio da música electrónica do duo francês Télépopmusik. A música, retirada do primeiro álbum do grupo de 2003, Genetic World, foi escolhida para configurar num anúncio de televisão da marca japonesa Mitsubishi e foi nomeada para um Grammy como Melhor Música de Dança no ano seguinte. 


No mesmo disco, Angela foi ainda vocalista-convidada em «Smile» e em «Love Can Damage Your Health». A colaboração continuou em 2005, com a edição de Angel Milk, no qual «Don’t Look Back» ou «Brighton Beach» são também cantados por Angela sob um jazz disfarçado e um trip-hop muito suave. 

No entretanto, a vida da artista  de Los Angeles, California, nascida em Glasgow, na Escócia,  ganha fôlego a solo. The Things We Do (2004) é a obra de apresentação de Angela, cinco anos antes de You Could Start a Fight in an Empty House (2009). Do primeiro, «It's Been Gone» teve as honras de abertura, tendo sido fortemente aclamado pelo comediante britânico Russel Brand. No segundo, «Handle With Grace» marcou o regresso da sua parceria com Télépopmusik. Entre outros EP's pelo meio, o ano de 2012 serviu para Angela gravar um outro extended-play: o Lambeth Palace.

É o resultado da estadia de Angela e os amigos em Los Angeles, onde arrendaram uma casa na vila de Los Feliz. Os melhores postais do último trabalho da escocesa são «Perfect», «Slow Down» e «Take Me Out Tonight». No último, regista-se a colaboração de Morgan Page, disc-jockey norte-americano conhecido pelo seu house progressivo. Juntos, já tinham criado «Tell me Why» (2010) e «In The Air» (2012).





O ano passado Angela também trabalhou com Delerium em «Stargazing» e o rapper Kendrick Lamar utilizou um sample de «Don«t Look Back » e recriou a sua música «Is It Love» em 2009. O percurso da artista de 46 anos teve os seus inícios nos anos 90 com a banda de folk rock Wild Colonials, com a qual lançou Fruit of Life (1994) e This Can't Be Life (1996). Já partilhou confidências musicais com Deep Forest, Triptych ou Cyndi Lauper. O novo disco dos seus amigos de Télépopmusik vai ser conhecido dentro de meses e Angela podia ser uma Amy Winehouse. Mas numa versão muito mais telúrica ou numa outra, feita de sonhos atingíveis.  

http://www.angelamccluskey.com/
http://www.myspace.com/angelamccluskeymusic
http://www.last.fm/music/Angela+McCluskey
http://telepopmusik.com/



Viajei com o Acaso Até Aqui #15

«Feeling Free» foi considerada a Música do Ano pelos Gilles Peterson's World Wide Awards em 2006. «Keep Reaching Up» - nome do primeiro álbum do ano anterior - foi escolhida por Barack Obama, presidente reeleito do EUA, para figurar na lista de músicas da sua campanha eleitoral em Fevereiro de 2012.


Tortured Soul é o nome do novo disco de Nicole Wills and The Soul Investigators. Chega no início  deste ano e surge depois daquele turbilhão político, de um bacharelato em artes e pintura frequentado pela vocalista e de oito anos de ausência. Nos últimos quatro, os seis músicos estiveram a criar material para esta 'alma torturada' (que de dolorosa tem muito pouco). «Tell Me When (We Can Star Our Love Thing Once Again)», «Moon Walking & Star Gazing» e «Shake A Tail Feather» são alguns dos títulos de avanço do trabalho.

 

Pela chancela da editora Timmion Records, o som do LP tem Pete Toikkanen na guitarra, Sami Kantelinen no baixo, Jukka Sarapää na percussão, o órgão é de Antti Määttänen e ainda Didier Selin numa colaboração pontual de guitarra nos braços. É um regresso à composição do grupo em 1998.

Nicole Wills é norte-americana de Nova Iorque, mas nasceu em 1963 em Helsinquia, na Finlândia. É cantora, compositora e pintora. Com os 'Investigadores do Soul ou da Alma' lançou aquele primeiro disco em 2005 e com ele recebeu a aclamação da crítica. Vendeu 30 mil cópias e esteve disponível no Cánada, EUA, Espanha, Dinamarca, França, Itália e Reino Unido.

A solo, o currículo de Nicole começou em 2002 com Soul Makeover e continuou em 2004 com Be It. Nos dois trabalhos colaborou com Dharma One, Ercola, Nuspirit Helsink, Jimi Tenor e Maurice Fulton. Mas o caminho de Nicole já teve outros cruzamentos. Com os Hello Strangers and Blue Period fez performances ao vivo em Nova Iorque, ao mesmo tempo que trabalhava à noite nos bares Berlin e Danceteria daquela cidade. Foi corista em 1989 na tournée dos The The e, cerca de um par de anos mais tarde, tornou-se vocalista da banda Repercussions. Earth and Heaven foi o disco de estreia, do qual o single «Promise Me Nothing» se tornou um hit radiofónico no Japão. Em parceria com Curtis Mayfield, em 1994, a banda gravou ainda uma versão de «Let's Do It Again» (1975) do próprio músico de Chicago e mestre do soul e do funk.

http://www.nicolewillis.com/
http://www.myspace.com/nicolewillisandthesoulinvestigators
http://www.last.fm/music/Nicole+Willis+&+The+Soul+Investigators

Viajei com o Acaso Até Aqui #14

A Burberry Acoustic é um lugar encantado. É feito de montras aos quadradinhos e nasceu por iniciativa daquelas marca de roupa britânica. Esta convida artistas ao acaso para fazerem videos com sons e versões improváveis, em cenários ainda mais inesperados. As surpresas surgem a cada clique e ao fim de três ou quatro minutos (sempre que um video acaba e começa um outro). 

Um dia destes, o Christopher Wall estava lá. Ou melhor o Chris Wall. «Posterity» era a  música que o apresentava (e não o contrário). Feito que estava o clique, a voz dele entoou assim:


Nas pontas dos dedos tinha um piano. E em redor, uma praia. A voz parecia saída da água do mar de tão natural que é, podendo até levar a uma desconfiança quanto ao ajustamento do timbre ao corpo de Chris. 

Depois, imperava fazer o seguinte: perceber quem era o Chris. Ora, faz parte do duo Soft Bullets (balas suaves, para se ser mais preciso). Ele, do Reino Unido; Dan Capaldi, dos EUA. Juntos criaram uma espécie de ligação hiperreal, tal como o título do EP Hyperreality, lançado em Novembro do ano passado pela Township Music. 

O som que produzem está um pouco longe do Chris-versão-bucólico-melancólico, mas continua escuro e silencioso. Viajam dentro de um trip-hop e uma electrónica. São felizes com a cacafonia de um piano, de guitarras, das percussões e de samples, que resulta em «Another Chance» e «Broken Circuits». O site Echoes and Dust escreve que eles devem ter decidido fazer isto depois de terem visto concertos de Justice ou de Daft Punk. Aquele sítio acrescenta ainda que o Thom Yorke devia soar a isto quando era mais novo.  

Com uma orquestração tímida, mas poderosa, Soft Bullets ficam bem naquela realidade 'hype', como numa outra. São autores de um blogue com o mesmo nome do duo. Vai ser ainda mais fácil ouvir falar deles por aqui.

Viajei com o Acaso Até Aqui #13

O álbum de estreia não tem um ano de existência. From the Roots Up chegou às discotecas em Julho de 2012 pela chancela da Atlantic Records, com a qual assinou contrato aos 17 anos. Antes, a voz de Paloma Ayana Stoecker já tinha impressionado a Island Records quando um amigo mostrou quatro músicas da sua autoria aos principais gestores da editora.

Mas nem tudo foi obra do acaso. Paloma (ou Delilah) é uma cantora e compositora britânica, nascida em Paris em 1990. Viajou de França até às terras de Sua Majestade depois da separação dos pais. A beleza exótica de Paloma tem as suas razões de ser nas raízes cubanas e nigerianas da mãe, e nas descendências francesas e espanholas do pai, mas as afinidades com a música ganhou-as com o padrasto, DJ e também gestor de uma editora independente. Com isto, conseguiu lidar de perto com bandas de música britânicas e assistir a concertos ao vivo desde muito nova. A perda do ente querido num acidente de carro nunca mais a deixou sair deste mundo: aos 12 anos, teve o piano como o seu primeiro instrumento e, com ele, escreveu a sua primeira letra.

Depois da formação em Direito do Entretenimento, Teoria, Performance e Tecnologia Musical, em menos de nada, Paloma estava a emprestar a voz ao duo de dubstep Chase & Status, no single «Time». Com ele, fez uma tournée de dois anos pelo Reino Unido, até 2011, ao mesmo tempo que fazia de corista em «Heartbeat» de Nneka. Foi até à Irlanda como artista de suporte a outra tournée, agora de Maverick Sabre.

Brilhou em primeiro lugar quando o single de apresentação «Go» mostrou uma Paloma sem uma posição de backingvocals.  Com um sample de «Ain't Noboby» de Chaka Khan, a francesa conseguia a 17ª posição dos tops britânicos.  Seguiu-se «Love You So», já no final daquele ano, e «Breathe» continuou a promoção do disco em Maio do ano seguinte. «Inside My Love» confirmou o talento num cover de Minnie Riperton e o quinto single «Shades of Grey» quase encerrava a promoção, antes de «Never Be Another».




No entretanto, actuou com Emeli Sandé no Londons's KOKO como Revelação MTV'2012, e aquela artista foi também uma das suas colaborações ao lado de Dan Carey, Fraser T. Smith,  Salaam Remi, Sam Dixon, Rick Nowels ou Sia Furler.

O dupstep e o drum & bass são os mundos de Delilah, inspirada em Ella Fitzgerald, Sade Adu, Alanis Morissette, The XX e Buena Vista Social Club.  É uma Rihanna mais discreta, uma Aaliyah mais ousada e uma Katy B mais madura. É feita de low profile, portanto.

http://delilahofficial.co.uk/
http://www.last.fm/music/Delilah 


Viajei com o Acaso Até Aqui #12


Chamam-se Boy, mas não são rapazes. Sonja Glass é uma baixista alemã. Valeska Steiner é uma vocalista suíça. Hamburgo é a cidade que as viu nascer como duo em 2007, dois anos depois de se terem conhecido num curso de música pop no Hochscluhe für Musik and Theater Hamburg.  Mutual Friends é o nome do disco de estreia, que atingiu o top 10 na Alemanha, em 2011. 

Naquele ano, conquistaram o Hamburg Musician Prize HANS como revelação do ano; e com o álbum venceram o European Border Breakers Award, prémio que distingue os artistas emergentes com grande sucesso fora do seu país de origem, tendo já sido atribuído a Adele, Lykke Li, Damien Rice ou Mumford and Sons. 


O single de apresentação «Little Numbers» acabou como banda sonora da classe executiva da transportadora área Lufthansa em 2012. «Waitress» é a música que se segue sobre o primeiro trabalho, o qual tem edição norte-americana prevista para o próximo mês de fevereiro. E o Youtube está cheio de coisas destas feitas por elas. Quase em silêncio. Diz-se que são uma especíe de Feist ao quadrado. 


http://www.listentoboy.com/


Viajei com o Acaso Até Aqui #11

«Porcupine» é uma música torturante sobre ficar-se apaixonada. Escrevi-a quando iniciei uma nova relação e de repente comecei a ter problemas de confiança a matutarem-me a cabeça. A letra da música é sobre querer que alguém entre na minha  vida, mas que, ao mesmo tempo, mantenha uma certa distância, por causa do meu coração espinhoso”, explica Ruby Frost  sobre um dos sons de 2011. 


De facto, se se traduzir à letra ‘Porcupine’ ou o seu apelido, cedo se percebe que a miúda de 25 anos de Wellington, Nova Zelândia, não é muito dada a afectos ou a coisas subtis. Ela é a Ruby ‘Geada’ e a música chama-se ‘Porco-espinho’. Jane de Jong é o nome verdadeiro da cantora e compositora que em 2009 venceu o concurso nacional ‘MTV 42Unheard’, através do qual conseguiu um contrato com a Universal Music do seu país. 

«Moonlight» foi o single de estreia, lançado na rádio bFM. Permaneceu nos tops radiofónicos durante dez semanas consecutivas no final de 2010, ano no qual viu também a sua canção «O That I Had» (do seu primeiro EP How Long) ganhar uma versão dupstep através do duo neozelandês Mt Eden. Depois, venceu o Grande Prémio Pop no concurso John Lennon Songwriting Contest com «Hazy», e com a mesma música arrecandou o terceiro lugar no Top 40 na versão internacional daquele evento.


O primeiro álbum chegou em 2012, tendo sido disponilizado no iTunes em todo o mundo. «Water To Ice» e «Young» foram as montras de apresentação de Volition, que  atingiu  a 24ª posição dos tops oficiais da Nova Zelândia. Vinha acompanhado por pequenas histórias escritas por Ruby. Diz que queria transformar o disco num musical ou numa peça que contasse a viagem pela qual ela passou enquanto escrevia o disco. 

As transformações são evidentes, nem que sejam apenas pela cor de cabelo: castanho, loiro, arosado. O pop e o electro de Ruby estão agora oficialmente espalhadas na Austrália com o lançamento do trabalho naquele país. Faz lembrar uma Roisin Murphy mais maneirinha e tem uma Elly Jackson ou uma Clare Maguire nas cordas vocais. Está a preparar-se para ser uma das juradas do programa televisivo de talentos, X-Factor, na Nova Zelândia, ao lado de Stan Walker, Daniel Bedingfiled e Melanie Blatt (ex-All Saints).

http://rubyfrost.com/
http://www.last.fm/music/Ruby+Frost