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On The Record #3

Timberlake, o 'Martini Guy'

Justin Timberlake
The 20/20 Experience
RCA Records
9/10

Se o programa que lhe apetece para o final da tarde é ir até um bar de hotel, pedir um martini com duas pedras de gelo e deixar que o tempo o leve para longe, peça ao DJ para pôr Justin Timberlake a rolar no gira-discos. Não se oferece este conselho com base na fisionomia de miúdo vestido a rigor
para um baile de finalistas, nem pela imagem de um homem de negócios feroz (apesar de o ser), mas sim a julgar pelo o que andou a fermentar durante os últimos sete anos e que agora resulta em The 20/20 Experience. Noutras palavras, ele sabe exactamente o flow que está a sentir e o que é isso dese ter classe. E sem esforço.

Além disto, o regresso do músico do Tennessee aos discos de estúdio nãopodia ter acontecido antes ou mais tarde. Este é o momento. É certo que a longa espera por novos originais depois do arrojado FutureSex/LoveSounds podia alimentar a ansiedade pela apresentação de algo muito parecido à fórmula imediatamente anterior, mas Justin parece saber de cor que não é um pau mandado. Há muito que deixou o cabelo oxigenado que envergava nos N'sync e agora largou também o lado menos másculo de um «SexyBack» ou «My Love». A onda dele agora é outra: está mais maduro, mais experimental, mais densamente cinematográfico.

A Sétima Arte de Justin está precisamente no formato película das canções:a maioria tem mais de sete minutos. Timberlake quer contar uma história e para isso precisa de bandas sonoras, concisas, envolventes, que parecem também feitas de propósito para serem tocadas em grandiosos palcos. A longa duração das músicas é, aliás, um pop-up claro em jeito de efeito surpresa de The 20/20 Experience, com excepção apenas de «Mirrors», que tem menos de cinco minutos e é também a mesma que pode levar a pensar-se que o antigo Justin não está afinal totalmente morto, muito em parte por causa das "same old ideias" espalhadas pelas letras. O protagonista (ou a protagonista) é quase sempre uma miúda: tanto a trata por "Strawberry Bubblegum" (pastilha elástica de morango), como por "Pretty Lady". Ainda assim, sabe disfarçar isto com slow jaws («That Girl») ou com atmosferas densas («Tunnel Vision»).

Ainda em termos sonoros, embora repita a longevidade de «What Goes Around... / ... Comes Around (Interlude)», Timberlake optou pela receita de «LoveStones/I Think She Knows (Interlude)», ambos do mesmo álbum de 2006. E esta opção não foi tanto em termos sonoros, mas em termos de formato artístico. Ele retirou-nos o acesso a um botão de repetição, diluiu o fim de umas músicas em fusão com as próximas e o resultado é uma mixtape que destila um vintage dos anos 60 e 70, um neo soul, com elevados recursos a sintetizadores analógicos e a sons orquestrais (voltou a convidar a Benjamin Wright Orchestra para «Pusher Love Girl», a mesma de «Until the End of Time»).

Não dispensa os seus característicos falsetes (e muito raramente deixa a sua voz despida, a não ser, curiosamente, em «Dress On», que a par com «Body Count» - ambas da versão deluxe - parecem estar ligeiramente fora de contexto); está interessado em elementos étnico-orientais («Don't Hold the Wall»); a rouquidão de um Barry White, a infantilidade de um Michael Jackson e pedaços de bossa-nova cabem todos em «Strawberry Bubblegum»; usa um sample africano do Burkina Faso em «Let the Groove get In», fazendo dela a música mais electrizante do álbum, e deixa ainda a respiração profunda imperar em «Blue Ocean Floor», como se quisesse contar de forma explícita que tem tido os últimos EPs de Weeknd a rolar no carro.

Um outro senão está no som 'Timbalandizado' que presiste do álbum anterior. Os tons graves atribuídos ao produtor norte-americano são evidentes ao primeiro beat e Justin não faz qualquer questão de o esconder. A parceria resultou antes, porque não haveria de resultar agora? Mas este é também o único finca-pé do músico, já que parece agora concentrado em mergulhar noutras águas. De resto, estamos perante um Justin reinventado, um "selfmade man" que foi para casa reflectir, reorganizar-se, industrializar-se (montou a editora Tennman Records), fazer-se actor (foi Sean Parker, dono do Napster, no filme 'Rede Social'), enriquecer (comprou em sociedade o MySpace com a promessa de o revigorar) e casar-se (com a actriz Jessica Biel). E até nisto, Timberlake foi sensato demais. Deixou que o burburinho em torno do casamento de Novembro passado assentasse, para depois, em Março, mostrar o que andou a fazer em estúdio, no qual, segundo o próprio, esteve a criar sem regras e sem a pensar num fim concreto.

Justin Timberlake é um Martini guy sem os óculos escuros. Vê bem demais e não há sol que o encandeie. Antes de ser aprumado, é um rapaz arrumado. Não nega as origens pop, os caminhos do hip-hop que precisou de percorrer, mas isso são coisas de um passado tranquilo. Timberlake, ao lado de Timbaland e Jay-Z (que o ajudou no primeiro single «Suit & Tie») são como os Três Mosqueteiros: uma fortaleza que muito dificilmente sai enfraquecida depois de experimentações de underground, mesmo que sejam demasiado arrebetadoras para quem não esperava que o miúdo do Mickey Mouse Club crescesse tão bem.


Viajei com o Acaso Até Aqui #23

Já modificou a «Paranoid» do Kayne West, já utilizou a «Here Comes the Sun» dos Beatles para a banda sonora do filme Selvagens (2012) e com Adam Young (Owl City) gravou «Shine Your Way» para a película de animação The Croods (2013) da DreamWorks. Foi descoberta pela editora norte-americana Indie-Pop, com a qual acabaria por assinar um contrato depois daquela ter viajado até à Malásia, de propósito, para a convencer a entrar na música de forma maquinal.

Até ali Yunalis Zarai, uma cantora e compositora nascida em Quedá, um dos estados da Malásia, era uma miúda como as outras com queda (ou Quedá) para estas coisas. Começou a escrever as suas próprias letras com 14 anos e cinco anos depois já as exibia ao vivo, altura em que aprendeu também a tocar guitarra.

Uns anos depois, o MySpace foi o melhor amigo de Yuna. Ela explicava-se em inglês e em malaio e elegia Bob Dylan, Coldplay, Feist, Fiona Apple e Sia como os autores do seus discos de estante. No início do ano passado, «Live Your Life» alavancou o que Yuna andava a preparar desde Decorate (2011), o EP além fronteiras asiáticas - para trás já haviam ficado demos e outras pequenas amostras unicamente malasianas. O single integrado no primeiro álbum de estúdio teve a produção de Pharrel Williams, mas é na abertura de Yuna (2012) que o seu indie rock/pop se dilui para um lado melhor. «Lullabies» parece remeter-nos para o trip hop de «Teardrop» dos Massive Attack, vocalizada por Elizabeth Fraser (Cocteau Twins).


Além do colectivo de Bristol, Yuna conduz no mesmo sentido que uma Maria Mena ou uma Nina Persson, comparações mais explicítas, contudo, em Decorate, com «Someone Out of Town» e «Fears and Frustations».

Yuna foi aluna de Direito na Universiti Tecnologi MARA na Malásia; é detentora de um bacharelato em Estudos Legais; é co-proprietária de uma loja de roupa feminina no subúrbio de Subang Jaya no seu país; conseguiu ser finalista da competição "Best New Band in the World", na Times Square, em Nova Iorque, espectáculo emitido ao vivo pela MTVIggy.com e ainda transformou «Come As You Are» dos Nirvana numa outra coisa qualquer.


http://www.yunamusic.com/
http://www.myspace.com/yuna
 

Viajei com o Acaso Até Aqui #22

Apareceu na cena musical no ano passado, mas anda desde pequena a entreter-se com cordas de guitarras. Hoje (ou em 2012) está a entrar na casa dos 30 e já vem com uma imagem transformada de quem já foi pupila e agora é mestre. As razões prendem-se com as performances ao lado de James Chambers (ou Jimmy Cliff, que celebra hoje 65 anos), o escocês Paolo Nutini ou o novato (este, sim) Michael Kiwanuka.

De mãe liberariana e pai jamaicano, Josephine Oniyawa faz-se apresentar com uma voz seca, perturbada e quase perturbante, embebida em folk e com uma postura de quem não veio para não impressionar, pelo menos, não de forma pouco dilatada no tempo (não parece querer ser fugaz ou pouco penetrante como uma VV Brown ou Leela James).

Além de tudo isto, o exercício de associar uma voz a um corpo pode ser muito traiçoeiro. As primeiras impressões fazem-nos imaginar, por vezes, uma mulher voluptuosa com vestes tribais como em «Original Love» ou uma mulher franzinha ao estilo nórdico como em «When We Were Trespassers». Com alma de soul, fez ainda o seu caminho com outros dois EPs A Freak A e I Think It Was Love, ambos em 2010, para depois - dois anos mais tarde - dar-nos o retrato final. O álbum chama-se Portrait e uma das melhores fotografias é «House of Mirrors».



No disco, Josephine tem Leo Abrahams como compositor e produtor, nome que também consta nos trabalhos de Amy Winehouse, Corinne Bailey Rae, Grace Jones ou Nick Cave. «What a Day» foi o single da apresentação da cantora de Manchester. Faz lembrar o resultado de uma receita com os seguintes ingredientes a fermentar: Margo Timmins (Comboy Junkies) e Dani Klein (Vaya Con Dios).


Viajei com o Acaso Até Aqui #21

Por trás do cabeçilha, está um colectivo oriundo de Toronto. Ou então talvez seja ao contrário: primeiro há que contar a hitória do produtor Slakah, the Beatchild (o miúdo dos beats ou o beat acriançado); e depois alargar as vistas para o resto dos convidados. O canadiano não é um novato e, muito menos, é um estreante à procura de um protagonismo repentino à custa dos outros, ao juntá-los todos em The Slakadeliqs.

Slakah - também responsável pelos produtos do rapper D.O. (aka Defy the Odds); por «Sunglasses», de Divine Brown, escrito por Nelly Furtado e editado no álbum The Love Chronicles (2008); pelo dueto de Miles Jones, detentor da editora Mojo Records & Publishing, com Shad em «Say What» e ainda pela ascenção de Drake e outras trilhas como «Enjoy Ya Self» e «Between Us» - esteve durante quatro anos em ajustes, repensamentos e escrita voluntária. O resultado é o som fresco de The Other Side of Tomorrow (2012) que se fez, ainda assim e assim, muito por culpa alheia.



Além dos temas que se apresentam apenas através de um título, este é um álbum feito de partilhas e para ser ele mesmo ouvido em grupo. "Call me in the morning,call late at night/Call me when you need me it's alright/Tell me what you're thinking I'll understand" de «Call Me Your Friend» não podia exprimir melhor de que é feito o supergrupo canadiano, aqui tendo Sandie Black? como muleta. King Reign e Shad parecem ter Lil Wayne a servir de filtro ou, pelo contrário, de megafone, em «Beneath It All», e Tingsek (que entra em cena em três temas), valoriza «Perfect Night Summer», onde os instrumentos de sopro são reis, e «Love Judge» - também com Ebrahim a figurar no featuring naming - é um dos melhores exemplos a resumir o que Slakah fez aqui.


O 'solo' independente do canadiano é muito recente (tem pouco mais de um ano) e é filho único. Tem um soul light, um reggae refinado, a força de um som acústico vindo de guitarras treinadas para isso mesmo, o protagonismo de uma percussão e ainda arranjos a fazer parecer que foi, na íntegra, gravado ao vivo de tão orquestrais que são. O rapper Drake não escondeu a satisfação com o feito do amigo no seu Twitter: "Um dos meus produtores favoritos com os quais já trabalhei acabou de lançar o seu álbum".

Se pensarmos que o tweet apareceu depois de já gozar de uma popularidade empolada por Thank Me Later (2010) e Take Care (2011) e duas mãos cheias de parcerias com Young Jeezy, T.I, André 3000, Rick Ross ou The Weeknd, o caminho para Slakah sempre esteve mais do que desbravado.



Viajei com o Acaso Até Aqui #20

Vamos contar a história de cada um. Miguel Peixoto é o baterista e é o Mike Peixoto. Os seus pés já estiveram ao lado de outros em palco: Júlio Pereira, Lumem, Outwithanew e The Moss são alguns deles. É uma pessoa do rock, mas acabou no jazz. É formado em Educação Musical, mas já passou pela Escola de Jazz da sua cidade. Nasceu em 1979 e na sua lista de músicas também estão coisas indefinidas como músicas do mundo ou, outras também descoordenadas, como o funk.

Mais novo (tem 27 anos), está o André Sebastião nas teclas. É o André Sebastian que é um verdadeiro entendido da coisa. Já estudou piano, história da música e tem formação musical. É um diamante em bruto. E também é da cidade Invicta.

Rui Gomes ocupa-se do baixo e do contra-baixo. De intenções mais pompousas, apresenta-se como Rui Materazzi. Anda nisto há mais 25 anos e o primeiro instrumento nas suas mãos foi uma guitarra clássica. Veio ao mundo no dia da Revolução dos Cravos, mas em 1982.

Já Santo Tirso viu nasceu Daniel Alves. Foi um puto esperto. Começou a aprender sozinho como tocar guitarra. Seguiu-se a escrita do que queria dizer. Fez parte do projecto Above the Blue Carpet e agora emprestou o seu nome a este quarteto: Dan Riverman.



As semelhanças com Eddie Vedder começam na voz e terminam no cabelo e, outra vez, na voz. De corte aparado - e longe do ondulado desalinhado do líder dos Pearl Jam - Dan Riverman tem, ainda assim, algo em comum com o músico norte-americano. A idade menos avançada (30 anos contra os 48 de Eddie), e o exagerado-esforço-artíficio nas cordas vocais, que lhe fica bem.  De propósito e para evitar comparações, apresenta-se com um rosto a condizer e de barba certinha. De rouquidão com mais personalidade do que ele próprio, Dan obriga-nos a fazer viagens com ele e com as suas músicas. «Sea and the Breeze», «To Live a Dream» e «Lady Luck» são alguns pontos de partida.

Nos entretantos, volta a cruzar-se com Eddie nas letras, quando aquelas músicas espelham amores que precisam de ser corrompidos ou de perdões que nunca chegam a sê-lo. A página oficial de Facebook do grupo adianta que Cousteau, Davey Ray Moor, John Martyn, Morphine são os principais influenciadores da criatividade dos quatro. Ouvir falar pouco deles e do que andam a fazer é o lado negativo disto.


Viajei com o Acaso Até Aqui #19

Andrea Fuentealba Valbak é filha de pai chileno e mãe dinamarquesa. Mas os sons que se ouvem por causa dela têm muito pouco de veia latina ou de outra coisa europeia quando comparada com os suecos ABBA ou os britânicos Muse. Andrea prefere ser conhecida apenas como Medina - nome também ajustado a partir do seu seu alter-ego artístico: Medina Daniela Oona Valbak.

Nasceu em 1982 e, por isso, não conseguiu fugir às danceterias que encheram a sua adolescência. Reproduziu as influências em três álbuns cantados em dinamarquês e outros dois em inglês. Estreou-se em 2007 com Toet pa, mas os discos de platina (atingiu este recorde de vendas três vezes) seriam registados no ano seguinte com o «Kun for mig» e com o segundo disco Velkommen til Medina.  O single foi líder dos tops durante cerca de seis semanas e as músicas seguintes seguiram-lhe os passos.

A internacionalização de Medina aconteceu em 2009 quando decidiu traduzir aquele single para a versão inglesa. Rebaptizou-o e este ganha o novo nome «You and I». É editado com sete novas canções na Alemanha, Aústria e Suíça. Nos tops germânicos conseguiu a nona posição. Voltou às origens com For altid e no ano passado editou um novo trabalho entitulado Forever. Do pingue-pongue de Medina, há coisas escondidas. Entre elas sobressaem  «Jeg Troede», «Perfektion» e «Vinden Vender».



Foi considerada a melhor artista dinamarquesa pela MTV em 2009 e 2011. No entretanto, conquistou seis distinções pelos Danish Music Awards: foi eleita a artista revelação e a compositora e a artista feminina do ano. Apesar de um pop demasiado empolado, Medina tem sabido reescrever-se através de um dupbstep misturado com pontas de chillout. A atrapalhar-lhe o caminho está o nome artístico que escolheu: significa uma das mais sagradas cidades islâmicas. À partida é um facto pouco condizente - dizem os islâmitas - com os movimentos dançantes (ou insinuantes) de Andrea, por vezes, em roupas de tamanhos reduzidos.


A música, o mundo e o efeito boomerang #1

Era um desafio. Sempre foi. Desde o início. Quando a professora explicou que este seria o trabalho de casa, desde logo surgiram nós a formarem-se dentro da cabeça. A música está cheia de coisas semelhantes, de samples, de remisturas, de redefinições, de géneros metamorfoseados. Mas encontrar sons que possam coexistir, passá-los para sensações e que possam ser, depois, explicados em palavras já é outra história. O primeiro pensamento foi parar aos Thievery Corporation. São complexos, étnicos, imensos. Seria fácil chegar a alguém ou alguma coisa aos quais eles pudessem ser associados. No meio de dezenas de links e de um ouvido mais apurado do que o normal, a última paragem foi Nitin Sawney. Diga-se último, porque, afinal, antes dos Thievery, a voz de José Afonso teimava em não sair deste exercício áudio-com-história.

Na aula, quando a professora pediu uma razão para a união improvável, a explicação saiu assim: "Eles viajam muito. Usam diferentes influências, mas regressam sempre ao ponto de partida: à simplicidade". E esta é também a razão da nova rubrica do Off The Record: descobrir de onde eles (músicos) partem e como elas (músicas) chegam; os anos ou a distância que os separam (ou não); as diferenças e as semelhanças que os compõem. No fundo, fragmentar o porquê da lista de músicas que cada um de nós escolhe para ouvir é ela mesmo um boomerang.


Nitin Sawney & José Afonso  
A velocidade separa-os. A pureza dos instrumentos une-os. Professam uma música tradicional ou quase um folclore subtil dos dois mundos de origem. O britânico, com ascendência indiana, nasceu 35 anos depois do português das Beiras. Cruzaram-se durante mais de vinte décadas, mas o primeiro trabalho de Nitin Sawnhey chegou tarde demais para que José Afonso o pudesse ouvir (desapareceu em 1987).  

Spirit Dance de 1994 iniciava um percurso de um disc-jockey movediço entre o jazz, drum and bass, trip-hop e uma aura orquestral com vozes emprestadas asiáticas ou latinas. O melhor exemplo está em «Homelands», onde Nitin simplifica aquilo que é: complexo. A voz do português do Brasil que se ouve no final da música aproxima-o de José, mas só por um pedaço. O resto, que ficou para trás, faz lembrar as impaciências constantes do músico de intervenção de Portugal de «Canção de Embalar», «Os Índios da Meia Praia» ou «Milho Verde».


As coisas do amor de «Que o Amor Não Me Engana» de José podiam ter como fundo a «Breathing Lights» ou «Immigrant» de Nitin. A sensação de quietude de ambas, reforçada pelo piano da primeira, ainda que num ritmo remixado, transporta o ouvinte para um cenário de cura dos males daquelas coisas. As guitarradas de «Maria Faia» ou «Vejam Bem» fazem lembrar as influências que o sitar e as aulas de flamenco imprimiram num Nitin de «Prophesy».  


Se ambos buscam no classicismo a sua índole, José é mais solitário, não precisa de tanta gente ou de tantos sons do mundo. Já Nitin extravasa de um lugar de conforto, imprimindo uma globalidade àquilo que cria. É como se fosse um Zeca 2.0.

Mas Nitin é mais discreto, quase nunca expõe a voz. José é mais frontal, monopoliza a voz (invariavelmente trémula) para mostrar a firmeza no que quer dizer, sem que isso descure a montagem instrumental que o sustenta. Os acordes das guitarras, os instrumentos de sopro ou as percussões ajudam a fixar a imagem de que é uma voz além da música. Numa palavra: são quase invisíveis no meio das músicas imponentes. 

Nitin Sawney
Breathing Light
Immigrant
Prophesy

José Afonso 
Que o Amor Não Me Engana
Canção de Embalar
Os Índios da Meia Praia
Milho Verde
Vejam Bem

Viajei com o Acaso Até Aqui #17

O som agridoce está de regresso. After All será o título do quatro álbum The Sweet Vandals, com chegada prevista para o segundo trimestre deste ano. Sob a chancela da sua própria editora, Sweet Records - criada em 2012 - o grupo madrileno, por agora, ainda pouco desvenda sobre o lançamento mundial do novo trabalho, nos seus canais oficiais. Mas o site oficial sumariza o que aí vem: "After All é o melhor trabalho do grupo até agora e uma obra-prima do soul e funk modernos. A obsessão dos Sweet Vandals em encontrar o melhor som para cada música é uma marca do seu trabalho e esta atinge o seu auge com este disco".

Para trás, fica o êxito publicitário «I Got You, Man!», cedido à marca Fiat, e da edição posterior do disco de lançamento em 2007. As boas críticas dirigidas a «Do It Right», «Papa's Got A Brand New Bag» ou «Beautiful» valeram-lhes digressões pela Europa, incluindo Portugal, Alemanha, França, Itália, Aústria, Turquia, mas também outras actuações por terras mexicanas.




Depois da partilha de palcos com Neneh Cherry, Sean Kuti, Keziah Jones ou Sharon Jones and The Dap Kings, os 'Vândalos Doces' começaram a preparar novos sons para o segundo trabalho, que viria a ser editado em 2009. A Lovelite  seguiu-se So Clear (2011), mais cheio de protagonismo de guitarras eléctricas e de pedaços de jazz e blues: ou seja, coisas de poucas palavras.  Este trabalho acabaria por fechar a colaboração com a Unique Records.

O funk, misturado com um sotaque sul-europeu difícil de esconder do quarteto, ganhou novo fôlego com a voz de Mayra Edjole, descoberta em 2005 - no mesmo ano de formação da banda - depois de Jose 'Yusepe' Herranz (guitarra), Santi 'Sweetfingers' Martin (baixo) e Javi 'Skunk' terem percebido que precissavam de um toque feminino para que a fórmula energica funcionasse. Se em 2005 foi assim, em 2013 quer-se ouvir o que eles têm ainda para contar sobre os 60's e 70's.

http://www.thesweetvandals.com/
http://www.myspace.com/thesweetvandals
http://www.last.fm/music/The+Sweet+Vandals

Viajei com o Acaso Até Aqui #16

Mesmo depois de ouvir «Breathe» com muita atenção, difícil é perceber que a voz de Angela McCluskey está metida no meio da música electrónica do duo francês Télépopmusik. A música, retirada do primeiro álbum do grupo de 2003, Genetic World, foi escolhida para configurar num anúncio de televisão da marca japonesa Mitsubishi e foi nomeada para um Grammy como Melhor Música de Dança no ano seguinte. 


No mesmo disco, Angela foi ainda vocalista-convidada em «Smile» e em «Love Can Damage Your Health». A colaboração continuou em 2005, com a edição de Angel Milk, no qual «Don’t Look Back» ou «Brighton Beach» são também cantados por Angela sob um jazz disfarçado e um trip-hop muito suave. 

No entretanto, a vida da artista  de Los Angeles, California, nascida em Glasgow, na Escócia,  ganha fôlego a solo. The Things We Do (2004) é a obra de apresentação de Angela, cinco anos antes de You Could Start a Fight in an Empty House (2009). Do primeiro, «It's Been Gone» teve as honras de abertura, tendo sido fortemente aclamado pelo comediante britânico Russel Brand. No segundo, «Handle With Grace» marcou o regresso da sua parceria com Télépopmusik. Entre outros EP's pelo meio, o ano de 2012 serviu para Angela gravar um outro extended-play: o Lambeth Palace.

É o resultado da estadia de Angela e os amigos em Los Angeles, onde arrendaram uma casa na vila de Los Feliz. Os melhores postais do último trabalho da escocesa são «Perfect», «Slow Down» e «Take Me Out Tonight». No último, regista-se a colaboração de Morgan Page, disc-jockey norte-americano conhecido pelo seu house progressivo. Juntos, já tinham criado «Tell me Why» (2010) e «In The Air» (2012).





O ano passado Angela também trabalhou com Delerium em «Stargazing» e o rapper Kendrick Lamar utilizou um sample de «Don«t Look Back » e recriou a sua música «Is It Love» em 2009. O percurso da artista de 46 anos teve os seus inícios nos anos 90 com a banda de folk rock Wild Colonials, com a qual lançou Fruit of Life (1994) e This Can't Be Life (1996). Já partilhou confidências musicais com Deep Forest, Triptych ou Cyndi Lauper. O novo disco dos seus amigos de Télépopmusik vai ser conhecido dentro de meses e Angela podia ser uma Amy Winehouse. Mas numa versão muito mais telúrica ou numa outra, feita de sonhos atingíveis.  

http://www.angelamccluskey.com/
http://www.myspace.com/angelamccluskeymusic
http://www.last.fm/music/Angela+McCluskey
http://telepopmusik.com/



Viajei com o Acaso Até Aqui #15

«Feeling Free» foi considerada a Música do Ano pelos Gilles Peterson's World Wide Awards em 2006. «Keep Reaching Up» - nome do primeiro álbum do ano anterior - foi escolhida por Barack Obama, presidente reeleito do EUA, para figurar na lista de músicas da sua campanha eleitoral em Fevereiro de 2012.


Tortured Soul é o nome do novo disco de Nicole Wills and The Soul Investigators. Chega no início  deste ano e surge depois daquele turbilhão político, de um bacharelato em artes e pintura frequentado pela vocalista e de oito anos de ausência. Nos últimos quatro, os seis músicos estiveram a criar material para esta 'alma torturada' (que de dolorosa tem muito pouco). «Tell Me When (We Can Star Our Love Thing Once Again)», «Moon Walking & Star Gazing» e «Shake A Tail Feather» são alguns dos títulos de avanço do trabalho.

 

Pela chancela da editora Timmion Records, o som do LP tem Pete Toikkanen na guitarra, Sami Kantelinen no baixo, Jukka Sarapää na percussão, o órgão é de Antti Määttänen e ainda Didier Selin numa colaboração pontual de guitarra nos braços. É um regresso à composição do grupo em 1998.

Nicole Wills é norte-americana de Nova Iorque, mas nasceu em 1963 em Helsinquia, na Finlândia. É cantora, compositora e pintora. Com os 'Investigadores do Soul ou da Alma' lançou aquele primeiro disco em 2005 e com ele recebeu a aclamação da crítica. Vendeu 30 mil cópias e esteve disponível no Cánada, EUA, Espanha, Dinamarca, França, Itália e Reino Unido.

A solo, o currículo de Nicole começou em 2002 com Soul Makeover e continuou em 2004 com Be It. Nos dois trabalhos colaborou com Dharma One, Ercola, Nuspirit Helsink, Jimi Tenor e Maurice Fulton. Mas o caminho de Nicole já teve outros cruzamentos. Com os Hello Strangers and Blue Period fez performances ao vivo em Nova Iorque, ao mesmo tempo que trabalhava à noite nos bares Berlin e Danceteria daquela cidade. Foi corista em 1989 na tournée dos The The e, cerca de um par de anos mais tarde, tornou-se vocalista da banda Repercussions. Earth and Heaven foi o disco de estreia, do qual o single «Promise Me Nothing» se tornou um hit radiofónico no Japão. Em parceria com Curtis Mayfield, em 1994, a banda gravou ainda uma versão de «Let's Do It Again» (1975) do próprio músico de Chicago e mestre do soul e do funk.

http://www.nicolewillis.com/
http://www.myspace.com/nicolewillisandthesoulinvestigators
http://www.last.fm/music/Nicole+Willis+&+The+Soul+Investigators

Viajei com o Acaso Até Aqui #14

A Burberry Acoustic é um lugar encantado. É feito de montras aos quadradinhos e nasceu por iniciativa daquelas marca de roupa britânica. Esta convida artistas ao acaso para fazerem videos com sons e versões improváveis, em cenários ainda mais inesperados. As surpresas surgem a cada clique e ao fim de três ou quatro minutos (sempre que um video acaba e começa um outro). 

Um dia destes, o Christopher Wall estava lá. Ou melhor o Chris Wall. «Posterity» era a  música que o apresentava (e não o contrário). Feito que estava o clique, a voz dele entoou assim:


Nas pontas dos dedos tinha um piano. E em redor, uma praia. A voz parecia saída da água do mar de tão natural que é, podendo até levar a uma desconfiança quanto ao ajustamento do timbre ao corpo de Chris. 

Depois, imperava fazer o seguinte: perceber quem era o Chris. Ora, faz parte do duo Soft Bullets (balas suaves, para se ser mais preciso). Ele, do Reino Unido; Dan Capaldi, dos EUA. Juntos criaram uma espécie de ligação hiperreal, tal como o título do EP Hyperreality, lançado em Novembro do ano passado pela Township Music. 

O som que produzem está um pouco longe do Chris-versão-bucólico-melancólico, mas continua escuro e silencioso. Viajam dentro de um trip-hop e uma electrónica. São felizes com a cacafonia de um piano, de guitarras, das percussões e de samples, que resulta em «Another Chance» e «Broken Circuits». O site Echoes and Dust escreve que eles devem ter decidido fazer isto depois de terem visto concertos de Justice ou de Daft Punk. Aquele sítio acrescenta ainda que o Thom Yorke devia soar a isto quando era mais novo.  

Com uma orquestração tímida, mas poderosa, Soft Bullets ficam bem naquela realidade 'hype', como numa outra. São autores de um blogue com o mesmo nome do duo. Vai ser ainda mais fácil ouvir falar deles por aqui.

Viajei com o Acaso Até Aqui #11

«Porcupine» é uma música torturante sobre ficar-se apaixonada. Escrevi-a quando iniciei uma nova relação e de repente comecei a ter problemas de confiança a matutarem-me a cabeça. A letra da música é sobre querer que alguém entre na minha  vida, mas que, ao mesmo tempo, mantenha uma certa distância, por causa do meu coração espinhoso”, explica Ruby Frost  sobre um dos sons de 2011. 


De facto, se se traduzir à letra ‘Porcupine’ ou o seu apelido, cedo se percebe que a miúda de 25 anos de Wellington, Nova Zelândia, não é muito dada a afectos ou a coisas subtis. Ela é a Ruby ‘Geada’ e a música chama-se ‘Porco-espinho’. Jane de Jong é o nome verdadeiro da cantora e compositora que em 2009 venceu o concurso nacional ‘MTV 42Unheard’, através do qual conseguiu um contrato com a Universal Music do seu país. 

«Moonlight» foi o single de estreia, lançado na rádio bFM. Permaneceu nos tops radiofónicos durante dez semanas consecutivas no final de 2010, ano no qual viu também a sua canção «O That I Had» (do seu primeiro EP How Long) ganhar uma versão dupstep através do duo neozelandês Mt Eden. Depois, venceu o Grande Prémio Pop no concurso John Lennon Songwriting Contest com «Hazy», e com a mesma música arrecandou o terceiro lugar no Top 40 na versão internacional daquele evento.


O primeiro álbum chegou em 2012, tendo sido disponilizado no iTunes em todo o mundo. «Water To Ice» e «Young» foram as montras de apresentação de Volition, que  atingiu  a 24ª posição dos tops oficiais da Nova Zelândia. Vinha acompanhado por pequenas histórias escritas por Ruby. Diz que queria transformar o disco num musical ou numa peça que contasse a viagem pela qual ela passou enquanto escrevia o disco. 

As transformações são evidentes, nem que sejam apenas pela cor de cabelo: castanho, loiro, arosado. O pop e o electro de Ruby estão agora oficialmente espalhadas na Austrália com o lançamento do trabalho naquele país. Faz lembrar uma Roisin Murphy mais maneirinha e tem uma Elly Jackson ou uma Clare Maguire nas cordas vocais. Está a preparar-se para ser uma das juradas do programa televisivo de talentos, X-Factor, na Nova Zelândia, ao lado de Stan Walker, Daniel Bedingfiled e Melanie Blatt (ex-All Saints).

http://rubyfrost.com/
http://www.last.fm/music/Ruby+Frost 

Viajei com o Acaso Até Aqui #9

Chama-se Claire Boucher e é canadiana. Cresceu em Vancouver e estudou ballet durante 11 anos. Sete anos depois, mudou-se para Montréal. Foi aqui que começou a gravar alguma música experimental e electrónica, enquanto se formava, na Universidade McGill, em Literatura Russa e neurociência. No entretanto, aumentaram as suas actuações ao vivo e preocupações com a música, deixando lentamente os estudos para segundo plano, acabando por ser expulsa da instituição.

Em 2010, lançou o primeiro álbum Geidi Primes, em formato de cassete, seguido de Halfaxa, no mesmo ano, pela mesma chancela da Arbutus Records. Abriu os concertos da sueca Lykke Li durante a sua tournée pela América do Norte no ano seguinte. O trabalho de estreia tinha agora já formato de compact disc e de vinil pela No Pain in Pop Records e o terceiro disco, Visions (LP), acabaria por ser lançado no início de 2012. A Pitchfork Media considerou-o uma das melhores revelações do ano na categoria de ‘Nova Música’ e ela explica que o escreveu depois de nove dias em isolamento.  

Tem um som difícil de definir. Diz-se que soa a um filho alien entre Aphex Twin e ABBA ou a algo muito semelhante a Björk ou Enya. Ela ouve música medieval e industrial, mas também Cocteau Twins, Dandi Wind, Drake ou The Weeknd. A voz límpida de Grimes ouve-se no meio de sintetizadores e instrumentos de teclas. Os melhores exemplos estão em «Skin» ou em «Vanessa». Foi considerada pela imprensa mundial como uma das melhores de 2012.







Viajei com o Acaso Até Aqui #7

Entrou na terra do Tio Sam pela televisão. A história de Meredith Grey e Derek Shepard precisava de uma banda sonora e ela ajudou a criar o enredo dramático da história de amor. A criadora da série norte-americana Grey's Anatomy, Shonda Rhimes, percebeu que a voz de Melissa Morrison tinha a mágoa certa para isto e esta agradeceu. Enquanto «Where I Stood» intensificava o vaivém dos dois médicos cirurgiões, Missy Higgins, tal como eles, ganhava em protagonismo.

Até aquele ano de 2008 era uma artista da Austrália, depois ficou a ser também dos Estados Unidos. Estava no seu segundo álbum (On a Clear Night, 2007) e o sucesso além fronteiras espalhava uma Missy quase aka Sarah McLachlan. As parecenças com a cantora e compositora canadiana são tão evidentes, que vai ser preciso distingui-las. A Missy está com 29 anos e três discos editados. The Sound of White trouxe os maiores êxitos para as listas de prémios. «Scar» foi considerado o single do ano pelos ARIA Music Awards e «The Special Two» tornou-se um hit viral das rádios. No mesmo ano e pela mesma chancela de prémios foi distinguida como Artista do Ano, Melhor Artista Feminina, Artista Revelação e ainda Melhor Disco Pop, cujo prémio foi conquistado em detrimento de nomes como Kylie Minogue ou Peter Murray.





No ano seguinte, seguiram-se colaborações com Nick Cave, outras sete nomeações para os prémios ARIA Music Awards, dos quais arrecandou, com o The Sound of White, o título de álbum com as vendas mais altas, e ainda a actuação no concerto Live Earth, em Sydney, na Austrália. Cresceu nos anos 80 e 90 a ouvir Mariah Carey, Whitney Houston e Queen ou Kiss. Do outro lado cassete de Missy estavam quase sempre coisas de Ray Charles, Rufus Wainwright, Nina Simone ou Nirvana. Agora, os formatos mp3 passam por Sigur Rós, Jon Hopkins ou Goyte, sons que puderam estar espalhados em The Ol'Razzle Dazzle,  o registo de Missy Higgins para 2012.

É vegetariana e envolve-se em questões ambientais. Tem hoje recordes de vendas e de sucesso equiparados a Delta Goodrem ou Olivia Newton-John. E «Where I Stood» provocou ainda rebuliço na versão norte-americana do programa televisivo ‘So Do You Think We Can Dance?’, no mesmo ano do amor de Grey e Shepard.




Viajei com o Acaso Até Aqui #6

Toca o instrumento de origem madeirense, ukulele, desde os dois anos de idade. Quatro anos depois, pegou na guitarra clássica e aos 12 já acompanhava o pai em espectáculos de blues por Blackpool, a sua cidade natal no Reino Unido. Em Londres, enquanto tocava jazz e música country em bares, também a aprendeu a tocar melhor o seu instrumento favorito no The Guitar Institute, na Universidade de Oxford.

Mas foi em Leeds que Jon Gomm começou a actuar como artista solo e foi também aqui que ele se tornou único. Sozinho e só com a guitarra acústica nas mãos consegue fazer sons de baixo e de percussão, refina-lhes os tons graves e ainda consegue criar efeitos de harmónica e ainda faz-nos acreditar que tem um sintetizador escondido algures. É um discípulo do músico norte-americano Michael Hedges e de Andy McKee e Erick Mongrain.

Não gosta de grandes promoções, nem de festivais megalómanos. Gere aquilo que faz com muito cuidado e aparece de forma pontual, tal como aconteceu quando veio a Portugal em Abril passado. Foi convidado do apresentador de televisão Herman José para fazer, ao vivo no programa ‘Herman 2012’, algo muito parecido com isto:


Já tem dois discos editados: Hypertension (2003), onde constam versões de «Wanting in Vain» de Bob Marley e «High and Dry» dos Radiohead, e Don’t Panic de 2009. Mas «Passionflower» faz parte do lançamento individual de três singles do ano passado. O vídeo deste atingiu duas milhões de visualizações no Youtube por causa de um tweet do comediante inglês Stephen Fry sobre ele. Depois disto, as publicações britânicas The Daily Mail e The Telegraph também escreveram sobre ele. E é também por isso que se descobrem coisas como esta, onde o funk de Chaka Khan continua inconfundível, mesmo quando revestido com a acústica de Jon. 



Viajei com o Acaso Até Aqui #5

Os três álbuns que editou desde 2004 têm o selo da sua própria editora, Blisslife Records. O facto de quase não sofrer as pressões para fazer um novo trabalho tem tido efeito no lançamento de um quarto disco, muitas vezes adiado. Ainda assim, as novas músicas de Amel Larrieux já têm um nome: Ice Cream Every Day (Gelado Todo o Dia). O título sugestivo dá azo a imaginar o que a norte-americana vai pôr a tocar por aí, ainda para mais quando o seu passado começou quando se tornou na primeira vocalista do duo Groove Theory, em parceria com Bryce Wilson.

O hip-hop e um gospel trespassam-lhe as actuações ao vivo e ainda consegue imprimir-lhe jeitos de índia (nem que seja pela mania das tranças longas) ou outros de uma África do Oeste. Com uma voz de algodão e um swing de quem se mexe entre um jazz, soul e r&b de outros tempos, Amel faz parte do grupo dos 'underrated'.

Nasceu em 1973 em Manhattan, Nova Iorque. Da mãe, crítica de dança afro-americana, herdou o cabelo encaracolado. Do pai, conquistou o lado europeu vindo de genes franceses, escoceses e ingleses. Foi colega de carteira de Questlove (The Roots), do guitarrista Kurt Rosenwinkel e de membros de Boys II Men, enquanto estudava na High School for the Creative and Performating Arts, na Filadélfia.



A carreira a solo chegou em 2000 com Infinite Possibilities e o single «Sweet Misery», ainda sob a chancela da Epic Records, quatro anos depois de ter sido convidada para fazer parte do álbum de lançamento da banda de Sade, Sweetback, com «You Will Rise». O terceiro trabalho Morning (2006) foi o mais bem sucedido da sua carreira, tendo atingido a 29ª posição na categoria Hot Adult R&B da Billboard. Dele saiu o single «Weary».

Um ano depois editou o álbum inteiramente de jazz, Lovely Standards, e visto este ser reconhecido como um dos cinco discos de topo daquele género musical. E, ainda em 2007, foi uma das artistas convidadas para a compilação-tributo a 2Pac, Best of 2Pac 1:Thug, na qual se ouve em «Resisit the Temptation»

'Esperança' é a tradução do seu nome arábe Amel. E é isso também que é preciso para que os gelados que anda a preparar possam ser servidos todos os dias e em breve. «Orange Glow» e «Don't Let Me Down» são os primeiros sabores. É como se fosse uma Janet Jackson de «That's The Way The Love Goes».