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Fora do Casulo

Apresentação do novo álbum de Márcia no Cinema S.Jorge

“Muito boa noite” - com uma doce timidez. É assim que Márcia Santos sobe ao palco do Cinema S.Jorge.  Não esconde que não gosta da exposição nos concertos e de ter todos os olhos em si. Talvez por isso sobe ao palco tão acompanhada.
Casulo é o seu segundo álbum de originais. Dois anos depois de , a cantautora deixou as canções escritas no intimo do seu quarto e escreve agora sobre coisas tão diversas quanto a maternidade e a política, muito ao seu jeito, com a subtileza de quem se esconde por trás de uma suave voz que ecoa sobre uma sala cheia.

«Decanto», «Sussuro» e «Delicado» são as primeiras músicas da noite. Tendo apenas chegado às lojas no dia anterior, conseguem embalar uma audiência que se deixa levar, ainda que não consiga acompanhar cantando.
Para a primeira viagem a 2011, com o tema «Misturas», Márcia chama ao palco a primeira convidada da noite, “a querida Celina da Piedade”, que ao acordeão toca “uma canção do disco anterior, não obstante ao facto de ser o lançamento” do sucessor. Ainda na companhia da acordeonista, «Deixa-me ir», o primeiro single de Casulo, é cantado já com a ajuda de alguns membros do público, mais não seja por ser um tema actual, político até, não daqueles que se cantam frente à Assembleia, mas sim daqueles que inspiram a compreensão. Márcia faz referência também ao vídeo, realizado por Miguel Gonçalves Mendes.

“Espero que estejam a gostar, porque está quase a chegar ao fim. Os concertos são como a feijoada, pensem nisto”, diz entre risos. “Eu pelo menos demoro duas horas a cozinhar, mas depois como muito rápido”. Ainda em Casulo encontramos «Camadas» e «Menina». Para esta última, Márcia trouxe uma flor vermelha que colocou no cabelo e trouxe também o segundo convidado da noite, Samuel Úria, que a acompanha nesta faixa no disco. Samuel entra pelo lado direito do palco, a meio da música, e puxa por Márcia, que até então se tinha mantido reservada e quieta. Depois de apresentar todos os músicos, e ainda com Samuel Úria em palco, passa para o tema «Mais humano sentimento são», que surge com um novo arranjo com toques de bossa-nova e que tem história por trás. “Tocámos esta no Maxime, numa brincadeira, e temos vindo a tocá-la, desde 2009, sempre que nos cruzamos em concertos”, revela Márcia.

 «Pudera Eu», «A pele que há em mim», desta vez sem JP Simões, e «Vem» levam-nos de volta a . «Hora Incerta», «Brilha», «Paz da Noite», que podia ser uma canção de embalar e que marca o regresso de Celina da Piedade, e «Desmazelo» encerram o alinhamento no novo disco e revelam uma Márcia mais comunicativa e que se movimenta mais em palco.
«Pra quem quer» e «Cabra Cega», também do primeiro disco, foram os momentos altos do concerto. A primeira contou com um coro de vozes do público orquestrado pelo baterista João Correia e a segunda contou com a presença de todos os músicos convidados em palco, uma despedida “para disparatar".

No bilhete lê-se “Márcia”, mas deveria ler-se “Márcia e Amigos”. Mais de sete passaram pelo palco, uns ajudaram no disco, outros tantos estão espalhados pela plateia. E Márcia não poupa agradecimentos e salienta o espírito de camaradagem, ainda que não goste da palavra. Uma celebração de amigos, que não só puxa Márcia para fora do seu Casulo como permite desvendar um pouco mais sobre a pele que há em si.

Márcia, a borboleta que há-de vir

O palco estava organizado em meia-luz. Era um bom prenúncio: a noite seria francamente de embalar. Depois de sala composta, aquela mesma meia-luz começava a descobrir-se com a entrada de dez músicos no palanque de madeira, que ordeiramente foram pegando nos intrumentos que lhes competia.

Saiu um "muito boa noite" do microfone. O som, difuso e sem se perceber muito bem de onde vinha iria justificar mais tarde a posição de Márcia: num lugar pouco central, rodeada pelos músicos e sem qualquer pretensão de a mudar. «Decanto» abriu o concerto no Cinema S. Jorge e foi também de um canto que Márcia começou a mostrar-se. A sonoridade abafada semelhante aos britânicos Daughter combinava com uma líder de palco que não o queria ser. Todos estavam vestidos de preto, transpunham uma seriedade livre que viria a engrossar em crescendo o cenário folk.

Entretanto Serginho ou o Sérgio Nascimento, que Márcia viria a apelidar mais tarde de "um dos amigos que dá cor às bandas da actualidade" assumia os tambores em palco enquanto os três homens de sopro se resguardaram no lado esquerdo da sala. Nisto «Sussurro» foi tocado assim mesmo: quase todo ele como se fosse um segredo (um volume baixo que imperou em quase todo o alinhamento) e com Márcia a parecer uma Joan as Policewoman, mas com menos dramas.

De estilo revisteiro, dona de si e do pedaço, Márcia colocou as mãos nas ancas. Sem coro e quase sem intrumentos, versou «Delicado» com uma voz embargada mas também acriançada, a fazer lembrar a jazzística Luísa Sobral, a amiga que estava também na plateia naquela noite de 14 de Maio.

Seguiu-se  a concertina de Celina da Piedade que trouxe cor à cena monocromática (mais por causa do vestido volumoso e colorido que envergava do que propriamente pela presença); Márcia designou-a como "uma das estrelas da noite" e «Misturas» ouviu-se em dueto. Foi uma música yo-yo, de altos e baixos, de um tradicionalismo algo forçado, utilizado (talvez) para disfarçar uma timidez natural de Márcia, que continuou em «Deixa-me Ir».

"Espero que estejam a gostar porque isto está quase no fim", mentiu à plateia. Preparava-se para «Camadas»; colocava depois  um pequeno gancho no cabelo, que dizia ter sido pensado propositadamente para aquele momento. No meio de uma sonoridade de old west e de uma fotocópia de Margarida Pinto (Coldfinger) ou de Nerina Pallot, Márcia chamava ao palco o gigante (em todos os sentidos) Samuel Úria. Juntos recriam «Menina» e «Mais Humano Sentimento São», com Úria a dançar desengonçado, como se fosse um fantoche com vontade própria. Iluminou a sobriedade de Márcia e acordou a plateia.

E isto foi o mote para Márcia conversar mais com quem estava a vê-la naquela noite, a partir das cadeiras da frente. «Pra Quem Quer», do primeiro trabalho discográfico , foi o bastante para pôr o público a fazer de coro, com João Correia (o baterista) como maestro improvisado. Mais inquieta ou mais efusiva, Márcia percebeu que os seus ouvintes estavam agora mais conectados. «Pudera Eu» trouxe-a mais para a frente do palco e a «Hora Incerta» instaurou a desorganização. Márcia confessou que aquela música era uma espécie de desabafo, "um bocado nocturna". A cacofonia confusa, o sentido menos conciliador de um rock, aliados ao sopro de saxofone viriam, no entanto, a ser sol de pouca dura. «Brilha» remeteu tudo de volta para a doçura e para uma acústica que é, sem margem de erro, o melhor conforto de Márcia.

Começavam as despedidas com «Paz da Noite» e com «Desmazelo» (com Celina da Piedade de novo no palco), altura em que Márcia aproveitou para os agradecimentos da noite: entre editora, compositores, colegas de profissão, a artista orquestrou ainda um obrigada especial ao marido, Filipe Cunha Monteiro, produtor do disco e também dono das teclas em palco. Sairam todos do palco com o público, em frente, de pé.

O encore começou quando Márcia foi avistada ao canto da sala de braços abertos, pronta para subir de novo os pequenos degraus que permitiu que regressasse aos holofotes. «A Pele Que Há em Mim» - música viral no Youtube cantada em parceria com JP Simões - foi ali cantada apenas por ela. O resultado foi um quase acapella que "eufemismou" a voz limpa de Márcia, com em «Vem» a mostrar que também sabe e gosta de vaguear em palco. Com todos ali, ela avisou: "Vamos cantar uma música para despertar, podem cantar o que quiserem; é para a desgraça". De repetente, estavam todos (o público também) a entoar "eu não volto a jogar à cabra cega", enquanto estalavam os dedos. E isto é como quem diz que "o melhor fica sempre para o fim". 

Casulo, o segundo disco de originais da artista portuguesa foi o motivo desta noite. E talvez o mesmo título possa ser dado ao lugar onde Márcia se sente melhor. Ainda está para vir uma Márcia transformada em borboleta: mais livre, mais inteira.


Rubrica: Música Sazonal #03

A música sazonal desta semana veio com um pequenino atraso relativamente ao habitual. Deixo, desde já, as minhas desculpas, mas esta vossa cronista ou colunista, como lhe preferirem chamar, teve um mau  início de semana. É verdade, a segunda-feira não é um dia nada fácil. Mas, looking on the bright side, como diriam os Monty Phyton, começa uma nova semana e é dia desta rubrica, modéstia à parte, claro.

E de que vos falo hoje? Bem, pondo de parte o mundo da política e as previsões atmosféricas, hoje vamos diretamente ao cerne (palavra pomposa, mas má para nome de álbum) da questão, a música!
Amanhã é dia de um dos concertos mais aguardados: A estreia dos The Black Keys em Portugal. Se não sabem quem eles são não é crime, embora possivelmente já os tenham ouvido na rádio, uma vez que esta dupla de Ohio, ganhou mais destaque em 2010, com o seu sexto álbum Brothers e com o single «Tighten up».

Eu, como outras tantas pessoas, fiquei entusiasmada com a vinda da banda a Portugal. Conheci-os em 2010, mas logo a curiosidade despertou para ouvir tudo o que havia para trás até à sua formação em 2001. Confesso que fiquei fã do seu rock “sujo” e “desmazelado” de "banda que não podia mais ficar fechada dentro de uma garagem".

Mas, voltando ao concerto em Portugal, quando confrontada com os preços dos bilhetes e a sala escolhida (bilhete para a plateia a 39 euros e concerto no Pavilhão Atlântico), prometi a mim própria que iria “bater o pé” e recusar-me a gastar tanto dinheiro para ir vê-los, quando achava que tocariam muito melhor num Coliseu dos Recreios, por um preço muito mais acessível.
Entrei neste meu protesto solitário e o resultado é que o concerto é amanhã, eu não tenho bilhete e, da última vez que visitei a ticketline, ainda estavam disponíveis 40 bilhetes para a plateia do Pavilhão Atlântico. E, por isso, a música desta semana é mesmo dos The Black Keys, do terceiro álbum Rubber Factory, de 2004, é uma das minhas de eleição e chama-se «10 A.M. Automatic»


Para quem vai, desejos de um bom concerto. Para quem não vai, aqui vos deixo a minha forma de consolação e o meu sentimento solidário. Além disso, independentemente da altura do ano, um bocadinho de rock n’ roll vem sempre a calhar!

Até para a semana.

Rammstein em Lisboa


Rammstein voltam a Portugal para tocar no Pavilhão Atlântico, dia 16 de Abril de 2013. A confirmação chega após serem marcadas as datas da tour deste mesmo ano, que tem como mote "Wir halten das Tempo", ou "Nós mantemos o ritmo", letra da música Haifisch do seu último álbum de estúdio, Liebe ist für alle da.

Os alemães, que contam já com seis álbuns de estúdio, dois álbuns "ao vivo" e dois álbuns de compilações, estrearam-se com o álbum de estúdio Herzeleid em 1995, que continha músicas como <<Du riechst so gut>> ou <<Rammstein>>, duas das preferidas dos fãs. O seu último álbum de estúdio atingiu o número um nos charts de oito países europeus, entre os quais a Alemanha, a Áustria e a Suiça.

A última vez que os Rammstein marcaram presença em terras lusas foi em 2010, no festival Rock in Rio, tendo em 2009 começado a tour com um concerto também aqui em Lisboa.

Os preços e locais de venda dos bilhetes ainda não foram anunciados.

Veja aqui como foi a experiência de ver Rammstein ao vivo no Rock in Rio há dois anos, a tocar a música <<Ich Will>>:


Aline Frazão e uma noite em pontas de pés

Quando era pequena dizia que era com ele que queria cantar. E naquela noite a Aline já era uma miúda crescida. Em cima do palco do Cinema São Jorge, em Lisboa, estava pronta para chamar por ele. Ele apareceu do lado direito, meio tímido, como se não estivesse habituado a isto. A plateia, há muito que estava pronta para lhe bater as palmas, não fosse ele Paulo Flores. Num semba de outros tempos, juntos entoaram "N'guxi", de Belita Palma.

A ansiedade dele era outra: queria dizer que tinha muito prazer em estar ao lado dela, alguém com "uma abordagem com muita frescura". Percebe-se. É uma contestatária suave. Numa voz de embalar enumera as coisas com as quais não se sente bem, escolhe palavras subtis para isso e diz que aquela coisa de «Primeiro Mundo» existe só de brincadeira.
A consciência de Aline saiu do palco (ou da boca) com «Na boca de Angola» ou «Caminho do Sul». Perguntou aos presentes se sabiam para onde este ficava a partir daquele lugar no “coração de Lisboa”. Os gestos indicadores de bússolas humanas foram interrompidos quando ela avançou com a sua teoria: “O caminho que nós, Humanidade, temos que percorrer é o do Sul. O Norte tem/precisa de aprender com o Sul”. As bússolas, essas, concordaram com risos de quem está a abanar com a cabeça que “sim, é isso mesmo, Aline”.
Mas nem só disto viveu o dia 4 de Novembro. Com passos e arrastões de garganta a fazer lembrar uma Mayra Andrade ou outras gentes de Cuba, uma angolana Aline, mais expansiva e adjuvada pela força de um contrabaixo, apareceu logo aos primeiros minutos com «No Céu da Tua Boca» (de José Eduardo Agualusa, algures numa das cadeiras), «Oriente» ou com «Assinatura do Sal» ou com o próprio «Clave Bantu», nome homónimo do álbum lançado em finais do ano passado. 
                                          
A escrita feita entre viagens a Luanda, Barcelona ou Madrid, Santiago de Compostela haveria de trazer o primeiro convidado das terras da Galiza. Ela conheceu o António por aquelas bandas e, ali, num “amor à primeira vista” (palavras dela), nasceu isto: uma cumplicidade vincada com uma dança minimal no centro do palco, entusiasticamente aprovada por uma plateia que sabia a voz que ia sair de Zambujo-pés-de-chumbo. O fadista português com «Barroco Tropical», mais que ensaiado mas com tanto de improviso, foi o mote para uma Aline melancólica.
Numa acapella com jogos de luzes lunares, uma kalimba nas mãos e de perfil para o microfone, Aline entoou «Poema em Sol Poente» e com «O Que Ela Quer». O balancê de outro alguém chegou quando «Lisboa Kuya» foi apresentada a quatro mãos e com outras tantas cordas em duas guitarras. De um lado Aline, do outro Sara Tavares. Esta, com a postura de quem sabe brilhar só quando deve, deixou que o protagonismo lhe fugisse, embora sem a teimosia de Aline. “Tudo à volta de ilumina sempre que ela surge”, descreveu sobre Sara.

O encore obrigou a um regresso dos convidados ao palco (ainda que meio perdidos no espaço com os ossos do oficio do improviso). Com «N’zaji» (aqui ainda só com Paulo Flores) e com «Babel» em decrescendo e em uníssono, a noite foi fechando com uma sala quase cheia ainda que entusiasta q.b., como quem acaba de comprar um livro do qual pouco ouviu falar. Aline, segura através de um alinhamento quase cronológico e colado ao formato gravado de «Clave Bantu» deixou pouco espaço ao silêncio no meio da sua bossa-nova, jazz e sembas de Angola ou mornas de Cabo Verde.
A saia longa, até aos pés, escondera os ténis, o sorriso cândido fora a consequência de uma noite número um e os caracóis assumidos completaram o ombro destapado de uma Aline grandiosa, dançante, com uma altura para além da ilusão. Solta, embalou o S. Jorge com uma voz límpida, por vezes, quase demais. De tão confortável, confessou a meio da noite: “Quero que saiam daqui com a certeza de que estou muito feliz”.

Com um desprendimento típico dos 24 anos, Aline, com Frazão no apelido, tem a certeza que A saudade não marca hora/na agenda do dia/nem vai embora. E eles também parecem que a têm. “Ainda bem que me ofereceste o convite e vim até aqui”, desabafou um amigo para o outro, enquanto abandonava a fila à nossa frente.
fotos: Joana T.

A mística do Misty Fest voa, amanhã, para o quinto dia do festival no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. As honras cabem a Peter Hook & The Light com Joy Division no menu. O encontro está marcado para as 21 horas no Grande Auditório.
Veja aqui o cartaz completo dos próximos dias:
Dia 9, John Talabot, Lux, Lisboa | 23h
Dia 10, B Fachada, Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra | 22h
Dia 11, Amélia Muge e Filipe Raposo, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 15, Osso Vaidoso e Lucas Bora-Bora, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 15, The Irrepressibles, Lux, Lisboa | 23h
Dia 16, Celina da Piedade, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 17, Cowboy Junkies, Centro Cultural de Belém (Grande Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 19, Cowboy Junkies, Casa da Música (Sala Suggia), Porto | 21h 


A noite da “Bruxa”: Halloween no Cinema de S.Jorge


Allen Halloween, rapper de Odivelas, foi o artista escolhido para inaugurar a edição de 2012 do Misty Fest e ir ao Cinema de S.Jorge apresentar o álbum Árvore Kriminal, de 2011. O festival expandiu horizontes desde Sintra até Lisboa e prova disso foi este primeiro concerto.

Halloween acompanhado do Dj Núcleo e dos dois mcs
Assim que a sala ficou cheia e as pessoas sentadas nos seus lugares, as luzes apagaram-se. O Dj Núcleo apareceu em palco, fazendo a introdução àquele que seria o dito concerto. No meio ouviu-se “Eles comem tudo e não deixam nada”, uma sample de «Vampiros», de Zeca Afonso, que não só remete para uma canção antiga, mas, ainda assim, muito atual, como também para o carácter interventivo do rap. Esta música acaba por ilustrar também o que Halloween pretende que aconteça com os seus temas, tal como disse antes de interpretar «SOS Mundo», do álbum Mary Witch Project . “Não faço músicas para o momento ou para durarem um ou dois anos. Esta, por exemplo, ainda é atual e foi feita em 2005”


As características da sala alteraram um pouco a dinâmica de um concerto normal deste género. Contudo isso não impediu quer o feedback do público, quer a expressividade do Halloween, que subiu ao palco acompanhado por dois mcs da Odc gang, a sua crew de Odivelas. Os lugares eram sentados, mas muitas foram as pessoas que ocasionalmente se metiam de pé durante as músicas e alguns amigos gritaram, inclusivamente, mensagens para o rapper. Canções como «Drunfos»,  «Noite na lisa»,  «Convite», «Killa Me» e «Mary Bu» tiveram reações muito positivas, mas foram a «No love» e a «Fly nigga fly»  que tiveram direito a um coro de vozes que cantou as letras na íntegra.

«Debaixo da Ponte» com Tó Trips
O momento alto do concerto foi quando Halloween anunciou que teria um convidado para vir tocar uma música com ele. E chama Tó Trips ao palco, de quem confessa ser um grande fã, motivo que o levou a propor esta experiência. “Isto foi algo que tentámos esta tarde, um pouco para experimentar e vamos ver no que dá”, disse.
As luzes de palco ganharam um tom arroxeado e Tó Trips dedilhou as primeiras notas de «Debaixo da Ponte». Os elementos do cenário, a colaboração de Tó na guitarra e a voz arranhada de Allen Halloween fizeram deste um momento muito expressivo e dramático. Algo único, como o próprio disse no final da música.


Voltando ao carácter interventivo do rap, Halloween mostrou-se atento à atualidade e destacou uma notícia que viu. “Vi nas notícias que as famílias andam a pagar enterros às prestações. Nem morrer está fácil neste país.” Foi o mote para «Um Jardim à Beira-Mar», canção que apela à mudança.

No final do concerto, Allen Halloween apresentou duas músicas do seu próximo projeto com o Odc gang, do qual os outros dois mcs fazem também parte. Escumalha: Sons da pedrada será o nome da mixtape a ser lançada em breve. 

Escumalha: Sons da pedrada

Gotye cancela concerto em Lisboa

O concerto do músico australiano Gotye marcado para dia 17 de Novembro no Campo Pequeno, em Lisboa, foi cancelado. Através de um comunicado no facebook a organização refere "problemas de agenda e de logística de transportes" como o principal motivo.

No comunicado lê-se ainda que o cantor do sucesso «Somebody that I used to know» estava ansioso por tocar em Portugal e que compensará os fãs futuramente.
Até lá, quem comprou bilhete para o espectáculo deve dirigir-se ao local de compra de modo a ser reembolsado.

Fotografia de Kane Hibberd

Kings of Leon no Optimus Alive'13

Os norte-americanos Kings of Leon são a mais recente confimação para o festival Optimus Alive 2013.  A banda dos irmãos Followill subirá ao palco Optimus no dia 14 de Julho.

Depois de ter anunciado a vinda dos Depeche Mode ao festival, a organização confirma agora a presença da banda de «Use Somebody» no passeio marítimo de Algés.
Os Kings of Leon contam com cinco álbuns lançados sendo o mais recente Come Around Sundown de 2010.

A banda que no ano passado se viu obrigada a cancelar uma tour devido a problemas de alcoolismo do vocalista Caleb voltou recentemente aos palcos, pondo fim aos rumores de uma possível separação.

Fiquem com a canção «Back down South», do álbum Come Around Sundown.


Strangeland Tour: Os Keane no Campo Pequeno


A reação das pessoas que iam chegando era sempre a mesma: Surpresa. Não é para menos, uma vez que esta é a terceira vez que os Keane vêm a Portugal no espaço de cinco meses. A frase “Isto está cheio” foi repetida vezes sem conta enquanto as pessoas se alinhavam na fila que contornava a entrada principal do Campo Pequeno. 

Se um cartaz da primeira fila dizia que o Tom Chaplin nunca se calava, apenas podemos dizer que o vocalista fez justiça a tais palavras e provou o porquê de ser o frontman do grupo. Sempre muito comunicativo, disse estar feliz por estar no Campo Pequeno e reforçou essa ideia várias vezes durante o concerto.

A banda britânica veio apresentar o quarto álbum de estúdio, Strangeland e contou com os compatriotas Zulu Winter para fazerem a primeira parte. O concerto teve início precisamente às 21h, ou não fossem os britânicos conhecidos pela sua pontualidade. 
O início foi um pouco frio, ainda que os Zulu Winter bem tentassem puxar pelo público. A banda apresentou alguns temas do primeiro álbum, Language e conseguiu cativar alguns dos que tão ansiosamente esperavam pelos Keane. 

Zulu Winter

Assim que a banda de East Sussex entrou em palco, as luzes do cenário acenderam-se. Um sol que tinha escrito Strangeland iluminava-se cada vez que era tocada uma canção do novo álbum. Uma ajuda para os fãs mais distraídos.
Temas como “You are young”, “Silenced by the night”, o mais recente single “Disconnected” e “The Starting Line”, canção que Tom Chaplin confessou ser a sua preferida do novo álbum, foram bem recebidos pelo público. Alguns dos fãs cantarolavam a letra a acompanhar e os braços no ar foram uma constante. 
Contudo, foram os temas mais antigos da banda que fizeram as delícias dos lisboetas. “Bend and break”, “Everybody’s Changing”, “Somewhere only we know”, “Bedshaped” e “We might as well be strangers” foram algumas das canções recebidas com euforia e cantadas em coro pelo público do Campo Pequeno.

Tom Chaplin

Frases como “Estou a adorar cada minuto deste concerto”, “É sábado à noite e estamos numa das melhores cidades do mundo” e “Este é um concerto certamente memorável”  foram proferidas por Chaplin, que estava visivelmente comovido com o entusiasmo do público português.
A surpresa para muitos foi a canção “Try again”, do álbum Under the Iron Sea. Apesar de ter sido tocada noutros concertos anteriores, não é das canções mais conhecidas do álbum e o facto de ter sido tocada numa versão acústica fez deste um momento “intimista”, como disse o vocalista.

Tim Rice-Oxley

A banda voltou para dois encores, sendo que no último tocaram “Under Pressure”, um original dos Queen e David Bowie que levou o público, desde os mais novos aos mais velhos, ao rubro pela última vez naquela noite.

SetList


You are young
Bend and break
On The Road
The Lovers are losing
Is it any wonder
My Shadow
The Starting Line
Nothing in my way
Silenced by the night
Everybody’s Changing
We might as well be strangers
Day will come
Spiralling
A Bad Dream
Try again
Disconnected
This is the last time
Somewhere only we know
Bedshaped

Encore

Sea Fog
Sovereign Light Café
Crystall Ball

Encore

Under Pressure