Está a perder a piada dizer que é segunda-feira e é dia de Música Sazonal, mas factos são factos. Já vamos no número 7 e, caso não saibam, o número 7 é o número da perfeição. Não que a rubrica de hoje vá ser perfeita, mas vamos entrar por este mundo das simbologias e espiritualidades.
Se estás quase a desistir de continuar a ler, não o faças, porque no fim há boa música. Fica a minha palavra!
Nem sempre a nossa vida profissional fazemos o que sonhamos. Muitas vezes acabamos por abraçar outros desafios e fazer coisas também elas bastante interessantes. Adoro escrever sobre música, mas também escrevo sobre muitas outras coisas. Confrontada com um artigo para escrever sobre feng shui e o impacto desta corrente de pensamento em aspectos mais práticos da nossa vida, acabei por ir ler sobre o assunto, porque não sou propriamente uma especialista na matéria. Entre as muitas coisas que descobri, fiquei a saber que 2013 é o ano da serpente de água, ano de grandes decisões, segundo dizem, e ano onde predominam as cores azul, preto e cinzento, para atrair boas energias.
E achei que esta música tinha tudo a ver com isto que estamos a falar. O azul e o preto na capa, as serpentes na selva. Já para não falar de que gosto da música em si. Falo de «Blue Jungle Lights», o novo single da banda portuguesa The Kafkas. Já tive a oportunidade de me cruzar com esta música em outras aventuras radiofónicas, e desde aí que gostei dela e fiquei com o som daquelas teclas na cabeça.
Eis que, em Janeiro de 2013, surge a versão mais produzida, que é a que vos deixo aqui.
É caso para dizer, "welcome to the jungle".
Podem fazer download gratuito da música aqui.
Os The Kafkas são quatro indivíduos, vindos de Lisboa, que se juntaram em 2009 com o intuito de se divertirem um bocado e ver no que davam as suas misturas musicais. Em 2011 decidiram gravar a primeira demo no estúdio eléctrico do Porto. Este single é o seu mais recente lançamento, que já está a dar que falar em alguns blogs de música.
Se gostaram do que ouviram, eles vão andar pelo Bacalhoeiro, em Santa Apolónia, na sexta-feira, passem por lá.
Hoje é segunda-feira e sejam bem-vindos a mais uma música
sazonal. Não nos lemos desde o fim do mundo, é verdade, uma vergonha. Deixo
aqui as minhas desculpas pelo abandono repentino, mas a verdade é que as férias
conduzem ao desleixo. Seja como for, estamos de volta.
Ano Novo, vida nova, costuma-se dizer. Não sei quanto a
vocês, mas eu cá não sou grande fã da passagem de ano e das grandes festas.
Como tal, também não faço resoluções de ano novo. Primeiro porque tenho uma memória
terrível, não me iria lembrar de nenhuma resolução, e, mesmo, que as escrevesse
de certeza perderia o papel logo nos primeiros dias. Segundo, porque não percebo o conceito das resoluções
de ano novo. Porquê fazer uma lista de coisas que estão mal e que vamos querer
mudar no próximo ano? Porque não mudá-las no momento? Porquê a espera? Já para
não falar que a maioria das pessoas não cumpre inteiramente as resoluções que
faz.
A música que vos trago esta semana é a «Vagabond» dos
Wolfmother, uma das minhas músicas preferidas, uma música que resume a minha
opinião quanto a isto das resoluções. Simplicidade, felicidade, liberdade, são
das melhores coisas que podemos ter e esperar dos novos anos. Tudo o resto
vamos fazendo pelo caminho, digamos assim.
Os Wolfmother são uma banda australiana formada em 2000.
Lançaram o primeiro EP em 2003, mas foi em 2005, com o seu álbum homónimo que
chegaram até ao público. Muitas faixas deste álbum foram utilizadas como banda sonora de
videojogos e filmes. Atuaram o ano passado no festival Marés Vivas TMN.
Um feliz ano novo para todos vocês e até para a semana.
Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma música sazonal.
Antes de mais, deixo desde já as minhas desculpas pela minha ausência na semana
passada, mas, por motivos de doença, não consegui trazer-vos uma canção
espetacular para animar a vossa semana, como já se tornou costume.
Passemos então ao motivo pelo qual vos escrevo esta semana.
Todos vós certamente já ouviram falar das previsões dos Maias, não os de Eça de
Queirós, claro, relativamente ao fim do Mundo. É já esta sexta, dia 21 de
Dezembro. A data de que todos falam.
Sinto um certo orgulho em dizer que nos meus 21 anos de
existência já consegui sobreviver a dois fins do mundo. E estou ansiosa por
saber se sobrevivo a mais um. Com um acontecimento destes a decorrer nesta
semana, obviamente que não o poderia deixar passar em branco. E, justamente por
ter falhado na semana passada, trago-vos hoje as minhas três músicas para ouvir no fim do mundo. E para ouvir bem alto!
A primeira é a minha primeira escolha e talvez a mais óbvia,
logo pelo título, «It’s the end of the world (and I feel fine)» dos R.E.M. Devo
confessar-vos que sou fã desta banda, motivo pelo qual me sinto na obrigação de
mostrar esta música na minha “última semana”.
Os R.E.M. são uma banda de rock americana, formada em 1980,
e considerada por muitos como uma das pioneiras do movimento rock alternativo
dos anos 90. Serviu de inspiração a bandas como os Nirvana e os Pavement. Com o
sucesso que alcançaram foram perdendo o estatuto de banda de rock alternativo,
passando para o meio mais pop e mainstream. A banda anunciou o término da sua
atividade no final do ano passado com o lançamento do álbum Collapse into Now. Este tema faz parte
do álbum Document de 1987.
A música que se segue já foi tema para livros, o álbum onde
podemos encontrá-la tem o seu nome e é considerado pela Rolling Stone como um
dos melhores 500 álbuns de todos os tempos. Falo de «Highway to Hell» dos ACDC.
Porquê a escolha desta música? Não porque já esteja a fazer
reflexões pré-purgatório ou algo do género, mas sim porque é uma música divertida
and “my friends are gonna be there too”. Se estamos perante o fim do mundo,
pelo menos que nos divirtamos uma última vez com a família, os amigos e todas
as pessoas de quem mais gostamos.
Este foi o último álbum gravado pelo vocalista Bon Scott
antes de falecer em 1980. O próprio videoclip desta música, que podem ver
abaixo, foi gravado 10 dias antes da sua morte. Este, que é o sexto álbum da
banda australiana, separa duas eras da existência da famosa banda de rock and
roll, marcadas por dois vocalistas diferentes: Bon Scott (1974 -1980) e Brian
Johnson (1980 – presente).
“Last but not least”, a última música deste lote. Podia
iludir-vos dizendo que pensei muito na escolha destas músicas, mas estaria a
mentir se o fizesse. O tempo não espera, por isso, escolhi as três primeiras
que me vieram à cabeça. Esta última é também uma escolha óbvia. Acho que sou
mais previsível do que na realidade penso, mas, acho que, tal como os filmes,
se é realmente o fim precisamos sempre de um “The End” à altura. E não há música
que dite a sentença, digamos, melhor do que esta. Muito calma, considerando as
duas anteriores, mas também "misteriosa".
Existem várias teorias quanto aos significados dos versos
que ouvimos na voz de Jim Morrison. Para uns, um hino anti-Vietname, para
outros, uma reflexão das leituras de Sófocles e Nietzsche, aliadas ao consumo
de drogas. Uma coisa é certa, é uma canção sobre o fim de algo, daí ser uma das
minhas escolhas para esta espécie de top ou lista, como lhe queiram chamar.
Esta foi uma das músicas que integrou o álbum homónimo dos
The Doors, editado em 1967 e foi a última música dos seus concertos durante
vários meses até à sua versão final, que figura no disco.
Assim me despeço, com estas três músicas. Divirtam-se muito
e, se possível, festejem o fim do mundo na melhor companhia possível!
Segunda-feira, início de uma nova
semana e dia de Música Sazonal. Deixo o aviso prévio de que isto não é um juízo
de moral, apenas uma análise (im)parcial do contexto em que surge a rubrica
desta semana.
Ainda mal entrámos em Dezembro e já andamos a ser alvos de
um spam de Natal intenso. Os
programas e anúncios que passam na televisão, os catálogos que chegam pelo
correio, as promoções das marcas, as montras dos centros comerciais, as
iluminações de Natal nas ruas, as fotografias das árvores de Natal que os
amigos partilham nas redes sociais. Costuma-se dizer que o Natal é quando o
Homem quiser, mas o Homem, e principalmente as marcas, querem-no cada vez mais
cedo.
Dezembro é o mês em que nos esquecemos de todos os nossos
problemas durante o ano. Vivemos para o consumismo e queremos manifestar o
nosso afecto pela família e amigos através de pequenas lembranças. Estamos
sempre dispostos a dar um bocadinho mais por aquele presente que é a “cara”
daquela pessoa.
Na mais pura das inocências deixamo-nos levar pelas
fantasias do Natal, do espírito positivo da quadra e depositamos nela as nossas
esperanças. Em tempos de crise o Natal torna-se ainda mais irresistível, ou
porque há promoções muito boas para aproveitar ou porque para o ano o caso muda
de figura e este é o último ano para ter um Natal mais “à larga”.
Inspirada neste saudosismo antes de tempo, escolhi para esta
semana a música que vai inaugurar a corrida às lojas. Fica a ressalva, cuidado
com os gastos.
«Taxman» dos Beatles é a primeira canção do álbum Revolver
de 1966, um álbum que segundo os críticos marca o início de uma fase mais
radical da banda. Esta foi a primeira letra escrita por George Harrison, que andava descontente com os elevados impostos cobrados pelo governo da
altura. No entanto, como o próprio Harrison disse, é uma música actual, tanto
que entrou na setlist da sua digressão pelo Japão com Eric Clapton, em 1991.
A título de sugestão ficam aqui alguns mercados de produtos
artesanais/ecológicos/solidários um pouco por toda a cidade de Lisboa.
Façam umas boas compras, se for caso disso, que nós voltamos para a semana!
Até lá!
A música sazonal desta semana veio com um pequenino atraso
relativamente ao habitual. Deixo, desde já, as minhas desculpas, mas esta vossa cronista ou colunista, como lhe
preferirem chamar, teve um mau início de semana. É verdade, a segunda-feira não
é um dia nada fácil. Mas, looking on the
bright side, como diriam os Monty Phyton, começa uma nova semana e é dia
desta rubrica, modéstia à parte, claro.
E de que vos falo hoje? Bem, pondo de parte o mundo da política e as previsões atmosféricas, hoje vamos diretamente ao cerne
(palavra pomposa, mas má para nome de álbum) da questão, a música!
Amanhã é dia de um dos concertos mais aguardados: A estreia
dos The Black Keys em Portugal. Se não sabem quem eles são não é crime, embora
possivelmente já os tenham ouvido na rádio, uma vez que esta dupla de Ohio,
ganhou mais destaque em 2010, com o seu sexto álbum Brothers e com o single «Tighten up».
Eu, como outras tantas pessoas, fiquei entusiasmada com a
vinda da banda a Portugal. Conheci-os em 2010, mas logo a curiosidade despertou
para ouvir tudo o que havia para trás até à sua formação em 2001. Confesso
que fiquei fã do seu rock “sujo” e “desmazelado” de "banda que não podia mais
ficar fechada dentro de uma garagem".
Mas, voltando ao concerto em Portugal, quando
confrontada com os preços dos bilhetes e a sala escolhida (bilhete para a plateia a 39 euros e concerto no Pavilhão Atlântico), prometi a
mim própria que iria “bater o pé” e recusar-me a gastar tanto dinheiro para ir
vê-los, quando achava que tocariam muito melhor num Coliseu dos Recreios, por
um preço muito mais acessível.
Entrei neste meu protesto solitário e o resultado é que o
concerto é amanhã, eu não tenho bilhete e, da última vez que visitei a
ticketline, ainda estavam disponíveis 40 bilhetes para a plateia do Pavilhão Atlântico. E, por isso, a música desta semana é mesmo dos The Black Keys, do
terceiro álbum Rubber Factory, de
2004, é uma das minhas de eleição e chama-se «10 A.M. Automatic»
Para quem vai, desejos de um bom concerto. Para quem não
vai, aqui vos deixo a minha forma de consolação e o meu sentimento solidário.
Além disso, independentemente da altura do ano, um bocadinho de rock n’ roll
vem sempre a calhar!
É novamente segunda-feira por isso sejam bem vindos a esta
que é a Música Sazonal #02, a rubrica que faz exatamente aquilo de que os
artistas não gostam: limita as suas músicas a determinadas ocasiões.
Caso não tenham reparado, eu reparei certamente, a
temperatura desceu. Não foi um nem dois graus, a temperatura desceu mesmo,
mesmo muito. Pela primeira vez em dois anos, se não estou em erro, vi-me
obrigada a usar luvas.
Mas, porquê falar do tempo e de pormenores que de
interessante têm pouco quando tenho coisas muito mais giras para partilhar aqui
no Off the Record? Bem, porque tudo tem um encadeamento lógico.
Esta semana, a música que vos trago é para mim a melhor
música para se ouvir junto à lareira ou ao aquecedor, no quentinho das nossas
casas, num dia frio. E é precisamente o que vamos precisar para uma semana de
adaptação à chegada do Inverno e destes dias de temperaturas baixas.
Corria o ano de 2006 quando Zack Condon resolveu pegar no
seu projeto a solo e convidar uns amigos para fazer umas atuações ao vivo.
Assim nasceram os Beirut, uma banda que condensa na sua música influências das
mais variadas partes do mundo, em parte devido às viagens de Zack e as culturas
com as quais acabou por contactar. The Rip Tide, álbum onde podemos encontrar
esta «East Harlem» é o terceiro da banda, lançado em Junho de 2011. Para muitos
este é o álbum que consolida Beirut como uma banda, uma vez que as canções
foram feitas como uma banda e não com contributos individuais de membros
separados.
Numa entrevista sobre o álbum, Zack Condon afirma que este álbum é
olhar para estes últimos 5 anos da sua vida, em que levou este projeto para a
frente. “Este álbum é sobre voltar a casa e assentar, digamos assim,
fisicamente e musicalmente. Durante anos andei a brincar com todos aqueles
instrumentos diferentes, a viajar e a mudar de casa constantemente, à procura
de um som específico de Beirut. Desta vez resolvi mergulhar no que já tinha
feito e o resultado é um álbum muito mais pessoal”. «East Harlem» é a prova
deste “mergulho”. O primeiro single de
The Rip Tide foi composto quando Condon tinha 16 anos, altura em que se mudou
para Nova Iorque com o irmão. A melodia da canção esteve durante anos “na
prateleira” até que o acordeonista da banda achou que dali se poderia fazer
algo.
O resultado está à vista, uma música que nos faz querer
voltar a casa e que nos traz sentimentos de nostalgia.
Tenham uma boa semana e até à próxima segunda-feira!
Curiosidade: Com a crescente popularidade de Beirut no Brasil, uma vez que a canção «Elephant Gun», fazia parte da banda sonora da série Capitu, surgiram, em 2009, os eventos "Beirutando na praça" que consistem na actuação de várias bandas que adaptam as canções de Beirut aos ritmos brasileiros, utilizando instrumentos como o cavaquinho, o bandolim e o trompete. Para visitar a página de facebook é só clicar aqui
Antes de mais, sejam bem-vindos a esta que é a primeira
Música Sazonal, a minha rubrica neste vosso espaço do Off the Record. Aqui
pretendo explorar, como o nome indica, músicas que considero apropriadas para
determinadas alturas ou momentos.
Esta ideia nasce de uma pequena, chamemos-lhe obsessão, no
sentido menos pejorativo da coisa, por associar determinadas bandas ou artistas
e as músicas que os respectivos fazem a determinadas alturas do ano. Tudo
começou com algo tão simples como uma separação entre bandas de Inverno e
bandas de Verão. À partida pode parecer algo muito descabido, mas, ainda que o
seja, deixem-se ficar por aí e divirtam-se a ler sobre associações malucas, a
descobrir novos sons e, quem sabe, a fazer sugestões de futuras músicas
sazonais.
Sem mais demoras, passemos ao que realmente importa, ao tema
desta semana.
Hoje é um dia muito especial, a senhora Merkel veio de
visita ao nosso país. Ao fazer uma ronda pelas notícias e depois de reflectir
sobre o assunto facilmente cheguei à música do dia de hoje e desta semana. Isto
é um blog sobre música, por isso não entrarei em “politiquices” e tentarei ser
breve ao explicar as minhas razões para a escolha desta canção.
Escolho portanto a música «Ceremony» dos Joy Division/New
Order. Coloco o nome de ambas as bandas pois esta foi uma das últimas músicas
compostas pelos Joy Division, mas apenas foi lançada em 1981, como single de
estreia dos New Order, após a morte de Ian Curtis.
Vou começar com as razões mais óbvias para tal escolha. O
título «Ceremony» fica como crítica à pompa e circunstância com que a chanceler
alemã foi recebida em Portugal. Não
quero a cabeça da senhora nem nada do género, como muitos que aí andam, mas
tenho de realçar a segurança apertadíssima e “almoço no forte de S.Julião da
Barra onde está tudo calmo e apenas se ouve o mar” citando um direto durante o
jornal da tarde. Isto só prova o quanto
os nossos políticos precisam de um reality
check: Primeiro, porque os portugueses são revolucionários de sofá e
manifestantes de redes sociais. Segundo, porque todo o mundo sabe a situação em
que Portugal se encontra. Não é preciso servir um consommé de aves e ostentar
uma passadeira vermelha, quando há portugueses que nem dinheiro têm para comer.
Um bocadinho de humildade e contenção nas despesas do Estado não ficava nada
mal.
Voltando à música, existem inúmeras teorias quanto ao significado
da mesma. Que anuncia a morte de Ian Curtis, que reflecte a conturbada relação
que este tinha com a sua mulher Debbie... independentemente de ser uma ou outra
ou nenhuma, esta é uma música sobre transição, sobre mudança, sobre perder algo
e seguir em frente. E, ainda que para muitos seja uma música triste, para mim
até acaba por ser uma música bastante motivadora. E se há algo que precisamos é
de motivação, de parar de falar de crises (contra mim própria falo, claro), de
nos adaptarmos e darmos a volta por cima.
Com isto vos deixo, para a semana trarei uma nova música,
associada a um outro evento ou uma outra data. Espero que tenham gostado!