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Rubrica: Música Sazonal #05


Olá, olá!
Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma música sazonal. Antes de mais, deixo desde já as minhas desculpas pela minha ausência na semana passada, mas, por motivos de doença, não consegui trazer-vos uma canção espetacular para animar a vossa semana, como já se tornou costume.
Passemos então ao motivo pelo qual vos escrevo esta semana. Todos vós certamente já ouviram falar das previsões dos Maias, não os de Eça de Queirós, claro, relativamente ao fim do Mundo. É já esta sexta, dia 21 de Dezembro. A data de que todos falam.
Sinto um certo orgulho em dizer que nos meus 21 anos de existência já consegui sobreviver a dois fins do mundo. E estou ansiosa por saber se sobrevivo a mais um. Com um acontecimento destes a decorrer nesta semana, obviamente que não o poderia deixar passar em branco. E, justamente por ter falhado na semana passada, trago-vos hoje as minhas três músicas para ouvir no fim do mundo. E para ouvir bem alto!

A primeira é a minha primeira escolha e talvez a mais óbvia, logo pelo título, «It’s the end of the world (and I feel fine)» dos R.E.M. Devo confessar-vos que sou fã desta banda, motivo pelo qual me sinto na obrigação de mostrar esta música na minha “última semana”.
Os R.E.M. são uma banda de rock americana, formada em 1980, e considerada por muitos como uma das pioneiras do movimento rock alternativo dos anos 90. Serviu de inspiração a bandas como os Nirvana e os Pavement. Com o sucesso que alcançaram foram perdendo o estatuto de banda de rock alternativo, passando para o meio mais pop e mainstream. A banda anunciou o término da sua atividade no final do ano passado com o lançamento do álbum Collapse into Now. Este tema faz parte do álbum Document de 1987.


A música que se segue já foi tema para livros, o álbum onde podemos encontrá-la tem o seu nome e é considerado pela Rolling Stone como um dos melhores 500 álbuns de todos os tempos. Falo de «Highway to Hell» dos ACDC.
Porquê a escolha desta música? Não porque já esteja a fazer reflexões pré-purgatório ou algo do género, mas sim porque é uma música divertida and “my friends are gonna be there too”. Se estamos perante o fim do mundo, pelo menos que nos divirtamos uma última vez com a família, os amigos e todas as pessoas de quem mais gostamos.
Este foi o último álbum gravado pelo vocalista Bon Scott antes de falecer em 1980. O próprio videoclip desta música, que podem ver abaixo, foi gravado 10 dias antes da sua morte. Este, que é o sexto álbum da banda australiana, separa duas eras da existência da famosa banda de rock and roll, marcadas por dois vocalistas diferentes: Bon Scott (1974 -1980) e Brian Johnson (1980 – presente).


“Last but not least”, a última música deste lote. Podia iludir-vos dizendo que pensei muito na escolha destas músicas, mas estaria a mentir se o fizesse. O tempo não espera, por isso, escolhi as três primeiras que me vieram à cabeça. Esta última é também uma escolha óbvia. Acho que sou mais previsível do que na realidade penso, mas, acho que, tal como os filmes, se é realmente o fim precisamos sempre de um “The End” à altura. E não há música que dite a sentença, digamos, melhor do que esta. Muito calma, considerando as duas anteriores, mas também "misteriosa".


Existem várias teorias quanto aos significados dos versos que ouvimos na voz de Jim Morrison. Para uns, um hino anti-Vietname, para outros, uma reflexão das leituras de Sófocles e Nietzsche, aliadas ao consumo de drogas. Uma coisa é certa, é uma canção sobre o fim de algo, daí ser uma das minhas escolhas para esta espécie de top ou lista, como lhe queiram chamar.
Esta foi uma das músicas que integrou o álbum homónimo dos The Doors, editado em 1967 e foi a última música dos seus concertos durante vários meses até à sua versão final, que figura no disco.

Assim me despeço, com estas três músicas. Divirtam-se muito e, se possível, festejem o fim do mundo na melhor companhia possível!
Já agora, qual seria vossa música para a ocasião?

Até para a semana!

Rubrica: Ocarina do Tempo #6


10 de dezembro...

Depois de uma pausa na semana passada devido a problemas pessoais, a rubrica Ocarina do Tempo encontra-se de regresso para mais uma viagem ao passado. Desta feita, na sua 6ª edição, viajaremos até 10 de dezembro de 1967, data que ficou marcada na história da música pelas piores razões. Esta foi a primeira vez que um artista foi detido pela polícia em palco. E tal episódio está ligado a uma incontornável lenda do rock, Jim Morrison, vocalista da banda The Doors.

Este incidente ocorreu num concerto em New Haven, Connecticut. Enquanto o músico se encontrava no backstage com uma rapariga, um polícia, sem saber que se tratava de Jim, ordenou ao casal que abandonasse o local. Jim não obedeceu às indicações do polícia, resistiu e foi pulverizado com spray mace. Minutos depois, o artista subiu ao palco e começou a provocar o agente e a incitar a audiência contra o mesmo, a tal ponto que levou a que o artista fosse detido a meio do concerto.



Vídeo da detenção do músico, a 10 de dezembro de 1967, num concerto em New Haven

Depois de pesquisarmos mais informação sobre o incidente, deparamo-nos com uma panóplia de detenções efetuadas ao vocalista dos The Doors. O poeta e compositor originário de Melbourne, Florida, tinha, aparentemente, esta relação de simbiose com as detenções e consequentes aprisionamentos.

Ainda antes do ocorrido no concerto de 1967 em New Haven, o artista já teria sido detido em 1963 na sequência de uma tentativa de furto a um polícia. Jim foi acusado de tentar roubar um capacete e uma sombrinha a um agente da autoridade, de causar distúrbios, de resistência e por se encontrar em estado notável de embriaguez na via pública.



A 23 de janeiro de 1966, o vocalista voltou a ser preso. Desta vez, segundo reza a história, Jim, Felix Venable, e Phil O’Leno deslocaram-se ao deserto a fim de encontrar alguns índios e comer peyote ( uma espécie de cacto com propriedades alucinogénicas). Pelo caminho, Jim saltou do carro, onde seguiam viagem, para beijar uma rapariga que passava, regressando de seguida à viatura. A dada altura Jim e Phil discutiram, o que levou a que Phil se separasse dos seus companheiros e seguisse viagem sozinho. Quando Jim e Felix regressaram, Jim inventou que tinha morto Phil e que o tinha enterrado no leito de um rio. Infelizmente para o vocalista, a história chegou aos ouvidos do pai de Phil, que era advogado. O mesmo encontrou a rapariga que Jim tinha beijado e obrigou-a a levantar queixa sobre o artista, que acabou por ser mais uma vez preso, até o pai de Phil ter descoberto que afinal o filho tinha fugido para o Arizona depois da discussão com Jim.

Dois anos depois, em 1968, em Las Vegas, no Pussycat a’ Go Go, o músico voltou a ser conservado em detenção por estado de embriaguez em público e por vaguear sem identificação suficiente que o reconhecesse perante as autoridades. Aparentemente, o vocalista simulou estar a fumar um charro imaginário à porta do clube, provocando o segurança que acabou por espancar Jim com o seu bastão. O vocalista sofreu alguns ferimentos e a polícia teve de ser chamada a intervir, e, consequentemente, Morrison e o seu amigo Robert Gover acabaram por ser presos.




Dia 1 de março de 1969, The Doors tocaram num auditório em Miami, Florida. Quatro dias depois da atuação, o xerife do condado de Miami-Dade emitiu um mandato de captura a Jim Morrison. O mesmo foi acusado de vários delitos, entre eles, linguagem e comportamentos obscenos e atentado ao pudor, profanação e, mais uma vez, estado de embriaguez em espaço público. Jim foi considerado culpado de tais acusações, acabando por ser novamente preso a 20 de setembro de 1970.



Mandato de captura emitido pelo xerife do condado de Miami-Dade a Jim Morrison


Para finalizar, ainda em 1969, Jim Morrison e Tom Baker foram detidos por causarem distúrbios a bordo de uma aeronave. A dupla estava a caminho de um concerto dos The Rolling Stones, quando o seu estado avançado de embriaguez (para variar) levou a que tivessem tido comportamentos obscenos para com uma hospedeira de bordo.