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Opinião sobre o que define Dezembro

Durante anos fui pensando no facto de as músicas de natal servirem realmente para ouvir. Durante o ano as músicas de natal "sabem" melhor.
Essas cançõeszitas de natal não me fazem lembrar o natal . «Last Christmas I Give You My Heart» é uma das que consigo ouvir e mas não procuro ouvir. Eram dois gajos a cantar sobre algum tipo de sentimento que tinham pelo natal. E para quem não liga ao natal? que tipo de músicas há? As canções são giras mas não no natal.
Na minha opinião, não existe "tusa" de ouvir músicas relacionadas com o natal. Apenas ouvimos na televisão ou naquele anuncio da Optimus. É como se fossem uma categoria de músicas diferente, outro género musical simplesmente por certas canções terem sons de sinos e miúdos a gritar. O meu ouvido e os meus olhos são capazes de deturpar e marginalizar tanta coisa que este "devaneio" se torna uma das balas perdidas que saiu desse pensamento sobre o natal.
Servem talvez para vender... álbuns que saem no natal são possíveis presentes no sapato que antes era meia.   Capitalismo emerge até na época em que todos decidem pôr o Coro Infantil de Santo Amaro( que durante o ano ensaia o seu típico reportório de natal) e que todos decidem ajudar os artistas da rua do Carmo em Lisboa.
É natal. Neva lá fora, os putos brincam e os velhos aquecem-se. "Vão aos saltos pela casa,descalsos ou em chinelas, procurar as suas prendas tão belas". Sábias palavras de... ainda são pequeninos?








Rubrica: Música Sazonal #04


Segunda-feira, início de uma nova semana e dia de Música Sazonal. Deixo o aviso prévio de que isto não é um juízo de moral, apenas uma análise (im)parcial do contexto em que surge a rubrica desta semana.

Ainda mal entrámos em Dezembro e já andamos a ser alvos de um spam de Natal intenso. Os programas e anúncios que passam na televisão, os catálogos que chegam pelo correio, as promoções das marcas, as montras dos centros comerciais, as iluminações de Natal nas ruas, as fotografias das árvores de Natal que os amigos partilham nas redes sociais. Costuma-se dizer que o Natal é quando o Homem quiser, mas o Homem, e principalmente as marcas, querem-no cada vez mais cedo.

Dezembro é o mês em que nos esquecemos de todos os nossos problemas durante o ano. Vivemos para o consumismo e queremos manifestar o nosso afecto pela família e amigos através de pequenas lembranças. Estamos sempre dispostos a dar um bocadinho mais por aquele presente que é a “cara” daquela pessoa.
Na mais pura das inocências deixamo-nos levar pelas fantasias do Natal, do espírito positivo da quadra e depositamos nela as nossas esperanças. Em tempos de crise o Natal torna-se ainda mais irresistível, ou porque há promoções muito boas para aproveitar ou porque para o ano o caso muda de figura e este é o último ano para ter um Natal mais “à larga”.
Inspirada neste saudosismo antes de tempo, escolhi para esta semana a música que vai inaugurar a corrida às lojas. Fica a ressalva, cuidado com os gastos.


«Taxman» dos Beatles é a primeira canção do álbum Revolver de 1966, um álbum que segundo os críticos marca o início de uma fase mais radical da banda. Esta foi a primeira letra escrita por George Harrison, que andava descontente com os elevados impostos cobrados pelo governo da altura. No entanto, como o próprio Harrison disse, é uma música actual, tanto que entrou na setlist da sua digressão pelo Japão com Eric Clapton, em 1991.

A título de sugestão ficam aqui alguns mercados de produtos artesanais/ecológicos/solidários um pouco por toda a cidade de Lisboa.

Façam umas boas compras, se for caso disso, que nós voltamos para a semana!
Até lá!

Rubrica: Este é o primeiro riff do resto da tua vida #2

Adeus Leopoldina, olá festivais!


Na última semana ocorreram situações que me deixaram a pensar, mas nenhuma delas parecia ter sumo suficiente para dar inicio a mais uma crónica, até que uma sucessão de acontecimentos me fez construir analogias que quis trazer para a minha rubrica "domingueira".

Obama foi reeleito, o que por si só, na minha opinião, já é uma boa notícia, mas o que ninguém sabe é que enquanto a minha rua “adormecia” a ver a vitória de Obama a ser lentamente consumada  o café mais próximo da minha casa, estava, em simultâneo, a ser assaltado. Muito bem, o café foi assaltado, os donos tiveram um enorme prejuízo e eu tive de beber café 500 metros mais longe de casa, mas então e a crónica?

Graças ao assalto consegui finalmente encontrar um fio condutor para a minha crónica visto que no estabelecimento, no qual não costumo beber café, vi o anúncio de natal de uma cadeia de supermercados, no qual a mascote, chamada “Pópóta”, apresentava uma versão muito estranha do tema «Party Rock Anthem» dos LMFO. Para aumentar ainda mais o grau de “estranheza” reparei que, para além da versão da música, a mascote apresentava trajes menores num anúncio concebido para crianças, o que me fez reflectir.

É triste, meus senhores e senhoras, nascidos nas décadas de 80 e 90, mas a Leopoldina, aquela ave grande, sorridente, idêntica ao “Poupas” da Rua Sésamo, e cuja música nunca vamos esquecer, foi substituída por um animal que pesa toneladas, come até 68 quilos de erva por dia e que tem uma mordedela superior à de um leão! Mas não foi só o animal que mudou, o mundo também e hoje vemos crianças muito mais interessadas em “coisas de adultos”, tendência que as campanhas comerciais parecem estar a aproveitar da melhor forma. Numa época onde o natal parece estar em risco por força das últimas medidas de austeridade, reparei que até os adultos são “seduzidos” para os anúncios que antigamente eram apenas para crianças. As grandes superfícies comerciais não estão sós, visto que este ano reparei numa mudança que não deixei de relacionar com estas verdadeiras “manobras de marketing”.

Desde que me lembro do festival «Optimus Alive», que este me conseguiu cativar quase sempre através dos cartazes que foi apresentando ao longo dos anos. Lembro-me de que em 2009, após duas edições, estava “em pulgas” para saber quem ia pisar os três palcos do festival, e em Janeiro, apenas existiam especulações em torno da visita dos norte-americanos Metallica, que acabaram depois por ser confirmados para o dia 9 de Julho no Passeio Marítimo de Algés. Hoje reparo que entre Outubro e Novembro, de 2012,  já foram confirmados três nomes para atuar no mesmo festival no próximo ano. É apenas obra do acaso? Não me parece, mesmo porque não se confirmam, com 8 meses de antecedência, nomes como Depeche Mode, Kings of Leon, e Two Door Cinema Club por obra de um acaso.



O Optimus Alive é um dos festivais mais "invadidos" em Portugal desde 2007.


Na minha opinião a forma como a promotora do evento, Everything is new, lançou estes autênticos cabeça de cartaz pode muito bem configurar uma sugestão de “oferta natalícia” sob forma de passe dos três dias de festival. As três bandas abrangem vários tipos de público, e são, ao mesmo tempo, transversais a qualquer faixa etária. Kings of Leon: tornaram-se uma das bandas mais ouvidas pelos portugueses nos últimos, muito por força do êxito de «Use Somebody», single do quarto álbum da banda. Já os Depeche Mode, autores de «Enjoy the Silence», são já um fenómeno de longa data em terras lusas. Com um público menos abrangente surgem os Two Door Cinema Club, banda que, para muitos, deu um dos melhores concertos do festival Sudoeste TMN no passado mês de agosto.

Arrisco-me a dizer que muitos “festivaleiros” vão avançar para a compra do passe já no natal, e com isto passar o próximo mês a ”contar trocos”, visto que numa época como esta em que as prendas vão escassear, todos os cêntimos serão determinantes. Vou até mais longe e aposto que, este ano, os visitantes abaixo dos 16 anos vão crescer em número, não fosse essa uma realidade cada vez mais verificada nos festivais de verão portugueses. Nestes casos podemos até imaginar o duro golpe que será entregar à “senhora da bilheteira” o dinheiro amealhado durante todo o ano, ou até mesmo a revolta em aniquilar o tão estimado “porquinho rosa”, que normalmente até é complicado de partir.

Quem sabe, com o avançar dos tempos e das vontades possa ser possível que, daqui a alguns anos, em vez de observarmos uma criança acordar às 7 da manhã, a um Domingo, para ver anúncios da Playmobil ou da Rita Gatinha/ Caminha, vamos sim encontrar a mesma criança, a acordar à mesma hora, para ver anúncios dos principais festivais de verão nacionais. Talvez a reação as estes "novos anúncios" pudesse ser idêntica à do passado com a típica frase, neste caso, ligeiramente alterada: "Pai, mãe, quero o bilhete para este festival!Vá lá!". Esta ideia pode parecer menos anedótica se virmos que "miúdos" de 12 e 13 anos já frequentam festivais como o Rock in Rio e o Alive sem acompanhamento dos pais. É só subtrair três ou quatro anos e encontramos a idade dos anúncios matutinos.Dá que pensar não dá?