Mostrar mensagens com a etiqueta Ocarina do Tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ocarina do Tempo. Mostrar todas as mensagens

Ocarina do Tempo #7

17 de dezembro...

Esta semana, a rubrica Ocarina do Tempo viajou até 1982, ano da Farewell Tour da banda britânica The Who. Foi exatamente a 17 de dezembro, que o grupo londrino deu o seu último concerto da digressão, atuando em Maple Leaf Gardens, em Toronto, Canadá. Inicialmente, o propósito desta série de datas era o de promover o recentemente editado Its Hard, no entanto, a banda declarou durante a tour, que tais concertos iriam marcar o final do coletivo. Durante um concerto de preparação para a digressão, em Birmingham, e visto as datas marcadas apenas contemplarem os EUA e o Canadá, Pete Townshend declarou que iria dedicar uma série de concertos em 1983 em terras de Sua Majestade, porém, tal não se concretizou, pois a banda acabaria por se dissolver no final da tour.

T-shirt Alusiva à última data da Farewell Tour de 1982

Este término coincidiu com uma fase de declínio da banda de Pete Townshend. Em 1978, depois do lançamento de Who Are You, o baterista Keith Moon viria a falecer por ter sofrido uma overdose acidental de medicamentos prescritos para combater o alcoolismo. Kenney Jones assumiu o seu lugar e ainda lançou dois álbuns com o coletivo Face Dances (1981) e Its Hard (1982), abandonando a banda depois da digressão de 1982. A sonoridade do grupo sofreu uma metamorfose depois da morte de Keith Moon e ainda hoje é das fase menos aclamadas dos The Who. Entretanto, Pete Townshend acabou por admitir o seu estado avançado de dependência alcoólica, confessando a vontade de realizar uma última digressão antes de transformar os The Who numa banda de estúdio. Tal aconteceu em 1982 e acabou por se tornar numa das digressões mais lucrativas desse ano, esgotando estádios e arenas nos Estados Unidos e Canadá. Um ano depois da tour, Pete admitiu não estar a conseguir compor de forma adequada ao perfil da banda e, perante tal situação, anunciou definitivamente a cessação de atividade dos The Who.

Imagens aéreas do concerto realizado a 9 de outubro de 1982, no estádio CNE em Toronto, Canadá


Reuniões:

Felizmente para os fãs, a banda voltou a reunir-se, três anos mais tarde, para uma atuação no âmbito do Live Aid, em 1985, interpretando temas como «My Generation», «Pinball Wizard», «Love Reing O'er Me» e «Won't Get Fooled Again». Passados quatro anos, no contexto da celebração dos 25 anos da banda e dos 20 anos do álbum Tommy (1969), os The Who iniciaram, então, uma digressão de reunião.

Excerto do concerto de 1985 no Live Aid

Em 1996, os The Who regressaram aos palcos para uma tour de dois anos, na Europa e América do Norte, em torno de Quadrophenia (1973). Os concertos realizaram-se em versão acústica e contaram com músicos convidados, integrando secções de sopros e coros, para além de um elenco com a finalidade de ilustrar as personagens do álbum.

«Behind Blue Eyes» no âmbito da tour acústica de Quadrophenia 1996/1997

Depois disso, a banda foi regressando aos palcos com pequenos apontamentos em espetáculos de caridade como o Live Aid de 2005 e outras atuações pontuais, sendo que, a mais recente foi na cerimónia dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

«My Generation» interpretado na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres 2012







Rubrica: Ocarina do Tempo #6


10 de dezembro...

Depois de uma pausa na semana passada devido a problemas pessoais, a rubrica Ocarina do Tempo encontra-se de regresso para mais uma viagem ao passado. Desta feita, na sua 6ª edição, viajaremos até 10 de dezembro de 1967, data que ficou marcada na história da música pelas piores razões. Esta foi a primeira vez que um artista foi detido pela polícia em palco. E tal episódio está ligado a uma incontornável lenda do rock, Jim Morrison, vocalista da banda The Doors.

Este incidente ocorreu num concerto em New Haven, Connecticut. Enquanto o músico se encontrava no backstage com uma rapariga, um polícia, sem saber que se tratava de Jim, ordenou ao casal que abandonasse o local. Jim não obedeceu às indicações do polícia, resistiu e foi pulverizado com spray mace. Minutos depois, o artista subiu ao palco e começou a provocar o agente e a incitar a audiência contra o mesmo, a tal ponto que levou a que o artista fosse detido a meio do concerto.



Vídeo da detenção do músico, a 10 de dezembro de 1967, num concerto em New Haven

Depois de pesquisarmos mais informação sobre o incidente, deparamo-nos com uma panóplia de detenções efetuadas ao vocalista dos The Doors. O poeta e compositor originário de Melbourne, Florida, tinha, aparentemente, esta relação de simbiose com as detenções e consequentes aprisionamentos.

Ainda antes do ocorrido no concerto de 1967 em New Haven, o artista já teria sido detido em 1963 na sequência de uma tentativa de furto a um polícia. Jim foi acusado de tentar roubar um capacete e uma sombrinha a um agente da autoridade, de causar distúrbios, de resistência e por se encontrar em estado notável de embriaguez na via pública.



A 23 de janeiro de 1966, o vocalista voltou a ser preso. Desta vez, segundo reza a história, Jim, Felix Venable, e Phil O’Leno deslocaram-se ao deserto a fim de encontrar alguns índios e comer peyote ( uma espécie de cacto com propriedades alucinogénicas). Pelo caminho, Jim saltou do carro, onde seguiam viagem, para beijar uma rapariga que passava, regressando de seguida à viatura. A dada altura Jim e Phil discutiram, o que levou a que Phil se separasse dos seus companheiros e seguisse viagem sozinho. Quando Jim e Felix regressaram, Jim inventou que tinha morto Phil e que o tinha enterrado no leito de um rio. Infelizmente para o vocalista, a história chegou aos ouvidos do pai de Phil, que era advogado. O mesmo encontrou a rapariga que Jim tinha beijado e obrigou-a a levantar queixa sobre o artista, que acabou por ser mais uma vez preso, até o pai de Phil ter descoberto que afinal o filho tinha fugido para o Arizona depois da discussão com Jim.

Dois anos depois, em 1968, em Las Vegas, no Pussycat a’ Go Go, o músico voltou a ser conservado em detenção por estado de embriaguez em público e por vaguear sem identificação suficiente que o reconhecesse perante as autoridades. Aparentemente, o vocalista simulou estar a fumar um charro imaginário à porta do clube, provocando o segurança que acabou por espancar Jim com o seu bastão. O vocalista sofreu alguns ferimentos e a polícia teve de ser chamada a intervir, e, consequentemente, Morrison e o seu amigo Robert Gover acabaram por ser presos.




Dia 1 de março de 1969, The Doors tocaram num auditório em Miami, Florida. Quatro dias depois da atuação, o xerife do condado de Miami-Dade emitiu um mandato de captura a Jim Morrison. O mesmo foi acusado de vários delitos, entre eles, linguagem e comportamentos obscenos e atentado ao pudor, profanação e, mais uma vez, estado de embriaguez em espaço público. Jim foi considerado culpado de tais acusações, acabando por ser novamente preso a 20 de setembro de 1970.



Mandato de captura emitido pelo xerife do condado de Miami-Dade a Jim Morrison


Para finalizar, ainda em 1969, Jim Morrison e Tom Baker foram detidos por causarem distúrbios a bordo de uma aeronave. A dupla estava a caminho de um concerto dos The Rolling Stones, quando o seu estado avançado de embriaguez (para variar) levou a que tivessem tido comportamentos obscenos para com uma hospedeira de bordo.





Rubrica: Ocarina do Tempo #5


26 de novembro...

Na rubrica de hoje, do Ocarina do Tempo, vamos viajar até 1940, ano da gravação do tema «Orchids In The Moonlight», por Xavier Cugat e a sua orquestra. A versão original foi composta em 1933 pelo norte-americano Vincent Youmans e foi orquestrada por Rudy Vallee para um filme intitulado «Flying Down To Rio», realizado por Thornton Freeland. A canção está classificada como sendo um dos melhores tangos do mundo e já foi alvo de variadíssimas versões por parte de alguns artistas.

Versão original do tema «Orchids In the Moonlight», por Rudy Vallee, de 1933

A versão de Xavier Cugat, gravada a 26 de novembro de 1940, é uma delas. Uma pesquisa mais a fundo, sobre a história do artista, leva-nos a descobrir um repertório enorme de músicas e um elevado grau de notoriedade em relação à sua carreira, desvendando o porquê de tamanho sucesso e o porquê de grandes êxitos de dança latino-americanos, que hoje conhecemos, terem sido popularizados por ele.

Versão do tema «Orchids In The Moonlight», por Xavier Cugat, de 1958

Xavier Cugat, nascido Francisco de Asis Javier Cugat Mingall de Cru y Deulofeo, foi um dos principais impulsionadores da música de dança latino-americana. Durante as suas oito décadas de carreira, ajudou a popularizar estilos como o tango, a rumba, o cha-cha e o mambo. Temas como «El Manisero», «Perfidia» e «Babalu», podem ser facilmente reconhecidos no seu repertório. Da sua banda faziam também parte Dezi Arnaz, Miguelito Valdez, Tito Rodriguez, Luis Del Campo, Yma Sumac, e a sua terceira esposa (de um total de quatro), Abbe Lane. Cugat conta ainda com aparições em filmes como «Gay Madrid» (1930), «You Were Never Lovelier» (1942), «Bathing Beauty» (1945), «Weekend at the Waldorf» (1945), «Holiday in Mexico» (1946), «On an Island With You» (1948), «A Date With Judy» (1948), «Chicago Syndicate» (1955) e «Desire Diabolique» (1959).

«El Manisero»

«Perfidia»

Nascido em Espanha, no município de Girona (comunidade autónoma da Catalunha), Xavier Cugat imigrou com a sua família para Cuba em 1905. Começou desde muito novo a sua atividade musical. Com 12 anos apenas, a sua formação em música clássica permitiu-lhe integrar a orquestra do Teatro Nacional, em Havana, como primeiro violinista. Emigrou entre 1915 e 1918 para os Estados Unidos, onde encontrou rapidamente trabalho acompanhando uma cantora de ópera. Cugar ainda tocou duas vezes no Canergie Hall, percorreu os EUA e a Europa numa digressão com uma orquestra sinfónica e foi solista da Los Angeles Philharmonic, mas o dinheiro e o feedback crítico não foram satisfatórios.

Na altura da febre do tango, por volta de 1918, Cugar ainda chegou a fazer parte de um grupo de baile popular chamado The Gigolos, porém, o seu envolvimento com o grupo foi curto. Com a diminuição da popularidade do tango, Cugar foi obrigado a fazer uma pausa para trabalhar como cartoonista para o jornal The Los Angeles Times, regressando ao mundo da música somente em 1920, com a criação do seu próprio grupo os Latin American Band. Embora tocassem regularmente no Coconut Grove, em Los Angeles, e fornecessem as bandas sonoras para curtas musicais, o grupo obteve o seu maior sucesso depois de se terem mudado para Nova Iorque e de se terem tornado a banda residente do Waldorf Astoria Hotel.

Cugar foi bastante criticado por a sua sonoridade ser ter alterado para uma característica mais comercial, ao que ele um dia justificou: “prefiro tocar o «Chiquita Banana» e ter uma piscina, do que tocar Bach e morrer à fome”. Cugar e o seu grupo permaneceram como a banda residente do hotel por um período de 16 anos, tornando-se no líder de banda mais bem-pago de toda a história do hotel. Em 1934, a sua banda foi convidada a tocar num programa de rádio numa emissão, aos sábados à noite, com a duração de três horas.

«Mambo nº5»

Numa altura em que líderes de bandas como Benny Goodman e Glenn Miller tinham atingido um elevado grau de popularidade, Cugat beneficiou de um conflito entre a sociedade americana de compositores, cantores e editores, e as estações de rádio. A sociedade retirou todas as músicas, que fossem nela registadas, das emissões de rádio, no entanto, Cugar tinha mais de 500 temas latinos não assinados na sociedade e rapidamente agarrou uma audiência enorme, tendo-lhe validado, por isso, o apelido de “Rei da Rumba”.

As participações em filmes, acompanhado da sua banda, ou mesmo sozinho, foram uma constante. Sendo que, a mais popular de todas, e a que serviu de rampa de lançamento para a grande tela, foi a aparição no filme «You Were Never Lovelier», em 1942, com a atriz Rita Hayworth, que tinha conhecido anos antes, ainda ela era uma bailarina sob o nome de Margarita Cansino.
As gravações do seus temas, durante a década de 50, contaram com a participação da sua terceira esposa Abbe Lane, no entanto, em meados da década de 60, as participações foram levadas a cabo pela sua quarta esposa, Charo, que acabou por ficar famosa a título individual, com temas como «Dance a Little Bit Closer» e «Love Will Keep Us Together». Cugat retirou-se do mundo da música em 1970, regressando a Espanha, onde acabou por morrer em 1990. 




Rubrica: Ocarina do Tempo #4

19 de Novembro...


Nesta quarta edição da rubrica Ocarina do Tempo, viajaremos até 1960. Altura em que os Estados Unidos da América atravessavam uma fase muito importante na proclamação dos direitos dos cidadãos afro-americanos. Foi exatamente a 19 de Novembro de 1960, que a canção «Georgia On My Mind», de Ray Charles atingiu o número 1 da tabela de vendas da Billboard, a Billboard 100. Mas não foi esta a única conquista do artista natural da Geórgia – um dos Estados norte-americanos que mais sofreu com a discriminação racial – Ray conseguiu transformar uma simples canção popular no hino de um Estado.

Desenvolveram-se grandes tensões entre o norte e o sul dos Estados Unidos, em 1860, aquando da eleição de Abraham Lincoln, republicano abolicionista, para presidente. Em 1861 iniciou-se então aquela que viria a ser conhecida pela Guerra de Secessão. Esta guerra opôs 11 Estados Confederados do Sul, defensores da escravatura, contra 19 Estados do norte a favor a abolição da mesma. Estes foram os principais ideais que colocaram o norte e o sul dos Estados Unidos numa guerra sangrenta, resultando numa vitória por parte dos Estados do norte. Em 1865, fora oficialmente abolida a escravatura.

Finalizada a guerra e depois de ter sido readmitida como Estado americano, em 1868, a Geórgia acabou por ser expulsa, em 1869, por recusar-se a validar a 15ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que concedia o direito de voto a todo o cidadão masculino e de maior idade, independentemente da raça. Só mesmo em 1870 é que foi aceite tal autenticação pelo Estado da Geórgia, tendo sido o último Estado americano a ser readmitido à união dos EUA. Nesta altura, já mais de metade da população da Geórgia era afro-americana.

Até à primeira metade do século XX, as escolas da Geórgia ainda eram vitimas de segregação. Foi através de uma ordem da Suprema Corte americana, que o governo da Geórgia foi obrigado a integrar crianças afro-americanas nas suas escolas, sob pena de encerramento do ensino no Estado. Em 1961, pela primeira vez em toda a história do Estado, foi possível uma coabitação entre crianças brancas e crianças negras em ambiente escolar.

A década de 60 foi muito marcante nos EUA no que diz respeito à igualdade racial. Em 1964 foi publicada uma lei que concedia uma série de direitos aos negros americanos, que veio a desencadear movimentos em prol da supremacia branca. Muitos negros ainda chegaram a ser linchados e queimados por grupos de terroristas organizados como os Ku Klux Klan (KKK), que retomaram a sua atividade depois de uma pausa de 50 anos.

Foi com todo este cenário de novas implementações de direitos e evolução de um conceito global de cidadania, que Ray Charles, nascido em Albany, Geórgia, compôs aquele que viria a ser o hino do Estado, «Georgia On My Mind».

A canção foi escrita em 1930 por Hoagy Carmichael (música) e Stuart Gorrell (letra). Aparentemente a letra foi dedicada por Gorrell à irmã de Carmichael, no entanto, a ambiguidade da música leva a crer que a mesma possa ter sido dedicada ao Estado norte-americano em questão. A música acabou por ser gravada, a 15 de setembro de 1930, por Hoagy Carmichael e a sua orquestra, mas só 30 anos depois, em 1960, é que o êxito ganhou as proporções que hoje lhe são reconhecidas, pela mão de Ray Charles.

Versão original de «Georgia on My Mind» por Hoagy Carmichael

Há uma história que conta que a inspiração para compor o tema veio de um concerto que Ray se recusou a dar. Ao que parece, o artista chegou ao local onde iria decorrer o espetáculo e deu de caras com uma manifestação devido ao facto de não deixarem entrar negros no concerto. Ray, como protesto antirracista, recusou-se a subir ao palco na mesma noite. Como consequência foi obrigado pelo governo a abandonar o Estado da Geórgia. Com base nesse acontecimento, Ray Charles escreveu então o tema «Georgia On My Mind» e incluí-o no álbum The Genius Hits The Road, lançado em finais de 60.

Uma semana depois de ser gravado, o tema atingiu o número 1 da lista Billboard 100 – exatamente no dia 19 de Novembro de 1960 – porém, a reconciliação com o estado da Geórgia só viria a acontecer em 1979, aquando do convite para interpretar o tema no contexto da Assembleia Geral da Geórgia, como símbolo da reconciliação com os direitos civis. A canção viria a ser adoptada como hino do Estado da Geórgia em abril do mesmo ano. A música acabou por ser utilizada numa montagem vídeo sempre que a televisão estatal saía à noite do ar, sendo apenas interrompida, em 2009, devido ao início das transmissões constantes, 24 horas por dia.

Versão de «Georgia On My Mind» por Ray Charles

Para além de ter sido a primeira canção de Ray Charles a atingir o número 1 dos tops de vendas norte-americanos (seguir-se-iam temas como «Hit The Road, Jack» e «I Just Can’t Stop Loving You»), «Georgia On My Mind» veio atingir aquilo que seria impensável acontecer durante todo o século XIX e na primeira metade do século XX: uma música de um artista afro-americano assumir-se como o hino da Geórgia, um Estado onde o racismo prevaleceu durante décadas.




Rubrica: Ocarina do Tempo #3


12 de novembro...

Na rubrica de hoje do Ocarina do Tempo vamos viajar até 1984, ano do lançamento daquele que não é considerado o melhor álbum, mas sim o álbum que catapultou Madonna para a diva que é hoje. Falamos obviamente de Like a Virgin, lançado a 12 de Novembro.

1984 foi um ano repleto de grandes acontecimentos a nível musical. A 28 de fevereiro, Michael Jackson arrecadava 8 Grammys através álbum Thriller. Dia 1 de março, Sting protagonizava o último concerto com a banda The Police, iniciando assim uma pausa que durou até 2007, ano em que se deu a tour da reunião. Um mês depois, no dia 1 de abril, o cantor de soul e R&B Marvin Gaye era assassinado pelo próprio pai depois de uma discussão derivada de uma perda de documentos de negócios. A 25 de Junho, Prince lançava o álbum Purple Rain, que é considerado, desde então, não só a obra de arte do artista, como um dos melhores álbuns pop-rock de sempre. Dois meses depois, a 9 de agosto, os Iron Maiden iniciavam a digressão World Slavery Tour, que viria a ser considerada uma das maiores digressões da história do rock. No dia a seguir os Red Hot Chili Peppers lançavam o seu primeiro álbum intitulado Red Hot Chili Peppers.

O primeiro MTV Music Awards aconteceu dia 14 de setembro de 1984. Este evento foi marcado pelo facto de Herbie Hancock ter ganho o maior número de prémios, perfazendo um total de cinco. No entanto, o ponto alto da cerimónia foi sem dúvida a performance de Madonna com o tema “Like a Virgin”, no qual a artista se apresentou em palco, vestida de noiva, protagonizando movimentos e poses provocantes, gerando alguma polémica em torno da atuação.

Dois meses depois, a 12 de Novembro de 1984, é então lançado o segundo álbum de Madonna, Like a Virgin, com o selo da Warner Bros. Madonna quis participar no processo de produção do disco, mas a editora negou tal pedido por parte da cantora e deixou a missão a cargo de Nile Rodgers, músico e produtor que já tinha colaborado anteriormente com David Bowie. Na altura em que foi editado, Like a Virgin recebeu todo o tipo de críticas, começando pelo controverso título que joga com o nome Madonna (nossa senhora, em italiano) e a frase “Like a Virgin”, resultando num paralelismo com Maria (Mãe de Jesus), que segundo a bíblia se manteve virgem toda a sua vida. A imagem da capa foi outra das controvérsias geradas em torno da obra de Madonna. Segundo alguns críticos, a imagem da artista, vestida de noiva e de bouquet ao colo, aliada à maquilhagem carregada e à expressão facial realçando a sua sensualidade, transformou Madonna num objeto não de virtude, mas sim de desejo e fetiche.

Os paralelismos com o primeiro álbum homônimo de Madonna foram frequentes nas críticas. Muitos preferiram a musicalidade do primeiro trabalho da artista, outros preferiram a vertente mais dançável de Like a Virgin. Alguns especialistas de música levantaram severas críticas ao facto da artista ter gravado uma versão mais infeliz da balada soul “Love Don’t Live Here Anymore”, de Rose Royce; outros acharam a versão de Madonna mais interessante. Basicamente as opiniões ficaram muito divididas, no entanto, os números é que foram os grandes vencedores desta batalha, pois, Like A Virgin foi o primeiro trabalho da cantora a atingir o número 1 do top da Billboard 200. O disco vendeu cerca de 10 milhões de cópias nos Estados Unidos e mais de 21 milhões de originais por todo o mundo, tendo sido considerado um dos álbuns mais comercializados até à data na história da música.

A faixa-título «Like a Virgin» foi o primeiro single do álbum a ser vendido. Mais de um milhão de cópias comercializadas nos EUA levaram a que o single entrasse para o primeiro lugar da lista Billboard 100, sendo o primeiro single de Madonna a atingir tal posição. O vídeo da canção mostra Madonna a navegar pelos canais de Veneza de gôndola e a deambular por um palácio vestida de noiva. Com este vídeo a cantora retrata não só a sua independência sexual como mulher, como o pecado, dado que a personagem que aparece mascarada de leão é, na realidade, uma alusão ao evangelista S. Marcos. A cidade de Veneza surge no vídeo como símbolo de romantismo e sedução.

Vídeo do single «Like a Virgin»

«Material Girl» foi o segundo single do álbum a ser lançado por Madonna. Este, em conjunto com «Like a Virgin», contribuiu para transformar a cantora no ícone que é hoje. O vídeo de «Material Girl» é uma recriação da performance de Marylin Monroe no tema «Diamonds Are a Girl’s Best Friend», do filme de 1953 «Gentlemen Prefer Blondes».

Vídeo do single «Material Girl»

«Angel», «Into the Groove» e «Dress You Up» foram os singles que se seguiram aos dois primeiros, não alcançando, no entanto, o sucesso dos mesmos.

Like a Virgin marcou a música pop desde então e serviu de influência para outros artistas que quiseram seguir as passadas de Madonna, muitos deles colaram-se bastante ao estilo da artista norte-americana ganhando o título de “Madonna wannabes”. Mas não foi só o mundo musical que ficou marcado pelo álbum Like a Virgin, a sociedade também ela se moldou à postura irreverente e provocante da artista. Madonna conseguiu uma espécie de liberalização sexual, no que diz respeito não só à maneira de pensar, como também à forma de vestir, de uma geração jovem que tinha uma mentalidade mais conservadora.

Em jeito de curiosidade, 1984 foi também o ano em que foi declarada oficialmente a fome na Etiópia, provocando mais de um milhão de mortos em apenas um ano. Talvez tenham sido estes números, ou outras situações semelhantes, a principal razão pela qual a cantora participou em ações humanitárias como o Live Aid.