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Rubrica: Designer Precisa-se! #8

O quadragésimo primeiro dia

Agora que o Natal passou e que nos preparamos para enfrentar um novo ano, assumo que já sinto a falta das noites quentes e dos longos dias do verão. É verdade, a estação que tanto nos aquece o corpo e a alma já começa a deixar saudades.Afinal quem é que não gosta dos três meses que nos arrastam para as praias do litoral ou para os refrescantes campos do interior? Julgo que ninguém.

De facto esta estação do ano surge em muitas representações musicais, não só pela ligação desta estação do ano com os ritmos latinos e africanos, mas também porque o sol é por si só uma fonte de alegria e vida cuja os povos sempre celebraram ao longo dos tempos através da música. É certo que em alguns locais do globo terrestre o verão é muito diferente do aquele que nos habituamos ver, mas ainda assim é celebrado.  Razão pela qual os Sum 41 tenham escolhido o nome da banda para celebrar o último dia do, curto, verão canadiano, em 1996. Conta-se que banda de pop punk terá desenvolvido um diminutivo da expressão  "41 days into the Summer", usada no Canadá para descrever a sua "quarentena veraneante".


Still Waiting, um dos singles mais aclamados da banda canadiana.

Apesar de curiosa, esta história não tem livrado a banda de Deryck Whibley de criticas pesadas dos media. A banda já foi enumeras vezes considerada uma das piores da década de 2000, o que contrasta com os discos de Platina e de Ouro conquistados no Canadá e nos Estados Unidos, assim como com os milhões de fãs conquistados no Japão. O culminar do sucesso é atingido em 2005 com a conquista de fãs no velho continente a ser acompanhada pelo galardão de melhor banda rock do ano, nos canadianos "Juno Awards", com o álbum Chuck.

Nada disto podia ter sido alcançado sem dois discos que viriam a marcar a história de qualquer teenager do novo milénio. Antes de mais o alvo do "Designer" desta quarta-feira: o EP Half Hour of Power (2000), que não só foi o primeiro registo da banda como ainda influenciou muito o sucessor All Killer No Filler (2001). Mas vamos por partes.


A capa do primeiro EP dos Sum 41. Uma das mais hilariantes e despropositadas de sempre.
Em 2000, quando optaram por assinar com a Island Records, os Sum 41 lançaram o seu primeiro EP. Descomprometido, violento "q.b", com a genica do punk, os refrões do pop e a "leveza dos 16". Eram estes os ingredientes que figuravam os 11 temas, de um dos maiores EP's que já tive a oportunidade de observar. Aliás não sei se faz muito sentido chamar-lhe EP, mas talvez tenha sido uma forma da banda iniciar o seu caminho na industria musical sem correr grandes riscos. Dúvidas à parte Half Hour of Power é para mim um autêntico tubo de ensaio para o que viria a acontecer um ano depois com All Killer No Filler, álbum onde a banda se afirmou com os marcantes temas: «In too Deep» e «Fat Lip» ou a autobiográfica « Summer». 

É verdade que a história do punk tem para nos oferecer capas gritantes, berrantes e estranhas para os mais distraídos, mas esta não pôde "escapar". Half Hour of Power pode até lembrar-nos dos tempos do American Pie e das típicas acções despropositadas da adolescência,  mas ainda assim não consigo compreender o porquê daquele rapaz surgir numa capa de um EP, em roupa interior, com uma boina militar na cabeça. Para culminar, é claro, aquilo que parece ser um cruzamento entre um utensílio qualquer do "Doraemon" (personagem principal de uma série de anime japonês) e uma típica bisnaga, réplica de uma arma de fogo real. Já para não falar do mar de chamas que circunda este autentico "cromo", que conferem à capa o aspecto de um qualquer filme de acção dos anos 80, com a participação de Arnold Schwarzenegger.    Em suma esta "sleeve" é uma verdadeira "salada russa" de elementos sem nexo e que unidos se tornam hilariantes. De todo o modo o lettering é ajustado ao do logótipo da banda e talvez o elemento mais normal em toda esta estranha composição.



Deixo-vos com os vídeos de «Summer», do EP: Half Hou of Power (2000) e «In Too Deep», do álbum All Killer No Filler (2001):

 «Summer» ao vivo no Readding Festival em 2002


Videoclip de «In to Deep» o single mais aclamado da banda canadiana de pop/punk



Designer Precisa-se! #8

Demasiado "XXX"

Numa semana em que a agenda dos festivais de verão aparenta estar a “rechear-se” ninguém se mostra indiferente ao regresso dos Queens Of The Stone Age a Portugal. De facto a banda de Songs for the Death (2002) recebe há já alguns anos o carinho dos “rockers” portugueses e certamente levará alguns milhares de pessoas à Herdade do Cabeço da Flauta, onde pelo quarto ano consecutivo se realiza o festival Super Bock Super Rock.

A popularidade dos “QotSA” é de resto bastante generalizada, visto que a banda natural da Califórnia é uma das responsáveis pelo aperfeiçoar um dos sub-géneros que vieram a marcar o início do novo século. O stoner rock une o melhor do Hard Rock e do Psicadelismo dos velhos “antepassados”, não só porque se assume como uma das vias secundárias da vastíssima e vaga categoria do rock alternativo, mas também por ser uma espécie de revivalismo de bandas como: Blue Cheer ou os Black Sabbath. Ao ouvir a banda de Palm Desert, esta “mescla de géneros” faz ainda mais sentido, visto que o “patrão” da banda, Josh Homme deixou o sol da Califórnia e rumou para Seatle, em 1995, onde veio a fazer parte dos Screaming Trees, uma banda que “arranhava” o grunge.

Josh Homme, na imagem, é o "patrão" dos Queens of the Stone Age.

Na época o vocalista e guitarrista bebeu do que melhor se fazia em Washington e voltou, três anos depois para formar os Queens of the Stone Age. O “pai” da banda norte-americana trouxe com ele Van Conner, baixista de Screaming Trees e Matt Cameron, baterista de Soundgarden. Para finalizar esta formação inicial, mais grunge, juntou-se ainda o guitarrista John McBain.

Mas, e como ainda hoje acontece, os Queens of the Stone Age estão em constante mutação, visto que a banda não consegue manter uma formação fixa durante muito tempo. Prova disso foi a rápida troca de três dos cinco elementos iniciais por outros três velhos conhecidos de Josh Homme. Nick Oliveri, baixista, e Alfredo Hernadez, baterista, partilharam os palcos com o musico nos Kyuss, uma outra banda californiana de stoner, e David Catching, com o qual a banda já tinha trabalhado em estúdio.

Estávamos então em 1998 e os QotSA preparavam-se para lançar uma das suas primeiras obras-primas. O álbum homónimo marca não só o começo de uma carreira muito respeitada, como também o importante vinculo com Stone Gossard. Na época o guitarrista de Pearl Jam, foi o responsável pelo lançamento disco através da sua Loosegroove. Queens of the Stone Age consegue a proeza de reunir a generosidade rímica do hard rock, o negrume lamacento do grunge e ainda o melhor que os Kyuss deixaram, principalmente quanto ao peso dos riffs e à melancolia da voz. É certo que Josh Homme não deve ter gostado da comparação feita com a sua anterior banda e por isso algum tempo depois do lançamento do álbum desvalorizou as parecenças e chamou-lhe “robot rock”.

Queens of the Stone Age marca o começo de uma carreira com 15 anos.

“Beliscados” ou não, Josh e "companhia" deviam ter dado algum do seu tempo à escolha da capa uma capa. Não que a imagem feminina não seja uma boa forma de mostrar o lado mais sensual de um álbum, mas o facto é que ao olhar para esta capa não me salta à vista essa sensualidade. Afinal de contas as mãos da modelo são másculas. A cor da fotografia também não é a melhor e saltam à vista pormenores, muito pouco ortodoxos na roupa interior que fazem desta imagem algo digno de uma capa de um filme para maiores de 18 anos. Já para não falar que esse filme seria, com certeza, classe B, visto que o lettering e cor escolhidos para o nome da banda também não são os melhores, lembrando até a ferramenta Wordart que alguns editores de texto possuem. No fundo esta até pode ser a capa mais razoável que a rubrica apresentou até hoje, mas não deixa de ser a pior que a banda tem e de possuir elementos que acabam por prejudica-la ainda mais.

Falsas sensualidades à parte, o álbum reune temas com grande importância para o percurso dos californianos. «If Only», «Avon», « Hispanic Impressions» ou «You Can’t Quit Me Baby», podiam muito bem figurar uma qualquer coletânea  mais completa, da banda. Mas, e apesar de não terem sido single em 98, «Mexicola» e «Regular John» são sem dúvida os temas chave deste disco. Esta "atribuição" deve-se não só pela forma como, ainda hoje, são apelados pelo público, ao vivo, como pela intensidade quase insana que oferecem através de um baixo “sujo” e corpulento que vai sendo “rasgado” por histéricas linhas de guitarra e marcantes breaks de bateria.

Olhando para trás, e mesmo ouvindo todos os cinco álbuns da banda,claramente influenciados por este registo, Queens of the Stone Age não parece mesmo ser um álbum com 14 anos. O que por um lado pode significar que o tempo passa sem que dêmos por ele, mas por outro porque talvez o stoner destas "malhas" mantenha-se, até hoje, “intocável” e intemporal. Quanto ao tempo nada pode ser feito, mas se a música é ou não intemporal cabe aos próprios Queens of the Stone Age, como embaixadores deste género tão "seu", continuar a defendê-la, não só no concerto de 20 de Julho, para jubilo dos fãs portugueses, mas principalmente no seu sexto álbum de originais, com lançamento marcado para 2013.

Relembre aqui os temas«Mexicola» e «Regular John», tocados ao vivo:




Rubrica: Designer Precisa-se! #7

86-59-87

Lembro-me que entre os últimos anos da década de 90 e o princípio do novo século passei a ter televisão por cabo em casa, o que não só me fez deixar a actividade desportiva, trocada nesta altura pelo zapping, como também me mostrou que haveria mais do que quatro canais. É verdade que por esta altura eu era apenas uma criança e para mim ver a MTV significava “aturar” a minha irmã, sete anos mais velha, a dançar ao som de Kelly Minogue e Britney Spears. Tudo bem, eu admito, até gostava de alguns pormenores de ”Cant Get You Out Of My Head”, principalmente do “La La La” inicial. Mas também o que se podia esperar de uma miúdo de 8 ou 10 anos?

A influência teenager da minha irmã não duraria muito tempo, visto que vim a descobrir que a Dance Pop não era de todo a minha “praia”. Na época não tinha muito por onde explorar, visto que os discos de vinil do meu pai estavam à muito “enclausurados” num velho armário. Tudo isto por força de uma avaria, sem arranjo à vista, do gira-discos “trintão” que servia agora como decoração da sala. A minha solução vingou num qualquer Sábado do ano 2000, no qual fui almoçar a casa de uns tios e descobri, entre os cd’s do meu primo, um álbum que veio a marcar a minha infância.

Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000), o terceiro disco de originais dos norte-americanos Limp Bizkit. Uma bomba para os meus pequenos ouvidos que me causou, na época, uma sensação de libertação muito fora do comum. No fundo eu achava-me muito “rebelde” por estar a ouvir aqueles temas repletos de palavrões e distorções poderosas. Este álbum marcou-me tanto que, segundo me lembro, enchi um mealheiro, com moedas de 200, para o comprar, pois era “chato” ter de ir a casa dos meus tios sempre que quisesse ouvir temas como “Rollin”,“My Way” ou My Genneration.


"My Genneration".Um dos maiores êxitos da banda de Fred Durst

De facto é impressionante como uma banda, que a nível técnico nem parecia ser nada interessante, pode influenciar uma geração inteira de “putos” que, como eu, quiseram seguir as “pesadas” do polémico Fred Durst comprando os “míticos” bonés da New York. Acho que nem os próprios Limp Bizkit esperavam atingir este sucesso, após os dois primeiros álbuns que juntos não atingiram o volume de vendas do terceiro disco. Afinal de contas 12 milhões de discos em 33 que a banda vendeu até hoje é um registo muito interessante.

Não concordo, porém, com a maioria dos críticos que vê a capa de Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water como algo inestético. Julgo que é, de resto a melhor capa da banda natural da Flórida, que apenas peca pelo lettering desinteressante. Para más capas, estes senhores do Nu Metal já estão muito bem servidos com Gold Cobra (2011), álbum que recupera a história da banda e que “reconquista” alguns fãs ofendidos com Results May Vary (2003) e o seu single, cover ,“Behind Blue Eyes”. Mas hoje decidi “pegar” na que para mim é a mais desinteressante capa, da banda do excêntrico Wes Borland.

The Dollar Bill, Yall$ (1997), é o nome do primeiro álbum da banda formada em Jacksonville, e marca não só um mau início para os Limp Bizkit, como também um novo marco para a história do metal. Esta relação pode até parecer desconexa, mas a verdade é que em 97, e após a saída do disco, a Billboard 200 qualificou o disco com uma nota muito fraca, factor algo prejudicial para uma banda que dava aqui os seus primeiros paços no mercado discográfico. No entanto a “louca” participação da banda no, importante, festival Ozzyfest, no qual montou em palco um wc gigante, fez com que a lista de melhores álbuns permeasse os Limp Bizkit com o 22º segundo lugar.

The Dollar Bill, Yall$, o primeiro álbum dos Limp Bizkit, que contou com 2 milhões de cópias vendidas.

É certo que em 97 era raro ver uma banda de Metal com um Dj/ Scratcher, um baixista de Funk e um estranho vocalista, que balanceava entre o gutural e o Rapp, mas esta fusão homogénea de estilos urbanos, partilhada com bandas como os Korn, veio a influenciar o trabalho de muitas outras bandas, tais como os Linkin Park ou os Slipknot, que vieram a figurar autênticos êxitos na “década zero” do século XXI. De interesse quase “histórico” é o facto da banda, neste primeiro álbum, ter chegado com maior facilidade ao grande público através de um cover de George Michael. “Faith” apresentam de forma muito directa a relação que o Nu Metal tem com o Hip Hop, visto que em ambos os géneros a memória é um instrumento crucial para a criação de música “nova”.

Podíamos ainda falar de “Counterfeit”, o primeiro single do disco, que apresenta as intenções da banda de forma muito sucinta, ou até mesmo da forma como a banda participou na banda sonora do filme Very Bad Things (1998). Mas a verdade é que este “modelo” apesar de apresentar um “86-59-87” está muito mal vestido, ou seja, o disco pode até apresentar bons predicados mas a capa não está a altura.


"Counterfeit", o primeiro single do álbum estreia da banda norte-americana. Um dos temas responsável pelo convite que os Korn fizeram a Fred Durst para gravar uma "battle" em "All in The Family".

Quando olho para a capa de The Dollar Bill, Yall$ lembro-me, imediatamente, do meu 2º e 3º ciclo escolar e dos cadernos dos meus colegas mais “rufias”. O que neste caso não teria que ser necessariamente negativo, isto se os meus colegas fossem óptimos designers, o que não era o caso. O “dread” que surge no lado esquerdo da imagem é mesmo o melhor que esta capa tem para dar, não só pela forma que depois vem a marcar as capas seguintes, mas porque mostra a identidade da banda através das linhas carregadas, aparentemente desconexas e “rabiscadas”. Prova disso é a utilização deste mesmo elemento masculino, marcadamente urbano, na capa do segundo álbum. No entanto o lettering usado, em jeito de tag, torna imperceptível o nome do disco e quanto ao tipo de letra usado para “desenhar” o nome da banda só posso dizer que é “fraquinho”.

Em defesa da banda só posso mesmo acrescentar que o facto da pior capa de um carreira ser a logo a primeira, revela que a banda ainda estava, muito provavelmente, a procurar uma identidade visual e sobretudo os meios necessários para apostar na qualidade dos grafismos agregados ao disco. O que definitivamente “enterra” por completo a capa do novo disco. Mas nem tudo na vida são capas e aposto que esta temática não tem tirado muitas horas de sono aos músicos do “Sunshine State”.


Deixo-vos com a versão dos Limp Bizkit do tema "Faith" de George Michael:
(ver o original aqui)


Rubrica:Designer Precisa-se! #6

"Um pãozinho sem sal"

Se na semana passada o tema “velhos anos 90” parecia poder vingar, então a edição desta semana do Designer Precisa-se, vai confirmar a especulação.A década do Pop Punk, do Grunge e do “novo metal” foi também a década de experiências no mundo da electrónica. Os avanços conseguidos neste universo musical nasceram da influência “Dub” jamaicana, que em terras de sua majestade, obteve um novo fôlego  sobretudo a partir de junções e fusões com o Punk, o Rock e o Hip Hop.

Na época os produtores britânicos quiseram ir mais longe, e deixaram de ser apenas simples “operadores” de misturas em estúdio, para se afirmarem como verdadeiros músicos por direito. Do influente “peso auditivo”, criado pelas “batidas” de bombos, timbalões e baixos electrónicos, nasceram subgéneros que vieram a fundar novos géneros. Pode até parecer confuso, mas é certo, que ao longo da história, este cruzamento de “linhas sonoras” e sucessivas experiências trouxe sempre novidades ao mundo da música. No fundo, o Sound System, o Jungle, o UK Garage ou o Hardcore abriram portas às criação do Industrial, do Break Beat, do Dub Step ou até mesmo do Big Beat.

É, aliás, do Big Beat que vamos falar hoje, mais particularmente de uma das bandas que o tornou notório e que ainda hoje arrasa palcos a nível mundial: os The Prodigy, um louco trio britânico que nasceu no início da década e veio a marcar uma geração.Os criadores de “Breathe” começaram a traçar o seu caminho a partir de 1990, na cidade de Braintree na Inglaterra, na qual começaram a juntar material que viriam a mostrar pelas “Rave Partys” espalhadas pelo país insolar. De pressa, Leeroy Thornhill, Keith Flint e Liam Howlett começaram a ganhar fãs, não só pelo bom trabalho que Liam ia produzindo, como também pelos verdadeiros brilharetes que Keith e Leeroy, davam como animadores/ bailarinos, nos concertos ao vivo. A explosão de movimento criada nas atuações levou o MC Maxim Reality, atual vocalista, a juntar-se à banda.

"Breathe" um dos maiores sucessos da banda britânica.

Dois anos depois a banda lançou Experience , o primeiro álbum de originais, que não só marca o inicio da comercialização do som da banda, como também uma forma diferente de ver o projecto, que anos mais tarde se viria a modificar e tornar Keith Flint vocalista da banda. Deste primeiro trabalho ressalta o mítico “Fire” que não terá hoje a expressão de temas como “Omen”, “Firestarter” ou "Spitfire", temas de álbuns posteriores, mas que pode bem ser visto como um dos propulsores da sonoridade banda.Isto se tivermos em conta a linha melódica do sintetizador, em jeito de “banda sonora dos jogos da Nintendo" aliada a um ritmo pujante, complexo, muitas vezes continuo, e às inconstantes vocalizações gritadas e agudas.

Experience marca o ínicio de uma história de sucesso, mas não espelha de todo a energia explosiva e a cor  da banda britânica.
O único senão deste álbum é mesmo a capa, que não sendo inestética ou estranha, como as que aqui têm sido analisadas, é demasiado “ insossa” e até insípida  o que não só a torna pouco marcante para primeira, como também constitui um verdadeiro paradoxo para com o tipo de som praticado no disco. O simplório fundo branco parece desaproveitar o bom lettering desenvolvido por Alex Garland, que sendo escritor devia estar demasiado habituado a lidar com tipos de letra, preocupando-se desta feita, apenas com esse capítulo. Sabe-se ainda que esta escolha pode ter sido reforçada por Alex ser filho do cartoonista inglês Nicholas Garland, que certamente teria prestado, aos Prodigy, um melhor trabalho do que o seu rebento guionista.

De destacar, ainda, a caixa cinza na qual o nome do álbum surge, em letra formal e ainda uma outra, que parece enclausurar o artigo definido - "the”. Ambas as caixas são ainda acompanhadas de uma terceira, nas versões castanha e azul do álbum que dão conta de uma espécie de edição expandida, com lados B e remisturas dos temas da primeira edição.Acabo por retirar que estes destacáveis dão ao álbum um aspecto de ficha-formulário online, para a aquisição de um endereço de e-mail,ou de qualquer outra situação protocolar em que é necessário o preenchimento de campos destacados por esquadrias.

Quem sabe se esta capa não inspirou os criadores do Hotmail, o primeiro serviço de web mail da Internet,  seis anos depois?  

Recorde o videoclip de "Fire", um dos temas de Experience (1992)


Rubrica: Designer Precisa-se! #5

Um novo Punk

Hoje deixamos os "cintilantes" anos 80 e avançamos uma década. Sim, infelizmente os anos 90 também possuem muito bom material que possa figurar neste “cantinho”. A época pode ser de tenra memória para muitos, mas repare-se que já se passaram 22 anos e, de resto, a década da flanela, do Grunge e do Pop /Punk marcou não só o nascimento do autor da rubrica, mas também o surgimento de ícones incontornáveis na vida de qualquer teenager. Entre as novidades destaco os míticos patins em linha, a revolucionária PlayStation ou o clássico filme da Disney O Rei Leão (1994), que hoje parece coisa de criancinhas, mas segundo me lembro conseguiu que muitos “calmeirões” das escolas secundárias vertessem lágrimas no momento da morte de Mufasa (o pai do pequeno Simba).

Afianço-vos que pegar nestes teenagers não é de todo despropositado e que até faz todo o sentido, visto que os adolescentes foram desde sempre os primeiros alvos das indústrias discográficas a nível mundial. Se pelos anos 50 as novidades circulavam em volta dos “Rockabilly”, que transpiravam brilhantina, e os discos de R&B, nos anos 90 os gostos diversificaram-se entre o Grunge, as Boysbands, o Hip Hop, o Nu Metal e o Pop Punk.

A minha escolha de hoje podia muito bem recair nos Backstreet Boys, nas Spice Girls, ou nos saudosos Nirvana, mas não podia deixar impune a importância de bandas que transformaram o Punk em música “para as massas”. Entre os responsáveis estão os Green Day e os Offspring, duas bandas norte-americanas que marcaram a diferença no mundo da POP entre finais dos anos 80 e a década de 90, justamente por unirem a energia frenética do Punk aos refrões marcantes e coloridos dos registos mais "Populares".


Os Offspring (foto) foram uma das bandas responsáveis pela evolução do Punk Rock e do nascimento do Pop Punk nos anos 90.

No fundo este era um estilo novo, fresco e que remetia os ouvintes para os desportos radicais e para as actividades de alto risco, como o Skate o Downhill ou o Budging Jumping. Esta realidade veio, na época, a formar uma “nova onda” que empolgou os jovens, possuidores de mesadas “sofredoras”, a comprar discos e ver concertos deste “novo Punk”.

Decidi, por fim, escolher os Offspring, visto que, entre a minha pesquisa, saltou à vista a horrível capa de Smash (1994), o terceiro trabalho de originais da banda de Dexter Holland. O lettering não me chocou, é até bem simples e o mais usado pela banda ao longo da carreira, não fosse ele encabeçar um inestético monte de manchas pretas e amarelas, que por cima de um fundo castanho, tentam formar um plano médio de um esqueleto humano. Nada podia piorar, não fosse o nome do álbum surgir em vermelho, o que me lançou uma questão: Quem é que no seu prefeito juízo coloca vermelho sobre este tom, de algo que não devo especificar, e ainda arrisca conjugar manchas para adquirir uma espécie de um “efeito Compton”? Não sei se alguém terá a “envergadura mental” para encontrar uma resposta viável, mas confesso que já me sinto “esmagado” de tanto a tentar achar.


Smash até pode ter marcado a história da editora  independente "Epitaph", mas não deixa de ter a pior capa da carreira dos Offspring.

Tirando este defeituoso “Raio X” o álbum não tem mesmo nada de errado, aliás é até algo marcante, não tivesse sido o disco mais vendido de sempre por uma editora “indie”, até aos dias de hoje, com 6,3 milhões de cópias adquiridas. Este marco histórico motivou uma autêntica “corrida à banda” por parte das grandes editoras americanas que, sem sucesso, foram tentando fazer chegar propostas à banda. Só em 1997, três anos depois, a Columbia Records (actual Sony Music) conseguiu convencer a banda de Huntington Beach, a assinar um contrato discográfico.

Negócios à parte, Smash deu ao mundo dois sucessos incontornáveis na história banda Californiana: “Come Out and Play (Keep ‘Em Separeted)” e “Self Esteem”. O primeiro tema apresenta-nos um arrojo nas composições da banda com um riff baseado numa escala arábica, o segundo fica na memória pelo coro desafinado e distorcido com que inicia.

É óbvio que estes temas não firmaram o sucesso que a banda alcançou com “Pretty Fly (For a White Guy)”, o principal single de Americana, mas deram o mote a muitos dos temas compostos nos álbuns seguintes. Aliás a última faixa, e homónima do álbum Smash, mostra-nos um riff muito idêntico ao que é usado em “Pay The Man”, uma das faixas de Americana.

Com uma melhor ou pior capa o certo é que os Offspring começaram em 94 a coleccionar fãs e um reconhecimento generalizado, que os tornou, não só, num pequeno fenómeno, como também numa referência para esta nova forma de fazer Punk. Hoje já não imprimem a mesma energia que documentam os videoclips, visto que a idade e a massa adiposa já não o permite, mas lançam Days Go By, em Junho deste ano, que não só continua a mostrar do que estes californianos são capazes como também nos brinda com uma capa muito mais agradável a qualquer “vista desarmada”.



Fiquem com os dois grandes êxitos de Smash (1994):

“Come Out and Play (Keep ‘Em Separeted)” 



 “Self Esteem”


Rubrica: Designer Precisa-se! #4

A origem do mal

Já vimos, nas três edições anteriores, que a influência nas capas atuais provém da “eletrecidade” e brilho ostensivo dos anos 80. A revolução tecnológica dos 16 bit’s e dos sintetizadores assim como uma nova vaga de músicos “estudados” trouxeram a esta década, aparentemente “milenar”, arranjos mais aprofundados que tronaram qualquer tema, composto – por exemplo - num quarto de hotel, uma obra-prima irreconhecível e com muito “power”. Mas este brilho espampanante, e por vezes demasiado colorido, teve os seus antepassados recentes, visto que a década de 70 já tinha deixado “sementes”.

Tudo pode ter começado em 1967, quando os Beatles lançarem Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, álbum que influenciou toda uma geração e que muitos acreditam ser a primeira capa verdadeiramente pensada e com olhar artístico. Aberto o precedente, segue-se uma autêntica revolução no Rock britânico, que lançou bandas como Pink Floyd, numa primeira fase, ou Black Sabbath e Led Zeppelin numa segunda vaga. Lançadas as bandas o eterno “combate” entre Estados Unidos e Inglaterra, para encontrar a nação com os artistas Rock mais aclamados, intensificou-se e o caso que vos trago hoje não está de todo dissociado dessa autêntica “guerra fria” de acordes, letras e ritmos.

Em 1968, um ano depois de os Beatles lançarem “Sgt. Peppers”, surgem os Deep Purple, banda natural de Hertfordshire (Inglaterra), que alcançou o sucesso através do som simples, forte e dos solos que viriam a marcar a história do Heavy Metal, género musical inexistente na época e que veio a dar os seus primeiros passos poucos anos mais tarde.

"Smoke on the Water" é o tema mais emblemático da banda Inglesa


Decerto, o tema que marca a história da banda britânica é, de todo, “Smoke on the Water”, o quinto tema de Machine Head, sexto álbum da banda. Este foi não só o responsável pelos milhões de discos vendidos no mundo inteiro como também pela autêntica revolução que operou na composição de riffs de guitarra. A possibilidade de um “míudo” aprender a tocar guitarra através de um riff básico, mas com grande impacto, agradou a gerações de crianças e jovens dos cinco continentes.

Sabe-se que o tema foi gravado em estúdio em Dezembro de 1971. No mesmo ano a banda britânica lançou Fireball, álbum que marcou o inicio da “fase II”, como vulgarmente é chamada. Nesse trabalho a sonoridade da banda sofreu algumas alterações e ocorreu uma troca na formação original. Road Evans (voz) e Nick Simper (baixo) divergentes com os restantes elementos, em relação à sonoridade que a banda queria construir, vieram a ser substituídos por Ian Gillan (voz) e Roger Glover (baixo), que permitiram aos Deep Purple iniciar o seu percurso no mundo da “eletrec idade” e ao mesmo tempo poder compor álbuns muito mais versáteis, para além do “classic rock”.


Fireball pode até ter uma capa inestética mas é responsável pela viragem sonora dos Deep Purple.


Mas se a sonoridade da banda veio a alterar-se e sobretudo a amadurecer, o bom gosto pela edição das capas também deveria ter seguido a corrente, isto porque Fireball apresenta uma “face” no mínimo estranha e que não joga muito a favor do bom material que ali começava a surgir. Quando observo a capa deste álbum destaco, à partida, quatro elementos fundamentais: O bom lettring escolhido para o nome da banda, sóbrio na posição certa e numa cor neutra, o fundo “espacial” muito típico da época e ao qual já vou estando habituado, o lettring do nome do álbum, que acho apropriado à época e que apenas peca pela posição e finalmente o estranho meteorito - que se assemelha a uma célula reprodutiva masculina – e cujo núcleo contem as faces dos cinco elementos que observam algo, supostamente, fora de campo.

É certo que neste caso podemos associar esta tendência para as capas espaciais com o fenómeno tecnológico da época que tinha culminado, dois anos antes, com a chegada de Neil Armstrong à lua, e que este “estranho meteorito” esteja ligado ao nascimento de uma nova fase da banda, na qual o criativo e engenhoso guitarrista Ritchie Blackmore pôde finalmente aumentar o som e o “patrão” Ian Paice pôde finalmente dar uso à tecnologia multipistas e dar “pujança” às suas malhas de bateria. Mas e então porque raio haveriam eles de estar no dito meteorito? Não consigo entender este fenómeno.


Veja aqui a atuação ao vivo dos Deep Purple com o tema: "The Mule", um dos singles do álbum Fireball 


Rubrica: Designer Precisa-se! #3

Pantera "cor de rosa"

Nesta edição do “Designer precisa-se!” procurei manter-me na década de 80, visto que para além do Hard Rock, que caracterizou essa época, “encontrei” outra corrente que veio a vingar de forma tão clamorosa que não a podia deixar cair no esquecimento: o "Glam".

Inspirado no aspecto e comportamento excêntrico de David Bowie, e no polémico apelo visual de Alice Coper , este novo género viveu o seu auge entre os anos 70 e o inicio da década de 80, vindo a vingar através de bandas como os Kiss, os Poison e os Bon Jovi. Glamour, raça, atitude, rímel e cabelos compridos, tudo conjugado num só género musical. No Glam a cor, o sexo, e o Rock n’ roll eram palavras de ordem e muitos músicos adotaram rapidamente este estilo de vida que, obviamente mais tarde ou mais cedo, se viria a notar nas composições, mas principalmente nas atuações ao vivo e nas capas dos álbuns.

Entre as bandas “afetadas” à posteriori surgiram, curiosamente, os Pantera, banda de Groove Metal, conhecida essencialmente por êxitos como Cowboys from hell, álbum que data de 1990 e que nos apresenta uma banda de riff’s trash e letras simples, marcantes e incisivas. Mas nem sempre foi assim, pois o título de 1990, que de resto protagonizou o maior sucesso de vendas dos norte-americanos, foi o 5º álbum da banda natural do Texas, e sucedeu a álbuns como I am the Night (1985) e Projects in the jungle (1984), marcadamente menos “pesados”.

O primeiro trabalho da banda remonta a 1981, época na qual o vocalista ainda não era Phil Anselmo mas sim Terry Glaze, um autêntico propulsor do glam no mundo do metal que foi “convencendo” os restantes elementos a viver a “cena glitter”. Ao ouvir Metal Magic notam-se grandes diferenças entre "estes Pantera" e aqueles a que a maioria possa estar habituada. Apesar das características “arrancadas” prodigiosas do icónico guitarrista Dimebag, a garra impressa nas vocalizações e nas letras era, na época, visivelmente menor e o “Groove” praticamente engolido pela sonoridade Hard Rock. Tínhamos portanto, na época, não uma Pantera negra, como a partir dos anos 90, mas uma “Pantera cor de rosa”.

Metal Magic foi produzido por The Eldn', pai dos irmãos Darrell ( Dimebag e Vinnie Paul).

Pior do que imaginar os quatro elementos dos Pantera em “collants” e fatos cintilantes foi mesmo ver a capa com que apresentaram o primeiro trabalho ao público. Numa escala de 1 a 5, dar-lhe-ia um 2,5 sem qualquer espaço para arredondamentos, visto que o choque foi tão grande que na época precisei de me sentar. Compreendo que as capas de Far Beyond Driven (1994) e de The Great Southern TrendKill (1996) não sejam um exemplo a seguir e que a capa de Projects in the jungle (1984) seja muito pior e praticamente ininterpretável, mas é ainda mais verdade que “não existe desamor como o primeiro”, e a capa de Metal Magic torna-se um alvo fácil por ter sido a primeira.

Onde é que já se viu uma espécie de pantera branca com orelhas de gato, juba de leão e corpo de um lutador greco-romano? Espero que em nenhum sítio pois, caso contrário, estaríamos realmente diante do final do mundo tal como o conhecemos. Quem sabe, os nossos antepassados Maias tenham mesmo visto um destes Felídeos mutantes e pensado o mesmo. Teorias apocalípticas à parte, este estranho animal acaba por me levantar sérias questões, entre elas, o porquê de alguém que não tem calças,e que não é, aparentemente, um pugilista precisar de um cinto e ainda o porquê de ter uma arma branca que consegue, em simultâneo, ter um cabo de uma espada samurai e um arpão de pesca submarina.

Num dia em que se celebram os 125 anos de Amadeo de Souza-Cardoso, pergunto o que pensaria o, há muito falecido, pintor português destes rabiscos de mau gosto. É óbvio que Souza-Cardoso não viveu tempo suficiente para ver tal barbárie do mundo do design, mas se visse, tenho a impressão que no mínimo iria "torcer o nariz". Já eu, que só viria a nascer 10 anos depois do lançamento do álbum, tenho hoje a oportunidade de afirmar que nem o lettering se aproveita, mas que, ainda assim, é o que de melhor a capa pode proporcionar e talvez tenha sido esse o elemento que me levou a pensar dar-lhe 2,5 numa suposta avaliação. 

Felizmente para os fãs dos “novos” Pantera, e para os fãs de boas "sleeves", Phil Anselmo veio a substituir Glaze em 1988 para a gravação de “Power Metal”, álbum que marca a viragem musical, visual e conceptual da banda até ao seu fim. 


Recorde aqui o single homónimo de Metal Magic e vejas as diferenças para «Cowboys from Hell» single que deu o nome ao 5º álbum da banda natural do Texas:







Rubrica:Designer Precisa-se! #2

Cintilante e pirosa...

Neste segundo “Designer precisa-se”, procurei encontrar uma capa que pudesse espelhar o espirito espampanante dos anos 80. A expressividade, a cor, e principalmente a fraca manipulação de imagens fez com a minha tarefa, de encontrar uma má capa, se tenha tornado “pera doce”. A “vítima da semana” é mais do que uma má capa, pois trata-se de uma autêntica regressão no tempo digna de “Born this Way”. A par do álbum da contemporânea Lady Gaga (que analisei na primeira edição da rubrica), este foi um verdadeiro fenómeno de vendas do seu tempo.

Hoje vamos falar, sem mais rodeios, de The Final Countdown , álbum que data de 1986 e que se revelou um marco para a carreira internacional dos suecos Europe, essencialmente por conta do single homónimo do disco, que foi nº1 nos tops de 26 países. “The Final Countdown”, é ainda hoje um verdadeiro hino, utilizado para animar os intervalos de estádios de todo o mundo, em programas de televisão entre outras manifestações mediáticas de momentos “épicos”.


O 3º álbum da banda sueca foi maioritariamente escrito pelo vocalista Joey Tempest.

Este 3º trabalho da banda nórdica foi tão bem sucedido que foram vendidos mais de 10 milhões de discos por todo o mundo. O dado mais curioso é que dos 10 milhões vendidos, 4 milhões foram adquiridos por norte-americanos, que tinham na época enumeras bandas nacionais da mesma “praia”. Talvez a justificação para esta febre tenha mesmo sido a autêntica revolução que The Final Countdown veio a revelar, visto que era mais do que hard rock, puro e duro, tratava-se de uma onda muito mais heavy, com traços claros de metal sinfónico ligados a arranjos coloridos e electrónicos.

Até agora pareciam estar reunidos todos os ingredientes para que o “bolo” saísse perfeito, não fosse a corriqueira capa escolhida para “encapuzar” o disco. Na “sleeve” podemos encontrar um lettering típico da era “glam” mas, desta feita, com um toque muito mais industrial, quase “digitalizado”, e que em algumas versões surge obscenamente cintilante, capaz de cegar quando observado à vista desarmada. Mas se todos os problemas do mundo fossem o tipo de letra e a cor do título deste álbum então a Terra viveria em paz, isto porque a capa mostra-nos autênticos “cromos” da Panini, com desenhos pictóricos das faces dos cinco elementos da banda, a serem sugados pela atmosfera terrestre.

 Assumo que, neste momento, me sinto algo diabólico por olhar assim para um trabalho que, no final de contas, é um marco para a história da música popular, mais do que não seja pelas vendas que obteve, mas para mim, que nasci no inicio da década de 90, é impossível olhar esta capa e não pensar no genérico de abertura dos “Bike Mice from Mars”( em português: “Motoratos de Marte”)  uma serie de desenhos-animados que nos mostrava três ratos, alienígenas e motares, que vieram do espaço para salvar a terra das garras dos “Plutarquianos”, uma outra raça de extraterrestres. Talvez esta associação possa até não ser a mais justa, mas balanço entre quem ficará a perder mais, os fãs dos Europe, ou os fãs da série infanto-juvenil. 



Recorde aqui a primeira faixa do álbum, que foi um autêntico êxito e hoje é vista como um clássico:




Rubrica: Designer Precisa-se! #1

As piores capas de álbuns dos últimos 30 anos


A partir de hoje, esta rubrica semanal vai abordar, às Quartas-Feiras, o atractivo mundo das capas de discos da cultura Pop/Rock desde a década de 80.

Para muitos o hábito faz mesmo o monge, e para que não restem dúvidas o que se vai fazer aqui é descobrir se uma má capa pode “transportar” igualmente um mau disco. Os dois componentes mais importantes de um álbum de música, desde a invenção do vinil, podem estar dissociados no que toca à nota artística, visto que, por vezes, há significados, sensações e mensagens que dificilmente são aceites e entendidas visualmente, e é por isso que podemos afirmar que uma má capa pode afinal ser uma capa estranha, difícil de interpretar ou simplesmente uma capa ignóbil ou “sem sal”.

Será que um trabalho que pode levar meses, ou até anos, a ser feito pode ser encarado de forma tão simples? Afinal a arte não pode ser avaliada a “preto e branco” e temos de estar abertos a “zonas cinza” da opinião e da especulação. O meu compromisso é responder a essa questão, neste espaço “às Quartas”.

A capa que escolhi para esta primeira crítica, é a de Born This Way, álbum editado em 2011 pela norte-americana Lady Gaga, que por conta deste trabalho atingiu a primeira posição de 34 tops em todo o mundo, incluindo a lista da Billboard.


Esta é a capa do álbum de Lady Gaga que  tem reunido uma contestação quase unânime, não só dos críticos, como também do grande público, e até dos fãs da cantora.

Na capa encontramos um fundo negro, onde se destacam o nome do álbum, numa fonte de letra normal para o estilo que a artista já nos habituou, e o busto da cantora, que surge de forma pouco ortodoxa integrado numa mota de grande porte. Lady Gaga " a duas rodas" que me faz lembrar o Mad Max, um  filme  que conta com a participação de Mel Gibson, e dá-nos o retrato futurista de uma Austrália “pós apocalítica”, onde reinam a destruição e grupos de motards rebeldes.

A imagem até pode ter uma conotação rebelde, mas o que nos salta imediatamente à vista é que é muito mais apocalítica do que a visão futurista de Mad Max e mais “ruidosa” do que “as motas da morte” que o filme de George Miller imortalizou. Este é talvez um dos fortes exemplos de capas “estranhas” que vou abordar nesta rubrica, visto que ninguém estaria a espera de ver Lady Gaga como um guiador de uma mota de alta cilindrada.

Para alguns críticos, nem o tipo de letra “se salva”, visto que Sean Michaels, do jornal “The Guardian” afirmou na sua apreciação que a capa tinha  «uma fonte de texto cromado de porcaria».

Não foi, porém, por ter uma capa pouco escorreita que o álbum não foi mais um fenómeno de vendas da polémica artista Pop, Born This Way, vale mais do que a capa tem para dar e é um autêntico ensaio social executado por Gaga, que quis demonstrar um renascer da raça humana, entre canções muito dançáveis e de profunda raiz electrónica como «Judas»( muito contestada pela comunidade católica) e a homónima «Born This Way» . Saltam à vista influências do Pop/ Rock dos anos 80 e 90, visto que muitos dos temas soam a versões futuristas e musculadas de Madona e Whitney Houston, reforçadas pela participação Brain May (Queen) que “emprestou” à artista os seus solos para a gravação do álbum.

Na defesa desta estranha capa, está o significado que a artista quis passar.É um pouco rebuscada a visão apresentada para justificar este autêntico mamarracho, mas supostamente, a intenção de Gaga foi levar toda a temática dos temas para a “cara” do disco, e “nasceu assim” um ser mutante, meio humano, meio mota que tem um caminho a percorrer na luta pela igualdade e pelos direitos de todos.

Não sabemos até que ponto esta justificação é viável, mas o que é certo, é que a artista norte-americana tem aqui um novo motivo para ficar na história da Pop, mais do que não seja pela irreverência dos temas de Born This Way e pela feia capa que este álbum tem.