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Viajei com o Acaso Até Aqui #18

A confusão com os Wolfgang é muito fácil. Aliás demasiado fácil, quase falaciosa de tão escorregadia que é. A diferença está num espaço entre as duas coisas: o ‘wolf’ e o ‘gang’. Os primeiros nasceram em 1992, nas Filipinas, e são uma banda de heavy metal e hard rock. Foram a única banda com aquela nacionalidade a editar álbuns no Japão e nos EUA. As traduções linguísticas são traiçoeiras e considerá-los um grupo de lobos ou de pessoas cruéis é, talvez, duro demais. O dicionário refere-se ainda a ‘wolf’ como ‘indivíduo insaciável’. Se se aplica aqui? Pode ser. E agora com o tal espaço. 

Falamos de Wolf Gang: Max McElligott, Gavin Slater, James Wood e Lasse Petersen. Há cerca de três meses andavam na estrada com os Keane, na digressão por terras britânicas. Regressados a casa, voltam também aos trabalhos de casa. Preparam o segundo álbum de originais - depois de Suego Faults (2011) - que deverá ainda ser lançado este ano, pela Cherrytree Records. 

A história da banda de rock alternativo começa com a vida de estudante de McElligott. Formava-se em Antrolopogia na London School of Ecnomics quando decidiu parar durante um ano. Queria experimentar a música.  Os instrumentos que aparecem naquele primeiro disco, editado há dois anos, foram todos tocados por ele. Dave Fridmann, produtor de Flaming Lips e MGMT, ajudou a montar as peças soltas. Seguiram-se críticas favoráveis no The Guardian, na Spin Magazine e na Pitchfork. 


Foram descobertos pelo Off naquele lugar encantado chamado Burberry Acoustic. A versão slowmotion de «Back to Back» foi ouvida pela marca e desde logo quis que os Wolf Bang actuassem no Fashion Night Out em Setembro de 2011. Seguiram-se outros desfiles de moda e de vaidades, animados com os seus sonoros, como Emporio Armani e Thom Browne/Harrods.

O ano passado entreteram os amantes de Coldplay nas primeiras partes dos concertos e constaram no cartaz de Coachella, na Califórnia. De resto, já foram banda de abertura de outros espectáculos: Editores, Florence and the Machine, Miike Show, Naked and Famous e The Killers. E no ano passado, em Dublin, Irlanda, no Artur's Day Music Festival tocaram ao lado de Aloe Blacc, Ed Sheeran e Scissor Sisters. 

http://www.wolf-gang.co.uk/
http://www.myspace.com/thisiswolfgang

Viajei com o Acaso Até Aqui #14

A Burberry Acoustic é um lugar encantado. É feito de montras aos quadradinhos e nasceu por iniciativa daquelas marca de roupa britânica. Esta convida artistas ao acaso para fazerem videos com sons e versões improváveis, em cenários ainda mais inesperados. As surpresas surgem a cada clique e ao fim de três ou quatro minutos (sempre que um video acaba e começa um outro). 

Um dia destes, o Christopher Wall estava lá. Ou melhor o Chris Wall. «Posterity» era a  música que o apresentava (e não o contrário). Feito que estava o clique, a voz dele entoou assim:


Nas pontas dos dedos tinha um piano. E em redor, uma praia. A voz parecia saída da água do mar de tão natural que é, podendo até levar a uma desconfiança quanto ao ajustamento do timbre ao corpo de Chris. 

Depois, imperava fazer o seguinte: perceber quem era o Chris. Ora, faz parte do duo Soft Bullets (balas suaves, para se ser mais preciso). Ele, do Reino Unido; Dan Capaldi, dos EUA. Juntos criaram uma espécie de ligação hiperreal, tal como o título do EP Hyperreality, lançado em Novembro do ano passado pela Township Music. 

O som que produzem está um pouco longe do Chris-versão-bucólico-melancólico, mas continua escuro e silencioso. Viajam dentro de um trip-hop e uma electrónica. São felizes com a cacafonia de um piano, de guitarras, das percussões e de samples, que resulta em «Another Chance» e «Broken Circuits». O site Echoes and Dust escreve que eles devem ter decidido fazer isto depois de terem visto concertos de Justice ou de Daft Punk. Aquele sítio acrescenta ainda que o Thom Yorke devia soar a isto quando era mais novo.  

Com uma orquestração tímida, mas poderosa, Soft Bullets ficam bem naquela realidade 'hype', como numa outra. São autores de um blogue com o mesmo nome do duo. Vai ser ainda mais fácil ouvir falar deles por aqui.