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Fora do Casulo

Apresentação do novo álbum de Márcia no Cinema S.Jorge

“Muito boa noite” - com uma doce timidez. É assim que Márcia Santos sobe ao palco do Cinema S.Jorge.  Não esconde que não gosta da exposição nos concertos e de ter todos os olhos em si. Talvez por isso sobe ao palco tão acompanhada.
Casulo é o seu segundo álbum de originais. Dois anos depois de , a cantautora deixou as canções escritas no intimo do seu quarto e escreve agora sobre coisas tão diversas quanto a maternidade e a política, muito ao seu jeito, com a subtileza de quem se esconde por trás de uma suave voz que ecoa sobre uma sala cheia.

«Decanto», «Sussuro» e «Delicado» são as primeiras músicas da noite. Tendo apenas chegado às lojas no dia anterior, conseguem embalar uma audiência que se deixa levar, ainda que não consiga acompanhar cantando.
Para a primeira viagem a 2011, com o tema «Misturas», Márcia chama ao palco a primeira convidada da noite, “a querida Celina da Piedade”, que ao acordeão toca “uma canção do disco anterior, não obstante ao facto de ser o lançamento” do sucessor. Ainda na companhia da acordeonista, «Deixa-me ir», o primeiro single de Casulo, é cantado já com a ajuda de alguns membros do público, mais não seja por ser um tema actual, político até, não daqueles que se cantam frente à Assembleia, mas sim daqueles que inspiram a compreensão. Márcia faz referência também ao vídeo, realizado por Miguel Gonçalves Mendes.

“Espero que estejam a gostar, porque está quase a chegar ao fim. Os concertos são como a feijoada, pensem nisto”, diz entre risos. “Eu pelo menos demoro duas horas a cozinhar, mas depois como muito rápido”. Ainda em Casulo encontramos «Camadas» e «Menina». Para esta última, Márcia trouxe uma flor vermelha que colocou no cabelo e trouxe também o segundo convidado da noite, Samuel Úria, que a acompanha nesta faixa no disco. Samuel entra pelo lado direito do palco, a meio da música, e puxa por Márcia, que até então se tinha mantido reservada e quieta. Depois de apresentar todos os músicos, e ainda com Samuel Úria em palco, passa para o tema «Mais humano sentimento são», que surge com um novo arranjo com toques de bossa-nova e que tem história por trás. “Tocámos esta no Maxime, numa brincadeira, e temos vindo a tocá-la, desde 2009, sempre que nos cruzamos em concertos”, revela Márcia.

 «Pudera Eu», «A pele que há em mim», desta vez sem JP Simões, e «Vem» levam-nos de volta a . «Hora Incerta», «Brilha», «Paz da Noite», que podia ser uma canção de embalar e que marca o regresso de Celina da Piedade, e «Desmazelo» encerram o alinhamento no novo disco e revelam uma Márcia mais comunicativa e que se movimenta mais em palco.
«Pra quem quer» e «Cabra Cega», também do primeiro disco, foram os momentos altos do concerto. A primeira contou com um coro de vozes do público orquestrado pelo baterista João Correia e a segunda contou com a presença de todos os músicos convidados em palco, uma despedida “para disparatar".

No bilhete lê-se “Márcia”, mas deveria ler-se “Márcia e Amigos”. Mais de sete passaram pelo palco, uns ajudaram no disco, outros tantos estão espalhados pela plateia. E Márcia não poupa agradecimentos e salienta o espírito de camaradagem, ainda que não goste da palavra. Uma celebração de amigos, que não só puxa Márcia para fora do seu Casulo como permite desvendar um pouco mais sobre a pele que há em si.

Nem tudo acabou em 69


A Fnac do Colombo estava cheia, mais do que alguns concertos, muitos disseram. O lançamento do livro E tudo acabou em 69 sobre os Filarmónica Fraude não deixou cadeiras vazias. O livro, editado pela Guerra e Paz, é uma tentativa de contribuir para a história da música portuguesa, que está muito pouco documentada, e dá a conhecer uma banda que para muitos é uma incógnita, mas que marcou a música que é feita em Portugal no presente. “Cresci a ler jornais e a sensação que tinha era que a história da música portuguesa mudava em 1980. Antes apenas existia fado e música de intervenção”, explica o autor Rui Miguel Abreu, para quem o livro se escreveu praticamente sozinho, fruto de uma série de conversas.

Num ambiente descontraído, entre a família, os amigos e os fãs, os quatro membros presentes recordaram bons momentos. “Não éramos grandes executantes, mas éramos grandes compositores” assume António Pinho, que mais tarde integrou a Banda do Casaco. A capacidade única que tinham para compor levou-os a descobrir as raízes e a aproveitar-se do Portugal rural. “O facto de sermos provincianos e atrasados faz com que tenhamos uma forte tradição oral”, conta Luís Linhares entre risos. “Percebemos isso quando uma vez acampámos num sítio, que tinha um sinal a dizer “No Camping”, mas nós somos portugueses resolvemos lá ficar. Uns alemães juntaram-se a nós e à noite resolvemos tocar canções populares. Nós tocamos a «Ó rama ó que linda rama» e eles a «Hey Jude»”, completa.

O facto de serem de Tomar e provincianos, como se intitulam, fez com que aplicassem o que “importavam” da música lá de fora para a maneira de estar em Portugal. Já o nome surgiu de uma espécie de antagonismo. “Sempre me fez confusão o facto de uma filarmónica ser um conjunto e ser uma palavra no singular, e queria dar a volta a isso. Depois de muitas experiências chegámos ao nome Fraude, que gerou um consenso imediato, uma vez que completa o conceito, destruindo-o simultaneamente.”, explica António Pinho, que se continha, a muito custo, para não revelar as histórias do livro. 

A carreira dos Filarmónica Fraude foi curta. Ao ouvir agora o que fizeram então, reconhecem uma forte ingenuidade e inconsciência, assim como a diferença nas condições de antes e agora. Tal como muitos grupos da altura viram a sua sentença ser ditada pelo serviço militar obrigatório.

Mas nem tudo acabou em 69. Ficaram as histórias, as memórias, as peripécias, as gargalhadas e as saudades. Uma juventude de outros tempos agora relatada num livro que “não é só a nossa música, é a nossa época”, como viria a afirmar Luís Linhares mais à frente. Para acompanhar o livro, os Filarmónica Fraude gravaram um EP, no qual fizeram uso da tecnologia para aperfeiçoar a música de sempre.

Hip-hop em discussão


28 de Fevereiro, Fnac de Alfragide. Uma noite dedicada ao número 15. 15 anos da Fnac que serviram de mote para passar em revista os últimos 15 anos da cultura hip-hop em Portugal.

Rui Miguel Abreu, jornalista, autor do Rimas e Batidas, um programa de rádio dedicado ao hip-hop maioritariamente nacional mas também internacional juntou-se a NBC e Nuno Serrão, ou DJ Kwan, dos Mundo Complexo, cujas carreiras começaram no final dos anos 90, e também a Vanessa Cardoso, jornalista do site H2tuga, que é considerado o órgão oficioso de divulgação de hip-hop em Portugal, numa conversa sobre o passado, presente e futuro deste género.

O disco RAPública, lançado em 1994, marcou o início desta cultura no nosso país, uma cultura que, no arranque, “trazia a mensagem do outro lado do oceano”, como disse NBC. Estreou-se com os Filhos de um Deus Menor em 1999, grupo cujo único disco entregou em mão a Rui Miguel Abreu no Lux, como ambos recordam.

“Na altura dava-se a cara pelos projectos, isso dava logo uma outra credibilidade, o gesto de olhar a pessoa olhos nos olhos e dizer: aqui está o meu trabalho”. O rapper lamenta que parte desse espírito de luta se tenha perdido e que hoje não se faça um trabalho tão completo no que toca à construção da mensagem que se pretende passar, uma vez que basta mandar as músicas para a net.

A sociedade sofreu mudanças, o hip-hop ultrapassou as vendas da música country e com isso vieram aspectos bons e maus. “O Hip-hop deixou de ser mais ligado ao protesto e à reivindicação e apareceram bandas cuja mensagem era fazer as pessoas abanar o rabo”, explica Nuno Serrão. “Mas depois ao mesmo tempo começámos a ter um programa diário de hip-hop em Portugal e também nomes ligados a esta área nos grandes festivais” . Contudo, o hip-hop falhou em singrar no mainstream, uma questão puramente cultural, já que os portugueses estão muito enraizados no rock e não há muito espaço para uma música que é “muito pesada para o ouvido”.

O hip-hop português já não é regional. Começou em Lisboa, mas, quando foi pedido aos oradores que enumerassem projectos novos que os entusiasmassem, a escolha recaiu sobre os Tribruto, do Algarve, que tem boas letras, bons instrumentais e que sabem fazer uso dos meios visuais existentes hoje em dia.

As inovações tecnológicas trouxeram um hip-hop bem produzido, mas também um hip-hop menos auto-crítico, segundo Rui Miguel Abreu. “Quando se gravava em pistas tinha-se um limite de 16, pelo que era necessário tomar decisões. Mas agora, gravando em computador, o número de pistas é ilimitado”. Os elementos visuais ilustram a música que é feita, mas a sua crescente popularidade tem vindo a inverter as prioridades. “As pessoas antes tinham como propósito gravar o disco e os trocos que sobravam ficavam para o vídeo, mas agora a preocupação é o vídeo”, completa. Já NBC “culpa” a nova cena hipster, em que a imagem vende mais do que a própria música. “Quando fui lançar o meu single na rádio pediram-me para voltar quando tivesse o vídeo”. 

Esta primazia do vídeo acontece porque a internet tem vindo, cada vez mais, a crescer como meio de comunicação. Prova disso são as crescentes visitas ao site do H2tuga, que celebra este ano o seu décimo aniversário. “Os jornais perdem suplementos, as revistas perdem páginas. Há pouco espaço na comunicação social para falar de música, principalmente de hip-hop. Como se não bastasse, as pessoas lêem cada vez mais online” afirma Vanessa Cardoso.

Quanto ao futuro do hip-hop, os quatro acreditam que passa por uma reacção, uma vez que a música tem o poder de mudar o mundo. “Nos últimos tempos voltei a 1999, quando ouvia a «Fight the power» em casa. Foi algo que me mudou e os meus trabalhos vão ser reflexo disso, A música pode de facto mudar o mundo, as pessoas têm é de saber desacorrentar-se” conta NBC, que está prestes a lançar o EP Epidemia. Já para Nuno Serrão, é inevitável pensar em política e reagir, mesmo não sendo um artista de intervenção. “Está na altura de falar menos de amor e mais da realidade”. 
 

Valete no Campo Pequeno


O melhor do hip hop nacional reunido no Campo Pequeno, Xeg, Regula, Bónus, Adamastor, Sam the Kid, “Fez-se história” disse Valete no final do concerto.

Foi uma “cena séria” dizia Valete ao longo de todo o seu concerto, enquanto cantava e contestava a vida dos «Subúrbios», durante o dia ou «À Noite», e pediu no fim que “não censurem” aqueles que “vão cometer atos de desespero movidos pelo fim do estado social”. 

Valete subiu ao palco pouco depois das 23h da noite, para um publico que já tinha sido aquecido por Xeg e Regula, na primeira parte.

Sempre com Bónus e Adamastor (que fez questão de estar presente no concerto, com a garganta inflamada) Valete está em cima do palco como o Rocky está em cima do ringue. Dá pequenos saltinhos no seu canto, esperando a sua vez de atacar.
 
Cantou tudo o que esperávamos dele, e mais. Abriu com «Monogamia» e logo depois dizia “Não sabem quantos somos” em resposta a um jornalista que havia perguntado porque não fazer um concerto num local mais pequeno como o Musicbox. “Não sabem quantos somos”.

Pediu desculpa pela demora do seu novo àlbum Homo Libero, antes de Samora subir ao palco para cantar um excerto do mesmo (com Samora subiu também uma violinista), uma “cena séria” que teve direito a repetição.

Vimos Bónus e Adamastor cantarem sozinhos e mostrarem porque é que acompanham Valete nas suas demandas até cantarem «Canal 115» e ficámos com a sensação de que eram mesmo capazes de cuspir fogo.

Durante todo o concerto Valete teve por detrás de si videos que iam acompanhando as musicas, vimos declarações, videoclips, pequenos filmes que foram mostrando ícones de revolução, Ghandi, Martin Luther King, Malcom X, Bob Marley ou Julian Assange apareceram por trás de Valete dando força às suas letras de inssureição.

Foi com a tela que conversou em «Revelacão» virado de costas para o público, foi mantendo o diálogo com uma luz que fazia a voz de Deus e do Diabo, depois de Nuno Lopes ter subido ao palco para impressionar com «O meu País».

Além de Bónus e Adamastor, ao palco subiram também “Jimmy P”, de braço partido para uma «Ode à adolescência», Orlando Sá dos Orelha Negra ficou sozinho para «Since You've Been Gone», além de Samora e Nuno Lopes já referidos. Já para o fim foi a vez do Sam the Kid “na batalha comigo desde 1997!” para «Presta Atenção» e «Poetas de Karaoke», altura em que Xeg e Regula sobem também ao palco para de repente termos o melhor do hip hop nacional juntos e em cima do palco. 

Depois de muitas horas, o publico já estava cansado, mas para o fim estava o melhor de Valete. «Mulheres da minha vida» e «Roleta Russa» reaqueceram a plateia, «Vampiris» e «Fim da Ditadura» puseram-nos aos saltos, e depois estava na hora de acabar “Já nos estão a mandar embora”. 


Valete pediu uns minutos para “16 barras de despedida” e com «Anti-Héroi» acabou de vez.
“Fez-se história.” 


Um osso vaidoso e um Lucas «exagerado»


Osso Vaidoso no CCB ( Foto: Rita Sousa Vieira - Sapo "On the Hop")

Mais uma noite de Misty Fest, desta feita no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), na companhia de Osso Vaidoso e de Lucas Bora-Bora que tentaram aquecer o público, que, molhado pela chuva, assistiu a dois concertos de uma hora, cada, no conforto das cadeiras almofadadas da sala Lisboeta.

De apelido paradisíaco, Lucas Bora-Bora foi o primeiro a pisar o palco na noite de quinta-feira e quis, desde cedo, celebrar o primeiro aniversário do seu primeiro EP Não há crianças em Las Vegas, tocando o single, e provavelmente o único tema conhecido para a maioria dos presentes, «Deus na Rádio». A celebração parecia até estar a correr-lhe bem, mas cedo os samplers oriundos de dois portáteis, e que substituíam um baterista humano, começaram a denotar falhas técnicas e principalmente a “engolir” o som dos outros instrumentos. «Peço desculpa pelas pausas mas é preciso accionar o “playback”», justificava o músico nos momentos mortos criados.

A plateia parecia ter gostado do ambiente “molecular” de «Pós Humanos» e da POP em estado “puro” de «Demasiadas Coisas» e «Beatriz», onde Lucas se fez acompanhar apenas por uma guitarra acústica. A meio do concerto a atenção dos presentes estava agora completamente centrada nos elementos cénicos que iam surgindo no ecrã atrás dos músicos. Afinal de contas ninguém ficou indiferente aos rostos de mulheres com expressões faciais pouco ortodoxas, ou trocando por miúdos, as “caretas” que iam provocando pequenas gargalhadas abafadas pelo respeito aos músicos. «Oh meu Deus! Que caras», exclamava discretamente uma das presentes na plateia.

Até ao final Lucas ainda provou que de facto «Não há crianças em Las Vegas». Tocou ainda «Exagerado» tema original de Cazuza, cantor brasileiro que Lucas considerou um «Herói». «Vou fazer o meu melhor para interpretar bem a canção», confessou o músico, que provou aqui as fortes influências com a sonoridade POP da década de 80. Lucas saiu de palco e, sem explicação aparente, não voltou para o encore que, supostamente, constava na Set List oficial com a repetição de «Deus na Rádio».

Um novo álbum à porta

No intervalo o público aproveitou para relembrar o quanto chuvosa estava a noite abandonando, massivamente, o pequeno auditório com o objectivo de voltar, poucos minutos depois, e ver subir ao palco os Osso Vaidoso. Ao fim de contas Ana Deus e Alexandre Soares são músicos já bem conhecidos do público português, não só pela passagem de ambos pelos, já extintos, “Três Tristes Tigres”, mas também pela passagem de Alexandre pela formação original dos portuenses "GNR".

A dupla deu um concerto com pouco mais do que uma hora e deambulou entre os temas do álbum-estreia Animal (2010) e novos temas que surgirão num próximo trabalho. «Estamos num fase em que vamos experimentando ao vivo coisas que estamos a compor e gravar em estúdio. Por mim o ideal era lançar o novo álbum entre Janeiro e Fevereiro, mas acredito mais no mês de Fevereiro». Avançou Alexandre no “bar dos artistas” do CCB após o concerto no pequeno auditório.

Para o músico portuense este foi um concerto «diferente» por força do formato, em auditório, que inibe muito mais o público. «Demos tudo o que temos em palco, e quanto a mim acho que correu bem, mesmo sabendo que o público sentado reage de uma forma muito diferente daquele que encontramos noutra qualquer sala ou mesmo nos concertos ao ar livre». Acrescentou o co-autor de temas como “Poligamia”, “Animal”, “Prematura” e ”Matematicamente” que marcaram a primeira metade do concerto. Alinhadas, correspondentemente, fabricaram na sala uma atmosfera densa, envolvente, burlesca e teatral, responsável pela união “triangular” entre o Homem, a guitarra e a poesia.

De facto “Animal”, para além de se tratar do single homónimo do álbum de estreia, é ao mesmo tempo um ótimo cartão-de-visita para a dimensão poética dos Osso Vaidoso, canibal, rastejante e alérgica aos parasitas “deste mundo”. Mas essa dimensão não é um produto exclusivo da banda natural da “invicta”, visto que Valter Hugo Mãe e Regina Guimarães, filhos da mesma cidade, marcam presença nas palavras que Ana Deus vai “esmiuçando” a cada segundo.

Os momentos da noite foram protagonizados por “Elogio da Pobreza”, mordaz, odiosa e critica, “Fado”, música que, segundo Ana Deus, é tão «nova que nem nome tem» e que nos trás a “magia” dos três acordes do património imaterial da humanidade (fado) e ainda tributo a Velvet Underground, com uma adaptação do tema “Venus in Furs” da banda nova-iorquina.

Mas a noite não podia terminar sem que após 11 temas, que deixaram a vocalista «toda torta» e «farta da própria voz», surgissem dois encores. No primeiro destaque para a visita a um «Portugal pequenino». No segundo, um momento de genialidade na guitarra de Alexandre que na contagiante “Cola Cola” se multiplicou através do looping e que de forma “sinistra” ia explorando a voz madura e com uma enorme elasticidade de Ana. Uma despedida com o segundo single de Animais a entoar em cada «BABY» invocado na letra.

É certo que, a nível visual, o concerto não acrescentou muito à experiência sonora do álbum, mas talvez esta dinâmica minimalista, muito ligada aos gestos dos dois corpos em palco, seja a “cena” dos Osso Vaidoso, e quanto a isso resta-nos ver o próximo concerto e confirmar a tendência. 



Clique nas imagens e faça o Download do álbum-estreia dos Osso Vaidoso e do Primeiro EP de Lucas Bora-Bora:

                                       



Misty Fest 2012: CCB Recebeu Lucas Bora-Bora e Osso Vaidoso


Estava uma noite chuvosa este dia 15 de Novembro. Facto que não fez com que as pessoas deixassem de se deslocar até ao CCB para mais um dia de espectáculo no âmbito do Misty Fest: Lucas Bora-Bora e Osso Vaidoso foram os artistas.
Lucas Bora-Bora nasceu no Hawaii, e aos 24 anos vem para Portugal mostrar o que aprendeu com a televisão e com a rádio. Pouco passava das 21h10 quando sobe ao palco. Particularmente repara-se no fato azul que Lucas trazia vestido, bem como caricatos vídeos a passar no pano de fundo da banda, onde se apresentavam várias senhoras que, segundo parece, ensinavam pequenos truques de beleza.
O público mostrava-se algo reticente em receber Lucas Bora-Bora com entusiasmo mas, á medida que foram mostrando a sua música, o público começou a entrar mais na onda da música da banda.
Temas sobre amor, felicidade, desilusões, fazem o mote deste concerto. Entre uma e outra música o vocalista mostra-se algo nervoso, mas coisa que não faz questão de esconder: Toca pela primeira vez o tema «Demasiadas Coisas», e tem boa receptividade do público. Parecia que as coisas estavam a começar a aquecer, quanto mais o concerto se ia desenrolando.
Tocaram temas como «Beatriz», «Vanessa» e «Anita», esta última do seu EP Não Há Crianças em Las Vegas, disco produzido pela Optimus Discos.
Findo o concerto, agradece com um “Agradeço a vossa vida, foi … bom!”. Os músicos retiram-se do palco.
O público vai agradecendo o espectáculo, animado, com palmas demoradas, prova de que a música portuguesa continua a soar bem no ouvido.
A plateia faz agora uma pequena pausa, preparando-se para a próxima vaga de som que se aproxima: Osso Vaidoso. Osso Vaidoso tem como parte integrante Ana Deus (Ex. Ban) e Alexandre Soares (Ex. GNR). Um projecto que, ao que se entende, continua a ter pernas para andar.
Ana Deus apresentou-se de vestes negras e lenço na cabeça, característico da cantora. Alexandre dedilhou o primeiro solo de guitarra, seguindo-se o tema «Animal», com Ana Deus balançando-se ao ritmo da música.
«Elogio da Pobreza» foi outro dos temas entoados, tema este que fala sobre não ter bens materiais, mas sim bens que o dinheiro não compra: “Há coisas que são minhas, nem do dinheiro dependem”, solta Ana Deus, sempre com o seu olhar misterioso e o seu jeito bamboleante.
“A próxima é tão nova que nem tem nome. Chamamos-lhe «Fado», não?” – uma graça de Ana Deus que deu lugar a uma guitarrada acústica de Alexandre e “a voz”.
Tocam “Vénus de Peles”, uma versão dos Velvet Underground, com Ana Deus sentada numa cadeira, apreciando ela também a efusiva guitarrada de Alexandre, tal como a plateia.
Por duas ou três vezes que se retiraram de palco, voltando sempre para dar mais emoção ao público.
Guitarradas fortes, cheias de vida e de emoção, acompanhadas pela voz doce e forte de Ana Deus foram os ingredientes-chave para o sucesso deste espectáculo. Um estilo de música bastante “random” para o tipo de espectáculos a que estou acostumada mas, para verdadeiros apreciadores de Osso Vaidoso e afins, mereceram todas as palmas que lhes foram atribuídas.

Soja no Coliseu dos Recreios


Quando entrei na rua do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, vindo da Martim Moniz, sabia que o concerto de Soldiers of Jah Army estava esgotado. Poucas horas antes, via-se na Internet gente desesperada para comprar um bilhete a alguém, via-se na rua pessoas à porta a perguntar se alguém tinha um bilhete a mais.

Antes das portas abrirem as pessoas iam-se juntando à fila para entrarem, de um lado e do outro, que ia desde as portas do Coliseu e corria uns 150 metros até à última pessoa, que nunca o era por muito tempo. Ia-se gritando “Soja! Soja!” como se de uma manifestação se tratasse.

Em tempos de crise, a cultura Reggae em Portugal parece não ter perdido fãs, bem pelo contrário. As pessoas que se iam juntando à fila para entrar, não deviam ter carta de condução há muito tempo, e deviam ser poucos os que acompanhavam os Soja desde Peace in a Time of War de 2002, surpreendidos por uma afluência jovem que não resistiu à mensagem da banda do estado da Virgínia.


A mensagem é o mais importante que os Soja têm para passar, foi isso que disse Jacob Hemphill, o vocalista, quando foi tempo de agradecer a uma casa cheia, que acompanhou o concerto em festa, no bom ambiente característico do Reggae. E que soube acalmar nas músicas que assim o pediam, quase transformando o público em família, que ao som de «Rasta Courage» parecia ter transformado o Coliseu dos Recreios numa vigília em nome de algo melhor.

A banda que foi buscando aos seus 5 álbuns os temas a apresentar neste concerto, tocou a inconfundível «You Don't Know Me» em tons de samba. Com a melodia do pianista Patrick O'shea como fundo, os membros da banda foram acompanhando a música com percussões de samba, que mais uma vez puseram o coliseu aos saltos, quase em transe.

Com o avançar do concerto, os Soja foram contagiando um coliseu inteiro, e quando Richie Campbell apareceu para tocar «Blame it on Me» e «That's How We Roll», o coliseu fez questão de responder. Estava em cima do palco com os Soja um português também, e de repente lutar por aquilo em que acreditamos fazia sentido.

Foi com  «Tell Me» e «Here I Am» que tocaram pela última vez naquela noite em Lisboa. No fim ninguém estava triste, acredito que tenha sido pela enorme atuação que os Soja deram em palco, e não pela presença de drogas leves, habitual num quotidiano jovem, mas que em ambiente de Reggae são quase uma necessidade como ouvi alguns a comentar enquanto esperavam na fila.

Ficou, no entanto, a faltar «True Love» do álbum Peace in a Time of War, num alinhamento onde não faltou quase nada, «True Love» é uma música incontornável. Podemos não conhecer os Soldiers of Jah Army, mas algures no tempo ouvimos a «True Love».


Alinhamento:
I Don't Wanna Wait
Mentality
Rest of My Life / Faith
Decide You're Gone
Strength To Survive
Be Aware
When We Were Younger
Rasta Courage
You Don't Know Me
Let You Go
Revolution / To Whom
You and Me
Not Done Yet
Sorry                                                                         
Everything Changes
Tell Me / Here I Am






Aline Frazão e uma noite em pontas de pés

Quando era pequena dizia que era com ele que queria cantar. E naquela noite a Aline já era uma miúda crescida. Em cima do palco do Cinema São Jorge, em Lisboa, estava pronta para chamar por ele. Ele apareceu do lado direito, meio tímido, como se não estivesse habituado a isto. A plateia, há muito que estava pronta para lhe bater as palmas, não fosse ele Paulo Flores. Num semba de outros tempos, juntos entoaram "N'guxi", de Belita Palma.

A ansiedade dele era outra: queria dizer que tinha muito prazer em estar ao lado dela, alguém com "uma abordagem com muita frescura". Percebe-se. É uma contestatária suave. Numa voz de embalar enumera as coisas com as quais não se sente bem, escolhe palavras subtis para isso e diz que aquela coisa de «Primeiro Mundo» existe só de brincadeira.
A consciência de Aline saiu do palco (ou da boca) com «Na boca de Angola» ou «Caminho do Sul». Perguntou aos presentes se sabiam para onde este ficava a partir daquele lugar no “coração de Lisboa”. Os gestos indicadores de bússolas humanas foram interrompidos quando ela avançou com a sua teoria: “O caminho que nós, Humanidade, temos que percorrer é o do Sul. O Norte tem/precisa de aprender com o Sul”. As bússolas, essas, concordaram com risos de quem está a abanar com a cabeça que “sim, é isso mesmo, Aline”.
Mas nem só disto viveu o dia 4 de Novembro. Com passos e arrastões de garganta a fazer lembrar uma Mayra Andrade ou outras gentes de Cuba, uma angolana Aline, mais expansiva e adjuvada pela força de um contrabaixo, apareceu logo aos primeiros minutos com «No Céu da Tua Boca» (de José Eduardo Agualusa, algures numa das cadeiras), «Oriente» ou com «Assinatura do Sal» ou com o próprio «Clave Bantu», nome homónimo do álbum lançado em finais do ano passado. 
                                          
A escrita feita entre viagens a Luanda, Barcelona ou Madrid, Santiago de Compostela haveria de trazer o primeiro convidado das terras da Galiza. Ela conheceu o António por aquelas bandas e, ali, num “amor à primeira vista” (palavras dela), nasceu isto: uma cumplicidade vincada com uma dança minimal no centro do palco, entusiasticamente aprovada por uma plateia que sabia a voz que ia sair de Zambujo-pés-de-chumbo. O fadista português com «Barroco Tropical», mais que ensaiado mas com tanto de improviso, foi o mote para uma Aline melancólica.
Numa acapella com jogos de luzes lunares, uma kalimba nas mãos e de perfil para o microfone, Aline entoou «Poema em Sol Poente» e com «O Que Ela Quer». O balancê de outro alguém chegou quando «Lisboa Kuya» foi apresentada a quatro mãos e com outras tantas cordas em duas guitarras. De um lado Aline, do outro Sara Tavares. Esta, com a postura de quem sabe brilhar só quando deve, deixou que o protagonismo lhe fugisse, embora sem a teimosia de Aline. “Tudo à volta de ilumina sempre que ela surge”, descreveu sobre Sara.

O encore obrigou a um regresso dos convidados ao palco (ainda que meio perdidos no espaço com os ossos do oficio do improviso). Com «N’zaji» (aqui ainda só com Paulo Flores) e com «Babel» em decrescendo e em uníssono, a noite foi fechando com uma sala quase cheia ainda que entusiasta q.b., como quem acaba de comprar um livro do qual pouco ouviu falar. Aline, segura através de um alinhamento quase cronológico e colado ao formato gravado de «Clave Bantu» deixou pouco espaço ao silêncio no meio da sua bossa-nova, jazz e sembas de Angola ou mornas de Cabo Verde.
A saia longa, até aos pés, escondera os ténis, o sorriso cândido fora a consequência de uma noite número um e os caracóis assumidos completaram o ombro destapado de uma Aline grandiosa, dançante, com uma altura para além da ilusão. Solta, embalou o S. Jorge com uma voz límpida, por vezes, quase demais. De tão confortável, confessou a meio da noite: “Quero que saiam daqui com a certeza de que estou muito feliz”.

Com um desprendimento típico dos 24 anos, Aline, com Frazão no apelido, tem a certeza que A saudade não marca hora/na agenda do dia/nem vai embora. E eles também parecem que a têm. “Ainda bem que me ofereceste o convite e vim até aqui”, desabafou um amigo para o outro, enquanto abandonava a fila à nossa frente.
fotos: Joana T.

A mística do Misty Fest voa, amanhã, para o quinto dia do festival no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. As honras cabem a Peter Hook & The Light com Joy Division no menu. O encontro está marcado para as 21 horas no Grande Auditório.
Veja aqui o cartaz completo dos próximos dias:
Dia 9, John Talabot, Lux, Lisboa | 23h
Dia 10, B Fachada, Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra | 22h
Dia 11, Amélia Muge e Filipe Raposo, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 15, Osso Vaidoso e Lucas Bora-Bora, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 15, The Irrepressibles, Lux, Lisboa | 23h
Dia 16, Celina da Piedade, Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 17, Cowboy Junkies, Centro Cultural de Belém (Grande Auditório), Lisboa | 21h 
Dia 19, Cowboy Junkies, Casa da Música (Sala Suggia), Porto | 21h 


Lusofonia

Em jeito de estilo africano, "Aline Frazão na casa!!" Foi Aline Frazão que actuou no Domingo dia 4 de Novembro no âmbito do Misty Fest. Uma artista, natural de Angola, conseguiria encher mais de metade do cinema São Jorge.
Os ritmos africanos e a música mexida estavam confirmadas!

Começa o seu concerto "singular"( como muitas vezes se referia) com a música «Assinatura de Sal». Aline apresentava-se com uma banda muito versátil e fluída ( guitarrista tocava cavaquinho,guitarra acústica e guitarra eléctrica; O baixista tocava baixo eléctrico,contra-baixo e violoncelo; o pianista tocava guitarra, piano e piano de sopro).
Depois de algumas músicas o primeiro convidado da noite surge, António Zambujo. "Amor á primeira vista" foram as palavras da escritora angolana! Imediatamente houve uma química entre os dois artistas.
Houve tempo para Aline cantar o "poema em sol poente" acompanhado de um instrumento de metais tocado por ela.

foto:Dinis Santos
Segundo convidado, neste caso convidada, Sara Tavares. É de facto uma inspiraçao para esta jovem escritora angola que tocava pela primeira vez no São Jorge.


"Quando me perguntavam com quem eu queria cantar eu respondia: Paulo Flores!!!" Talvez o convidado que o público mais ansiava visto que é um dos mais conhecidos em pelo povo angolano. Uma sala tão pequena para um coração tão grande como era o de Aline Frazão.


"Comida na mesa, N' Dengues na escola, Pão e Liberdade na boca de Angola". Foi uma das frases da sua música («Na boca de Angola») que ela referiu.
O concerto acaba com os três reunidos no palco, mais a banda com o tema « Babel» " Dizem que a saudade é algo difícil de explicar""A saudade não marca hora na agenda do dia nem vai embora". Fica a saudade, no coração, do concerto da jovem lindíssima e bem disposta Aline Frazão!!!
foto:Juan L. Amado

A noite da “Bruxa”: Halloween no Cinema de S.Jorge


Allen Halloween, rapper de Odivelas, foi o artista escolhido para inaugurar a edição de 2012 do Misty Fest e ir ao Cinema de S.Jorge apresentar o álbum Árvore Kriminal, de 2011. O festival expandiu horizontes desde Sintra até Lisboa e prova disso foi este primeiro concerto.

Halloween acompanhado do Dj Núcleo e dos dois mcs
Assim que a sala ficou cheia e as pessoas sentadas nos seus lugares, as luzes apagaram-se. O Dj Núcleo apareceu em palco, fazendo a introdução àquele que seria o dito concerto. No meio ouviu-se “Eles comem tudo e não deixam nada”, uma sample de «Vampiros», de Zeca Afonso, que não só remete para uma canção antiga, mas, ainda assim, muito atual, como também para o carácter interventivo do rap. Esta música acaba por ilustrar também o que Halloween pretende que aconteça com os seus temas, tal como disse antes de interpretar «SOS Mundo», do álbum Mary Witch Project . “Não faço músicas para o momento ou para durarem um ou dois anos. Esta, por exemplo, ainda é atual e foi feita em 2005”


As características da sala alteraram um pouco a dinâmica de um concerto normal deste género. Contudo isso não impediu quer o feedback do público, quer a expressividade do Halloween, que subiu ao palco acompanhado por dois mcs da Odc gang, a sua crew de Odivelas. Os lugares eram sentados, mas muitas foram as pessoas que ocasionalmente se metiam de pé durante as músicas e alguns amigos gritaram, inclusivamente, mensagens para o rapper. Canções como «Drunfos»,  «Noite na lisa»,  «Convite», «Killa Me» e «Mary Bu» tiveram reações muito positivas, mas foram a «No love» e a «Fly nigga fly»  que tiveram direito a um coro de vozes que cantou as letras na íntegra.

«Debaixo da Ponte» com Tó Trips
O momento alto do concerto foi quando Halloween anunciou que teria um convidado para vir tocar uma música com ele. E chama Tó Trips ao palco, de quem confessa ser um grande fã, motivo que o levou a propor esta experiência. “Isto foi algo que tentámos esta tarde, um pouco para experimentar e vamos ver no que dá”, disse.
As luzes de palco ganharam um tom arroxeado e Tó Trips dedilhou as primeiras notas de «Debaixo da Ponte». Os elementos do cenário, a colaboração de Tó na guitarra e a voz arranhada de Allen Halloween fizeram deste um momento muito expressivo e dramático. Algo único, como o próprio disse no final da música.


Voltando ao carácter interventivo do rap, Halloween mostrou-se atento à atualidade e destacou uma notícia que viu. “Vi nas notícias que as famílias andam a pagar enterros às prestações. Nem morrer está fácil neste país.” Foi o mote para «Um Jardim à Beira-Mar», canção que apela à mudança.

No final do concerto, Allen Halloween apresentou duas músicas do seu próximo projeto com o Odc gang, do qual os outros dois mcs fazem também parte. Escumalha: Sons da pedrada será o nome da mixtape a ser lançada em breve. 

Escumalha: Sons da pedrada

Bruxas e Morcegos no Misty Fest


A 3º edição do Misty Fest arrancou na noite seguinte à noite das bruxas! Dia 1 de Novembro foi de Allen Halloween. O rapper atuou no cinema São Jorge trazendo consigo Lúcifer, Buts Mc (ODC Gang) e o Dj Núcleo. Halloween veio assim apresentar não só o novo e saído das ruas Árvore Kriminal, mas também as músicas mais conhecidas do álbum anterior Projeto Mary Witch, como «Fly Nigga Fly» e «No Love».

 Dj Núcleo tinha a enorme missão de abrir o concerto que prometia gritos, histórias e escuridão! "Eles comem tudo e não deixam nada" foi um dos samples usados por Dj Núcleo, invocando Zeca Afonso e mostrando que o país está cada vez mais "afundado". Entre beat's e scratch's, Halloween e os seus companheiros subiram ao palco do cinema S. Jorge, neste 1ºdia do festival Misty Fest.

«Drunfos», «Convite», «Debaixo da Ponte», «Um Jardim plantado á beira-mar» e «Killa me», foram alguns dos temas cantados e encarnados pelo autor de Árvore Kriminal.

Mas houve também quem vibrasse ao som de músicas mais antigas como «No Love», «Fly Nigga Fly» e «SoS Mundo». O público revelou-se incapaz de mostrar a sua total interação com o artista, devido ao facto da sala do cinema São Jorge ser constituída por lugares sentados. Este tipo de concertos de cariz urbano requer maior proximidade com o artista com recurso a uma plateia de pé. No entanto, este fator não foi decisivo, pois o sentimento "underground" andou sempre espalhado nas músicas do rapper de Odivelas. (Underground  é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais. Fonte: Wikipédia, abreviado

Uma surpresa que foi reservada ao público foi a participação especial de Tó Trips (Dead Combo) que tocou a música «Debaixo da Ponte» juntamente com Halloween. Com Dj Núcleo no ritmo ( beatbox), a plateia sentiu e cantou com o "Exorcista da Mary Witch": "Olha há alguém no pontão velho..."

No final, houve espaço para apresentar duas músicas do seu novo projeto com os ODC Gang:  Escumalha- Sons da Pedrada. Os temas escolhidos foram « Enemies» e «Swag». 

"Sombrio" e Culto, Halloween despede-se de uma edição que teve como primeiro dia o Rap/Hip Hop – algo que nunca tinha acontecido nas edições anteriores e que torna mais abrangente o Misty Fest, antigo festival Sintra Misty.

 

 "Bye Bye Jorge!" Allen Halloween





Halloween foi no Cinema São Jorge


Arrancou no dia 01 de Novembro a 3ª Edição do Misty Fest, alargado além do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Allen Halloween foi o escolhido para esse arranque. A noite prometia ser uma noite de “Bruxas”
As luzes baixas deram lugar a uma introdução de cerca de 10 minutos a cargo de DJ Núcleo, para aguçar o apetite aos espectadores. Eis quando Allen Halloween dá entrada em palco com a ODC Gang – Crew (da qual faz parte integrante), rappers de Odivelas.
Allen manteve-se sempre muito activo com o público, que vibrava e abanava a cabeça ao ritmo de músicas como «Inimigo do Estado», «SOS Mundo», «No Love», e uma das mais aguardadas da noite, «Debaixo da Ponte», contando esta com a presença do músico Tó Trips, de Dead Combo, a acompanhar a voz de Halloween com a sua guitarra.
Foto: Sara Coelho
“Ontem ouvi nas notícias que existem famílias a pagar enterros às prestações … Nem morrer ‘tá fácil neste país!” – palavras que introduziram a música «Jardim à Beira-Mar», que aborda os problemas socioeconómicos do nosso país. E ainda um pequeno detalhe sobre «explosivos», iniciando o tema «Mary Bu».
Ao fim de quase hora e meia de concerto, quando os artistas e a sua Crew se retiram de cena, o público continuou a “atirar” nomes de temas para o ar, pedindo mais. E quando tudo parecia terminado, eis quando DJ Núcleo entra novamente em cena para mais uma rodada de scratch, e Allen Halloween volta ao palco para apresentar um tema do seu próximo álbum Escumalha – Sons da Pedrada, terminando com «Enemies».
O público agradece com aplausos e assobios efusivos, demonstrando que o rapper de Odivelas cumpriu com as expectativas dos espectadores.

Halloween no Cinema (São Jorge)



Arrancou hoje a 3º edição do “Misty fest”, que este ano se estende para lá de Sintra, chegando mesmo a tocar o Porto no seu último dia, adquirindo uma nova e maior dimensão.
O primeiro dia deste “Misty fest” realizou-se no Cinema São Jorge, em Lisboa, e a sala estava reservada para Allen Halloween, um verdadeiro monstro da cena hip-hop underground portuguesa, que teria como participação especial o guitarrista Tó Trips, membro da banda Dead Combos, uma colaboração inédita.


A sala, que era de cinema, chamou o público para que se sentassem nas cadeiras e se preparassem par ver o filme sobre a vida de alguém, os invisíveis e os marginais dos subúrbios da cidade de Lisboa. No entanto, foi exatamente o fato de ter de se estar sentado o único senão deste concerto por não permitir uma maior interação vinda da plateia, que parecia querer levantar-se e acompanhar de pé o flow original que caracteriza Halloween que veio apresentar o seu último álbum, Árvore Kriminal, lançado em 2011 que cimentou o projeto artístico do rapper português e a continuação de Projecto Mary Witch, de 2006, ano em que o nome Halloween começa a assombrar as ruas.

Foram apresentadas neste concerto algumas das músicas mais conhecidas do artista, «SoS Mundo», «Noite na Lisa», «Aleluia a Ressurreição do Criminal», «Mary Bu» ou «Fly Nigga Fly» foram dos temas mais aplaudidos. Mas o mais aplaudido seria «Debaixo da Ponte», que acabou inevitavelmente por marcar o concerto, pois contou com a participação especial de Tó Trips, que também ele vai subir aos palcos do “Misty fest” no dia 2 de Novembro, e foi acompanhar Halloween com a sua guitarra neste tema. Esta colaboração foi segundo o próprio ensaiada apenas na tarde do concerto - “uma mistura de...whatever com whatever” disse o rapper, que se foi transformando ao longo do concerto, um poeta melancólico e solitário que tem a capacidade de se transformar num gangster, num “G” agressivo. Estas duas facetas eram apenas interrompidas pelo lado cómico do rapper, que ia sempre arrancando sorrisos aqui ou ali - “...nem morrer 'tá fácil” dizia ele, comentando uma notícia sobre poupar para os funerais. Cómico, mas observador.

Quase uma hora e meia depois do inicio do concerto, Halloween guardou para o fim dois temas que estarão presentes numa mixtape a sair brevemente. De Escumalha: Sons da Pedrada tivemos então a oportunidade de ouvir «Swag» e «Enemies»

Neste dia 1 de Novembro, no primeiro concerto da edição 2012 do “Misty fest”, Allen Halloween deu um concerto sólido, mostrando num estilo muito pessoal que não tem nada a provar a ninguém, e que este é um artista que vale a pena seguir.





Ornatos Violeta ao vivo no Coliseu, o princípio do fim

Entrar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no dia 25 de Outubro foi como entrar numa máquina do tempo e voltar dez anos para trás, estamos agora em 2002 a caminho do último concerto de “Ornatos Violeta”.




Foi com um “vamos a isto” que a despedida começou pouco tempo depois do previsto e ainda ninguém sabia que além dos temas de “cão!” e “ O monstro precisa de amigos” viriam ainda temas menos conhecidos, não editados e as raridades que completaram um concerto de duas horas e meia.

O público, esse, ocupava a casa toda e não parou de aplaudir do princípio ao fim com a consciência de que para muitos dos que ali estavam seria a última vez que iriam ver e ouvir a banda de Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Kinörm e Elísio Donas a tocar ao vivo e em cima de um palco.
Em cima do palco esteve também um convidado, do público, que se ofereceu para tocar “Deixa Morrer” e dedicá-la a um membro da plateia e o frontman não viu porque não deixar.
Deixa Morrer” acabou por ser uma das grandes músicas deste concerto, uma vez que foi aqui que o público interagiu mais com a banda. Além de um membro do público estar em cima do palco, praticamente como membro da banda visto que a sua prestação foi perfeita a tocar guitarra acústica, é em “Deixa Morrer” que existe a frase “Estão vivos outra vez” e o público fez questão de mostrar estarem satisfeitos com a ressurreição dos já míticos Ornatos Violeta.



A par de “Deixa Morrer”, “Chaga”, “Ouvi Dizer”, “Nuvem” e “Capitão Romance” fizeram as delícias de um público que estava “ora amargo, ora doce”, tristes por ser aquele o último, felizes por ali terem estado. Este era também o sentimento vindo do palco que ia agradecendo ao longo de todo o concerto e homem de poucas palavras como o próprio o referiu, Manel Cruz era quem dava voz aos muitos “obrigado” que eram ditos sempre que possível.

Para o fim foram reservadas as raridades de Ornatos, músicas que pouca gente conhecia e onde o gosto por Ornatos permitiu à banda que as tocasse sem qualquer interferência do público que nem tentava adivinhar as letras e dançava nas músicas mais mexidas, ou absorvia nas mais calmas.



Foi assim a despedida dos Ornatos Violeta, um grande concerto de uma banda que ficará para a história da música portuguesa.




Strangeland Tour: Os Keane no Campo Pequeno


A reação das pessoas que iam chegando era sempre a mesma: Surpresa. Não é para menos, uma vez que esta é a terceira vez que os Keane vêm a Portugal no espaço de cinco meses. A frase “Isto está cheio” foi repetida vezes sem conta enquanto as pessoas se alinhavam na fila que contornava a entrada principal do Campo Pequeno. 

Se um cartaz da primeira fila dizia que o Tom Chaplin nunca se calava, apenas podemos dizer que o vocalista fez justiça a tais palavras e provou o porquê de ser o frontman do grupo. Sempre muito comunicativo, disse estar feliz por estar no Campo Pequeno e reforçou essa ideia várias vezes durante o concerto.

A banda britânica veio apresentar o quarto álbum de estúdio, Strangeland e contou com os compatriotas Zulu Winter para fazerem a primeira parte. O concerto teve início precisamente às 21h, ou não fossem os britânicos conhecidos pela sua pontualidade. 
O início foi um pouco frio, ainda que os Zulu Winter bem tentassem puxar pelo público. A banda apresentou alguns temas do primeiro álbum, Language e conseguiu cativar alguns dos que tão ansiosamente esperavam pelos Keane. 

Zulu Winter

Assim que a banda de East Sussex entrou em palco, as luzes do cenário acenderam-se. Um sol que tinha escrito Strangeland iluminava-se cada vez que era tocada uma canção do novo álbum. Uma ajuda para os fãs mais distraídos.
Temas como “You are young”, “Silenced by the night”, o mais recente single “Disconnected” e “The Starting Line”, canção que Tom Chaplin confessou ser a sua preferida do novo álbum, foram bem recebidos pelo público. Alguns dos fãs cantarolavam a letra a acompanhar e os braços no ar foram uma constante. 
Contudo, foram os temas mais antigos da banda que fizeram as delícias dos lisboetas. “Bend and break”, “Everybody’s Changing”, “Somewhere only we know”, “Bedshaped” e “We might as well be strangers” foram algumas das canções recebidas com euforia e cantadas em coro pelo público do Campo Pequeno.

Tom Chaplin

Frases como “Estou a adorar cada minuto deste concerto”, “É sábado à noite e estamos numa das melhores cidades do mundo” e “Este é um concerto certamente memorável”  foram proferidas por Chaplin, que estava visivelmente comovido com o entusiasmo do público português.
A surpresa para muitos foi a canção “Try again”, do álbum Under the Iron Sea. Apesar de ter sido tocada noutros concertos anteriores, não é das canções mais conhecidas do álbum e o facto de ter sido tocada numa versão acústica fez deste um momento “intimista”, como disse o vocalista.

Tim Rice-Oxley

A banda voltou para dois encores, sendo que no último tocaram “Under Pressure”, um original dos Queen e David Bowie que levou o público, desde os mais novos aos mais velhos, ao rubro pela última vez naquela noite.

SetList


You are young
Bend and break
On The Road
The Lovers are losing
Is it any wonder
My Shadow
The Starting Line
Nothing in my way
Silenced by the night
Everybody’s Changing
We might as well be strangers
Day will come
Spiralling
A Bad Dream
Try again
Disconnected
This is the last time
Somewhere only we know
Bedshaped

Encore

Sea Fog
Sovereign Light Café
Crystall Ball

Encore

Under Pressure