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Festivais de norte a sul: Grandes nomes para todos os gostos

Com o Verão chega uma das alturas mais esperadas por muitos: a dos Festivais de Verão. De norte a sul do país, os recintos enchem-se de pessoas que querem sol, calor, música, diversão e fugir do ritmo frenético da cidade durante uns dias.

Comecemos então esta nossa viagem por aquele que inaugura a época dos festivais de verão, e que, curiosamente, é o bebé dos festivais, ainda que seja, ele próprio, um festival urbano. Falamos, pois, do Optimus Primavera Sound, de 30 de Maio a 1 de Junho. Importado dos nossos irmãos, assemelhando-se à versão espanhola que se realiza em Barcelona, e que, com apenas um ano de idade, conseguiu fixar já no Porto a reputação de um festival que consegue reunir a “creme de la creme”, no que diz respeito à música alternativa. Se no ano passado nomes como Wilco, The Flaming Lips, Kings of Convenience, The XX ou The Walkmen passaram pelo Parque da Cidade, este ano a fasquia está certamente elevada. Com Dead Can Dance, My Bloody Valentine, Blur, Nick Cave and The Bad Seeds, Grizzly Bear, James Blake, Explosions in the Sky, Deerhunter, Rodriguez, Meat Puppets, Local Natives, Guadalupe Plata ou The Glockenwise, conjugando os regressos e as novidades, o festival torna-se dos mais apetecíveis e uma excelente forma de dar início a um verão que se apresenta preenchido. De destacar os portugueses Paus e Memória de Peixe, que se juntam aos nomes já mencionados acima e a tantos outros, alguns deles, inclusivamente, escolhidos pela publicação Pitchfork.


Rumamos a sul, em direcção à Ericeira e ao Sumol Summer Fest, o festival onde o reggae é o rei e onde o ideal de verão, praia e boas vibrações assenta que nem uma luva. De 27 a 29 de Junho, sendo que dia 27 é uma welcome party para os campistas, nomes como Alborosie, Dub Inc, Morgan Heritage e o português Orlando Santos, vão animar as tardes e as noites no Ericeira Camping.


Julho começa com EDP Cool Jazz, um festival onde o Jazz dá lugar a outras vertentes e a uma mistura de géneros. Ana Moura e Luísa Sobral, que em comum têm uma vontade e desejo de fundir sonoridades e uma ida ao programa de Jools Holland, na BBC, iniciam o festival em português. Por lá também passam nomes como Rufus Wainwright, Diana Krall, Jamie Cullum, Maria Gadú e Djavan. A expectativa recaí sobre o norte-americano John Legend, que encerra o festival a dia 27 de Julho. Depois de um álbum com os The Roots, estreia-se em Portugal e traz na bagagem muitos sucessos e o mais recente Love in the Future.

Mas, antes disso, acontece o festival que promete ter "o melhor cartaz, sempre". O Optimus Alive, no Passeio Marítimo de Algés, também ele um festival urbano, realiza-se de 12 a 14 de Julho e, como sempre, traz grandes nomes. Essa é, aliás, a única característica que se mantém, num festival que tem estado em constante mutação. O dia do metal ou do rock mais pesado foi-se lentamente transformando no dia do hype, e em 2013, temos essa consagração. Grandes nomes como Depeche Mode, Jurassic 5, Editors, Green Day, Kings of Leon ou Vampire Weekend juntam-se a fenómenos de popularidade recente como Alt-J, Django Django, Of monsters of men e AlunaGeorge, para formar o cartaz de um festival que outrora trouxe nomes como Rage Against The Machine ou The White Stripes. Regressos e fenómenos que fazem o Alive perder o sentimento de descoberta de novas bandas, pelo qual foi também inicialmente valorizado.

Os dias 18 a 20 de Julho são os dias disputados pelo Super Bock Super Rock e pelo Meo Marés Vivas. O primeiro no Meco e o último em Vila Nova de Gaia. Se o Alive mudou, o Super Bock deu uma volta de 180º. Deixou o rock pesado e deitou-se na praia do alternativo, nas paisagens do Meco. Pós à parte, muitos têm saudades da versão urbana e citadina, outros dizem que agora, sim, há um festival de rock como deve ser. Na sua 19ª edição, o Super Bock Super Rock está mais português. Nomes como Mazgani, Samuel Úria, Manuel Fúria e os Naufragos, Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Sam Alone and the Gravediggers ou Anarchicks, vão subir aos palcos da Herdade do Cabeço de Flauta. A juntar a nomes como Queens of the Stone Age, Arctic Monkeys, Johnny Marr, Tomahawk ou Black Rebel Mortocycle Club, reúne nomes esperados e há muito pedidos e condensa muito do que se tem feito na música portuguesa.
Já o festival Marés Vivas tem vindo a corresponder a um padrão de ano bom, ano mau, como que um cara ou coroa, sendo que 2013 é claramente um ano coroa. Conseguiram a proeza de tirar o David Guetta do Sudoeste e repetem nomes que recentemente estiveram em palcos portugueses, como The Smashing Pumpkins, James Morrison ou 30 Seconds to Mars. Além disso jogam pelo seguro com nomes portugueses como Rui Veloso ou Virgem Suta. A surpresa vai para o regresso de Bush, Klaxons e La Roux. Resta saber se serão nomes capazes de fazer frente à concorrência e de arrastar multidões até ao Cabedelo.


Os festivais deste ano também dividem artistas, como é o caso dos Orelha Negra, que marcarão presença no Meo Sudoeste e no Marés Vivas, e dos Toy, que estarão no Super Bock Super Rock, seguindo para o Vodafone Paredes de Coura, o que acaba por ser lamentável, numa altura tão rica musicalmente, em que a tecnologia permite que as bandas se apoiem na premissa do “do it yourself” e se lancem de uma forma independente.

 

O Meo Sudoeste, o histórico festival da Zambujeira do Mar, foi outro festival que mudou e agora abriga toda uma diversidade de géneros musicais, desde a electrónica, à soul, ao reggae e ao alternativo. Este ano traz de volta o Snoop, em versão Lion, e traz nomes como Cee Lo Green, Donavon Frankenreiter, Avicii, Soja, Janelle Monáe, Fatboy Slim ou Calvin Harris. O cantor de Gnales Barkley faz a sua estreia por terras lusas, enquanto Fatboy Slim volta novamente depois de uma passagem por cá, no ano passado. Já a cantora de «Tighrope» deixou tudo e todos pelo beicinho depois de uma actuação memorável no já extinto Super Bock em Stock, em 2010, e regressa agora a um palco maior, para delícia de muitos dos seus fãs.

Continuamos no zigzag, sul-norte-sul-norte, rumo à última paragem da nossa viagem, o Vodafone Paredes de Coura, na Praia Fluvial do Taboão, outro festival que é alternativo por excelência e que prima muito pelo ambiente e pelo factor de descoberta. Este ano conta com a presença dos já repetentes de outros festivais The Kills, Hot Chip, Alabama Shakes. Os franceses Justice voltam para um dj set. As expectativas recaem sobre os britânicos Everything Everything e Palma Violets, os primeiros pelo segundo álbum que fez sucesso por entre a crítica e os segundos pelo voto de confiança que receberam da BBC e da NME, que os catapultou de imediato para os grandes palcos, ainda que só tenham lançado o primeiro álbum há poucos meses.

 

2013 é o ano de coroação do alternativo que, ainda que de formas diferentes, atravessa praticamente todos os festivais. Há anos recheados de grandes festivais e há anos com festivais com grandes nomes, para todos os gostos. O ano de 2013 insere-se, sem dúvida, neste último.
 

Green Day no Alive

Green Day apresentam-se no dia 12 de Julho de 2013 no festival Optimus Alive!. No mesmo dia já estão confirmados os Alt-J e Of Monsters and Men. A banda punk de Billie Armstrong pisa um palco de um festival português satisfazendo os fãs que há muito os queriam ver em céu aberto, depois do último concerto cá em Portugal ter sido no Pavilhão Atlântico.

A banda formada por Billie Joe Armstrong, Tré Cool e Mike Dirt acabam de lançar Uno!, Dos!, Tres!. Uma trilogia que se segue após 21st Century Breakdown.

Kings of Leon e Depeche Mode são umas das bandas que o cartaz apresenta.


A Primeira Vez #2

Em 2010 os Pearl Jam vieram ao Alive!, no dia 10 de julho. Paguei o dobro do preço por já estarem esgotados e ter de comprar à porta. Se valeu a pena ou não, fica para depois.
Mas não é de Pearl Jam que vou escrever, antes de Pearl Jam tocaram os Gogol Bordello, e nesse concerto senti-me uma sardinha, como nunca me tinha sentido num concerto, nem saltar conseguia. Tive mais espaço em Deftones, em System of a down, em Metallica, Tara Perdida ou Offspring. Aquilo estava quase impossível.

Mas é de Dropkick Murphys que quero falar, da primeira vez que os vi e ouvi.
Já não me lembro a que horas tocaram, mas era de dia. Ainda não os conhecia, não sei porquê, pura e simplesmente nunca me chegaram aos ouvidos.

Vamos dizer que por volta das cinco da tarde, lá estava eu, encostado à grade que separa o lado esquerdo do lado direito, quieto, à espera, quando faltavam umas boas horas para o que eu queria ver. Estava com a namorada e as amigas (não estava muito entusiasmado) e queriam esperar, não me pareceu boa ideia abrir a boca a discordar. Farto de estar em pé, ao sol, cansado, a tentar fazer boa figura sem jeito nenhum quando de repente entram uns gajos para cima do palco. Um tinha uma saia escocesa, o outro tinha um acordeão, o vocalista parecia o Henry Rollins dos Black Flag ao longe, era o Al Barr, bateria, guitarras, baixo, gaita de foles e banjo (tocado por Jeff DaRosa com descendência portuguesa). “O que é que esta gente vai tocar?”.

Quando começou eu nem queria acreditar, onde estiveram os Dropkick a minha vida toda? Dos maiores moches que vi, este está no topos, sapatos a voar, mochilas, gente, crowdsurfs com uns metros consideráveis, pessoas que sabiam o que aquilo era, e se não sabiam pouco importava. Era uma festa punk com um toque irlandês e uma vontade de partir para cima do outro.
Do meu lado não se passava nada, era o lado esquerdo a olhar para o direito mas ninguém queria começar uma festa deste lado.

Passado uns anos, sei agora que tocaram a «Worker's Song», um tributo aos trabalhadores, não os que estão atrás da secretária o dia inteiro, os outros. “In the factories and mills, in the shipyards and mines “ os que os Murphys dizem serem os primeiros a morrer “We're the first ones to starve, we're the first ones to die “. Tocaram a «Shipping of to Boston», «Barroom Hero», «Johny I hardly Knew ya», «Fields Of Athenry»... 

Ao Alive! desse ano só fui esse dia, mas que dia. Não estava mesmo à espera que o concerto de Dropkick Murphys fosse tão bom, mas quem foi, penso que percebe o que estou a dizer.
“Let's go Murphys!”


                                                                                      


Formação:

Ken Casey - Voz; Baixo
Matt Kelly - Bateria; Bodhrán; Voz
Al Barr - Voz
James Lynch - Guitarra; Voz
Tim Brennan - Guitarra; Bandolim; Acórdeão; Voz
Josh “Scruffy” Wallace - Gaita de Foles; Tin Whistle
Jeff DaRosa - Violão; Banjo; Bouzouki; Teclado; Bandolim; Apito; Orgão; Voz