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Alex D'Alva Teixeira em entrevista


"Um gajo que faz cenas fixes"
Fotografia de Vera Marmelo

É com esta modéstia e talvez ingenuidade que Alex D’Alva Teixeira se descreve. Tem 22 anos, vive na Moita e a sua história dava um filme, não, uma série! “Se pudessem agarrar na história teria de ser contada em forma de websérie daquelas de baixo orçamento”. O talento e a sorte de Alex levaram-no até ao patamar onde está agora: com um single a passar nas rádios, um EP lançado e um álbum a caminho.

Podemos dizer que o Alex tem duas paixões: O design e a música. A primeira foi uma paixão que foi desenvolvendo, enquanto que a segunda sempre fez parte de quem ele é. “Tudo começou quando andava no infantário. Ofereceram-me um gravador de cassetes no Natal e o que eu fazia era inventar músicas, juntando sons que gravava. Ainda tenho essas cassetes.”
Apesar de, na altura, se descrever como irritante foi essa insistência, demonstrada nesses primeiros passos, que o levou a investir na música, sempre muito encorajado pelos seus pais, que achavam muita piada quando o Alex “ia brincar às bandas”.

A brincadeira tornou-se séria quando o Alex começou a lançar as suas músicas na internet e a ver que estas tinham uma visibilidade maior do que a esperada, razão pela qual tem uma forte presença nas redes sociais e valoriza muito este meio para a divulgação do seu trabalho. “No ano passado, no Natal, gravei uma mixtape, que meti online para que todos pudessem fazer o download e isso acabou por chegar a mais pessoas do que o que eu esperava. Acabei por ficar surpreendido com o que fiz.”

Ben Monteiro e Vitor Azevedo tocam com o Alex na banda à qual ele empresta o nome. Conheceram o Alex num festival de bandas que o próprio organizou e na altura pertenciam ambos a bandas das quais ele gostava. Ambos concordam que esta história do Alex como underdog que acaba por vingar não é só sorte nem só talento, mas também vontade de fazer e de “se mexer”. “Eu conheço o Alex porque ele se mexeu, porque ele organizou um festival e convidou a minha banda para lá tocar, o que me fez conhece-lo e, depois de vários processos e contactos, estamos aqui hoje.”, diz Ben Monteiro, realçando a importância desta proatividade que é comum aos três elementos.

Assinou com a FlorCaveira e lançou o EP Não é um projeto, em Junho. “O título do EP é uma piada. Nós fomos tocar à final do Termómetro, no Porto e no dia seguinte tínhamos vários blogs a escrever sobre o projeto Alex D’Alva Teixeira então foi um bocado confuso porque na altura éramos quatro pessoas em cima de um palco e é o meu nome que aparece. Então resolvemos fazer essa piada, o Alex não é um projeto, é uma pessoa, é um rapaz”.

Uma das características que melhor define Alex D’Alva Teixeira, enquanto pessoa, é a sua versatilidade, sendo que consegue ser influenciado por bandas dos mais variados géneros, como Underoath ou Bloc Party, por exemplo. Ben confessa que a música que fazem já começa a ter um bocadinho de todos e que o seu objetivo é ajudar a descobrir o Alex no meio de todas as suas mais variadas influências. Como? Não impondo limites, libertando-se de tudo.“Uma coisa que percebemos rapidamente é que o Alex ouve muita coisa, faz muita coisa e produz muita coisa diferente. Não fazia sentido, de maneira nenhuma, estar a restringir isso”. “Uma das coisas engraçadas quando incorporas a ideia do não estar preso a nada é que te podes divertir muito ao fazer música das mais variadas formas, mudando os estilos das canções”, completa Vitor.

Alex, Vitor e Ben querem ser conhecidos por esta versatilidade e imprevisibilidade. Não falam do disco que vão lançar, apenas dizem que é um disco muito heterogéneo.

Agora que estamos prestes a entrar num novo ano, o Alex faz o balanço do que passou e considera-se sortudo. “Em 2012 aconteceu tudo: é o ano em que sai o EP, em que consegui chegar até mais pessoas e até mesmo o ano no qual a minha familia consegue dar algum crédito aquilo que eu faço.”. Diz que no futuro o seu objetivo é ser criativo e ser distinguido como um artista, não só um músico ou um designer. “Acho interessantes pessoas como o Salvador Dalí, por exemplo. Ele fazia tanta coisa diferente. É certo que é mais conhecido pela pintura, mas fazia tanto”. Confessa que gostava de experimentar ilustração e investir na área audiovisual, embora, de momento, se queira focar ao máximo em evoluir musicalmente. “Eu acho que a minha vida seria incompleta se só pudesse fazer uma coisa.”, conclui.

Alex D'Alva Teixeira copia Bloc Party

"Ao longo da minha adolescência, tive fases que estavam ligadas a determinados géneros musicais, Neste momento, não estou nesse lugar, mas os Underroath influenciaram-me bastante", conta Alex D'Alva Teixeira, numa entrevista recente à Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC).

"Não sou um guitarrista muito virtuoso, mas noto que algumas coisas que sei fazer na guitarra aprendi ao tentar tocar a música deles. Aquilo que eu gostava neles não era só música, havia algo muito maior que me inspirava", acrescentou o músico, que também já foi baixista na sua primeira banda, Cast A Fire.

alex d'alva teixeira/facebook

Agora com numa versão solo em nome próprio, Alex assume-se como um músico mais virada para o pop e para o punk. As outras influências passam ainda por The Killers, Incubus, Arcade Fire, Gossip ou ainda por Bloc Party, estes com um peso especial. "Toda a gente que ouve o meu primeiro single [3Tempos] diz que aquilo parece Bloc Party português. Eu queria imitá-los", confessa Alex. 

Outras influência começaram deste pequeno. "Era como a maioria das crianças, gostava de ver o Michael Jackson na televisão e pegava num objecto qualquer que se parecesse a um microfone e dizia à minha mãe que queria ser cantor", finaliza o jovem músico de 22 anos.
            

Alex D'Alva Teixeira desconfia dos apoios aos músicos

"A questão dos apoios aos novos músicos acaba por ser um pau de dois bicos. Quando somos novos não temos muito a noção do que são padrões de qualidade", afirmou Alex D'Alva Teixeira, o músico português, que há pouco mais de meio ano lançou o EP Não É Um Projecto, numa entrevista à Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC) sobre se o início de carreiras no mundo do espectáculo.

O artista da Moita, localidade-ventre de muitas bandas de metal e hardcore, destacou ainda a importância dos festivais dedicados àquele género musical. "Todas as bandas têm sítios para tocar e, pelo menos, uma vez por ano têm uma óptima oportunidade para se mostrarem". "As bandas da Moita, que eram realmente boas, chegaram a algum lado, como os Kussondolola e os Switchtense", destacou.

Ainda assim, Alex é da opinião que os apoios podem não ser o suficiente para vingar no mundo da música. "No meu caso, não fiquei à espera dos apoios da vereação da Cultura e fui atrás das pessoas e trabalhei para que tudo acontecesse", acrescentou ainda em entrevista à ETIC.

Recorde-se que o jovem músico de 22 anos conquistou em Fevereiro deste ano o segundo lugar na 17ª edição do Festival Termómetro, no Porto. A produção do seu EP esteve a cargo de Ben Monteiro, dos Triplet e ainda produtor de videos dos Orelha Negra. 

alex d'alva teixeira/myspace

Alex D'Alva Teixeira revela os artistas que influenciaram a sua música




Em entrevista para a Escola Técnica de Imagem e Comunicação (Etic), Alex D'alva Teixeira revelou os artistas que influenciaram a música que faz hoje em dia. Bandas como Bloc Party, The Killers e Radiohead fazem parte do universo de artistas que ajudaram o jovem angolano na construção da sua identidade como músico.

Acho que vocês já ouviram o meu single. Toda a gente diz que aquilo parece Bloc Party português”, “Eu queria imitar Bloc Party. Eu ouvi aquilo a primeira vez e eu nunca pensei que fosse possível fazer rock e pôr as pessoas a dançar.”, foram algumas das declarações que prestou à turma de “Jornalismo e Crítica Musical”.

Mas também o metalcore serviu de inspiração para o percurso de Alex. O jovem de 22 anos aprendeu a tocar guitarra com músicas dos Underoath. “Não sou um guitarrista muito virtuoso como eles são, mas noto que algumas das coisas que sei fazer na guitarra aprendi ao tentar tocar músicas deles”, declarou.

Alex demonstra ser um músico bastante ecléctico, no entanto, questionado sobre a possibilidade de não apreciar algum género musical em especial, Alex respondeu: “o estilo que eu desgosto mesmo é kizomba, mas nunca se sabe porque eu quando era mais novo não gostava nada de hip hop e esta semana só ouvi, praticamente, hip hop”.

Alex está a trabalhar no primeiro registo de longa duração que promete ser variado a nível de sonoridade, como referiu, ainda na mesma entrevista: “Nós agora estamos a gravar um disco. Assim que ele estiver pronto e tiveres a oportunidade de o ouvir vais perceber que é muito heterogéneo.”.

Resta-nos aguardar, assim, pelo próximo trabalho de Alex D'Alva Teixeira, que já nos tinha deixado boa impressão com o seu primeiro EP, intitulado “Não É Um Projecto”, editado através da Flor Caveira, de onde é retirado este orelhudo “3tempos”: 





 

Alex D'Alva Teixeira e o swag de um falso aristocrata


Era dia de concerto dos The Black Keys e Maccabees na outra ponta de cidade. Ele não estava no Pavilhão Atlântico, com muita pena dele, e antes contava-nos a sua história, junto ao rio Tejo. É o chamado ‘novo artista’. Emergiu dos meandros da internet e redes sociais, mas também por culpa da sorte e outro tanto de talento. Alex D’Alva Teixeira está longe de ser um nome artístico fabricado. É um nome real de família (e não de uma família real), tem tanto de imponente como ele e está cheio de punk.

“Há muito pouco tempo a minha mãe ouviu a minha música na rádio e ficou toda contente. Quando cheguei a casa disse-me: ‘’Ah, que pena, há tanto tempo que ‘tá fazendo música e só agora é que ‘tá fazendo sucesso.”, contava Alex, entre risos e num sotaque brasileiro, para uma imitação perfeita do que a mãe lhe dissera há uns dias. Sem ressentimentos, Alex percebe que os timings não estão contra ele, bem pelo contrário. Em Fevereiro do ano passado conquistou o segundo lugar na 17ª edição do Festival Termómetro, no Porto. O festival, preparado para descobrir novas revelações musicais em Portugal, foi o mote para o que lhe está a acontecer agora.

Foi considerado um dos Novos Talentos Fnac 2012, cuja compilação tem o seu tema «Diz-me (Design)» e quatro meses depois a editora FlorCaveira lançava o seu EP Não É Um Projecto. O nome do trabalho tem um tira-teimas incorporado. Logo que começou a ficar conhecido no meio cibernético-artístico, começou também a confusão. Uns diziam que ele era o mentor de uma coisa, outros que ele era o protagonista dessa mesma coisa. “No dia seguinte ao Termómetro, tínhamos vários blogues a escrever sobre o festival. Na altura, éramos quatro pessoas em cima de um palco e é o meu nome que aparece. O Alex não é um projecto, é uma pessoa, um rapaz. O título do EP foi uma piada”, explica Alex.

Com a definição arrumada na negativa, Alex aparece com o single de apresentação «3tempos». “Toda a gente diz que aquilo é Bloc Party português”, adianta, desde logo, sobre aquilo que anda a mostrar. “Eu queria imitá-los. Ouvi aquilo a primeira vez e nunca pensei que fosse possível fazer rock e pôr as pessoas a dançar.”, confessa. Mas a banda britânica não é a única influência de Alex. No seu blogue oficial, há posts que denunciam alguém profundamente metamorfoseado por The Killers, Radiohead, Gossip, Panic! At The Disco ou os Yeah Yeah Yeahs, e é o próprio que confessa que, se não fossem bandas como estas, ele não estaria a fazer o que faz hoje.

Só que houve quem achasse que eram influências a mais, como Ben Monteiro, dos Triplet, e Vítor Hugo Azevedo, guitarrista dos Iconoclasts e detentor da recente editora Corvo Records. São uma espécie de protectores de Alex. Têm cerca de dez anos de diferença de idades em relação ao miúdo Alex (de 22 anos) e ambos integraram bandas de quem ele era fã. Vieram com o Alex para a nossa entrevista e acabaram por explicar o que aquele tem de tão especial. Corria o ano de 2009 quando a primeira banda do Alex, Cast a Fire (onde era baixista e formada depois do miúdo ter visto a banda de Ben ao vivo em 2001) teve uma demo produzida pelo próprio Ben. Aquela acabou por chegar ao fim e Ben considerava Alex um “desperdício”. “Ele demonstra uma elasticidade fora do comum, mas não é nenhum abençoado”, esclarece Ben. “E o que faço é assumir o papel de produtor à antiga que encontra o talento e fazer com que ele se descubra no meio de todas as influências”, completa.

O disco de estreia, produzido por Ben, é assim o resultado de um filtro. Mas para Alex, tudo ainda parece muito turvo: “Cada vez que experimento qualquer coisa nova, dou por mim a descobrir que antes pensava que nunca a iria fazer”. “Não sei se sou merecedor de alguma coisa, mas quando paro para pensar no que aconteceu este ano, chego à conclusão de que sou um miúdo com muita sorte”, confessa Alex. A sorte chegou-lhe quando, depois de organizar um festival, Ben e Vítor ofereceram-se para tocar todas as músicas do seu EP. “Tive um bom karma”, conclui Alex. 

alex d'alva teixeira/myspace

“Um gajo que faz cenas fixes”
Mas apesar de se considerar versátil e multidisciplinado (palavras dele), as expectativas que depositam nele causam-lhe alguns calafrios e até tem medo de desiludir os amigos da banda ou o público que o ouve. “Não é das piores coisas que existem na vida, mas para mim não é muito fixe. Não lido muito bem com isso”, explica Alex. Ainda que possa sentir vergonha de mostrar matéria nova ao seu produtor, pior é quando se lembra do que fazia antes. “Sempre que começo a sentir-me confiante e a achar que sou o maior, vou ouvir as minhas primeiras canções. São de fugir”, conta descontraído.

E hoje, a internet e as redes sociais facilitam a visibilidade que antes estava guardada nas tais cassetes. “Não sei se elas [as plataformas digitais] são essenciais, mas têm um papel importante. Nos anos 90, quando queria ouvir música nova, tinha de estar muito atento à rádio e à televisão. Agora a internet dá-me uma escolha muito mais abrangente” analisa Alex. “Como músico, é muito mais fácil fazer chegar o meu trabalho a outras pessoas”, acrescentam contando que quando colocou online uma mixtape apenas pensou que esta chegasse a meia dúzia de pessoas.

Mas a confiança (ou a timidez disfarçada) de Alex não é uma coisa nova. Tudo começou no infantário. “Num Natal, ofereceram-me um gravador de cassetes e eu inventava coisas. Era uma criança muito irritante. Não sei como os meus pais tinham paciência”, comenta Alex com um ar perplexo. Foi ainda miúdo de igreja, mas nunca experimentou canto lírico. O estilo que gosta menos é a kizomba, mas não descarta nada: “Quando era mais novo não gostava nada de hip-hop e esta semana só ouvi isso. Quem sabe um dia até possa ser o maior fã de kizomba e faço um disco só disso”.

Entre Michael Jackson e Prince, o primeiro é o artista de eleição, sem grandes dúvidas, mas quem dera a Alex conseguir fazer os falsetes do músico e dançarino de Minneapolis. As Spice Girls são das melhores coisinhas pop que já consumiu e gosta de Design. É quase como se tivesse dois amores e não soubesse de qual gosta mais, ou então sabe, não fosse ele o típico puto que “pegava um objecto qualquer que se parecesse com um microfone e dizia à mãe que queria ser cantor”.

Ainda assim, Alex tem uma impaciência saudável: “A minha vida seria incompleta se só pudesse fazer uma coisa”. Quer antes ser como um Salvador Dalí, porque aquele “fazia tanta coisa diferente”. Por isso, quando lhe perguntamos se gostava de experimentar outras áreas, responde sem hesitações: “Se tivesse possibilidade, investia em audiovisuais” e “à frente das câmaras”. É uma resposta óbvia para quem já viu Alex dançar ou para quem repara que cuida da imagem ao milímetro. De piercing pendente no nariz, óculos de massa e um cabelo afro metricamente cortado, desmancha-se às gargalhadas quando nos conta isto: “Gosto imenso do look dos Metronomy e queria ser o baixista deles”. E o desejo tornou-se realidade por alguns minutos. No último festival Optimus Alive, em Algés, algumas pessoas, e em especial os ingleses, confundiram-no com aquele músico da banda.

Quanto ao laço catita que enverga no pescoço, a explicação é ainda mais simples e com mais gargalhadas: “Comecei a ver demasiados blogues de moda durante este ano”. A arte é quase o seu nome do meio (mais outro para alongar o original). Daqui a uns anos quer ser visto como um artista e não só como músico ou como um designer. Ou melhor, “o objectivo é ser criativo e ser um gajo que faz cenas ou um gajo que faz cenas fixes” (mais gargalhadas).

Vitor diz que o Alex é um “escritor de canções belíssimas” e Ben tem a sensação de que a história do Alex foi retirado da Sétima Arte. Daquele “onde há aquele underdog (oprimido), aquele tipo que tem o talento, mas que não tem possibilidades e, no fim, consegue triunfar”. Se este pode ser o ‘Alex D’Alva Teixeira: O filme’? Alex responde: “Hoje em dia teria de ser contado em forma de web série de baixo orçamento”. 



Alex D'Alva Teixeira: "Gostei imenso do look dos Metronomy e queria ser o baixista deles"

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Entrevista
Alex D’Alva Teixeira

Gostei imenso do look dos Metronomy e queria ser o baixista deles”

Alex D’Alva Teixeira, uma jovem promessa da música portuguesa, esteve presente numa das salas de aula da escola técnica Etic, para uma entrevista protagonizada pelos alunos do curso de «Jornalismo e Crítica Musical». Alex veio acompanhado de dois músicos que participam com ele, não só ao vivo, mas também no processo criativo, Victor e Ruben, ou Ben, como gosta que lhe chamem. Ambos fazem parte da editora Flor Caveira e serviram quase de catapulta para a notoriedade que o artista goza hoje em dia. Estivemos à conversa com ele e conseguimos desvendar um pouco mais da sua identidade não só como músico, mas também como pessoa.

Alex tem 22 anos é de Luanda, mas vive na Moita, local de onde saíram bandas como os Kussondulola e os Switchtense. “Eu acho que todas as bandas da Moita que eram realmente boas chegaram a algum lado”, referiu. “ainda hoje são as bandas que estão à frente dos festivais que acontecem por lá e dentro do circuito há muita gente que os conhece”, acrescentou ainda. Alex vive dividido entre duas grandes paixões, a música e o design. O jovem músico recordou como tudo começou. [Relativamente à música] “acho que como a maioria das crianças, brincava e gostava de ouvir música, gostava de ver o Michael Jackson na TV e pegava num objecto qualquer que se parecesse a um microfone e dizia à minha mãe que queria ser cantor”, relatou. [Quanto ao design] “Foi por acaso. Na altura em que comecei a ter de escolher o que queria fazer, não queria tirar design gráfico, mas a minha mãe insistiu bastante e eu lá fui tirar esse curso”, afirmou. Questionado sobre a possibilidade de ter de optar por uma paixão em relação à outra, o músico afirmou que a vida dele seria incompleta se só pudesse exercer uma delas. “Há alturas em que gosto mais de fazer uma coisa, noutras, gosto mais de fazer outra”, acrescentou. “Aquilo que eu gostava mesmo que acontecesse é que me vissem como um artista, não só como músico ou como um designer”, concluiu.

A família foi uma forte influência para o jovem angolano que começou logo desde cedo a tocar instrumentos. “Eu cresci na igreja e a certa altura foi preciso alguém para tocar baixo”, esclareceu. “Do baixo para a guitarra foi um pulo. Até porque eu tinha uma guitarra em casa e os meus pais encorajavam-me bastante a tocar.”, adiu o músico. As redes sociais são um dos recursos que o artista utiliza para divulgar as suas ideias, opiniões e até a sua própria música. “No ano passado, no Natal, gravei uma mixtape que meti online para que todos pudessem fazer o download e isso acabou por chegar a mais pessoas do que o que eu esperava.”, afirmou.

Victor e Ben juntaram-se ao artista em 2009. “O Alex tinha uma banda e eu propus- me a produzir uma demo na altura”, explicou Ben. A partir daí, Ben começou a participar a tempo inteiro no processo de criação do jovem artista. “decidi ajuda-lo, porque achei que o seu trabalho merecia ser ouvido”, acrescentou. “O Alex começou a ganhar alguma notoriedade entre as pessoas, portanto, também percebi que tínhamos de tornar o processo um bocadinho mais sério.”, continuou. Passados alguns anos desde o começo, Alex e o seu núcleo produtivo já se sentem como apenas um. “Hoje em dia olhamos para isto como algo praticamente de todos.”, concluiu Ben.

Alex D’Alva Teixeira define-se artisticamente como uma pessoa multidisciplinada e versátil, tal deve-se muito aos incentivos dos companheiros que o seguem na sua missão. “Enquanto estive a trabalhar com o Ben, na produção do disco, ele incentivou-me bastante e ensinou-me bastantes coisas para poder fazer música da forma mais versátil possível”, disse o artista. “Nós agora estamos a gravar um disco. Assim que ele estiver pronto e tiveres a oportunidade de o ouvir vais perceber que é muito heterogéneo.”, acrescentou. “Não é Um Projeto” é o nome do EP que lançou através da editora Flor Caveira, no qual teve também a oportunidade de exprimir a sua veia de designer. “Durante uma semana eu e um amigo nosso andámos a fazer a capa”, disse o músico. O título, por sua vez, surgiu em forma de brincadeira. “na altura éramos quatro pessoas em cima de um palco e foi o meu nome que apareceu [na comunicação social]. Então resolvemos fazer essa piada, o Alex não é um projeto, é uma pessoa, é um rapaz”, esclareceu o próprio.

Os laços são já uma imagem de marca que o artista carrega com orgulho. “Eu acho que comecei a ver demasiados blogs de moda durante este ano”, afirmou, entre risos. “Gostei imenso do look dos Metronomy e queria ser o baixista deles (gargalhada). Tudo se iniciou como uma brincadeira, mas depois, tudo começou a bater tão certo que quando fui ver Metronomy, no Optimus Alive, havia pessoas que pensavam que eu era o baixista da banda”, relembrou, sorridente.

Alex é uma pessoa que vai beber muito da sua influência a outros artistas, não se limitando apenas a um género de música em específico. O músico consome estilos que vão desde o metalcore, passando pelo pop, o rock progressivo e psicadélico e até o hip hop. “o estilo que eu desgosto mesmo é kizomba, mas nunca se sabe porque eu quando era mais novo não gostava nada de hip hop e esta semana só ouvi, praticamente, hip hop”, esclareceu. Bandas como Bloc Party, Radiohead e The Killers, fazem parte da lista de influências de Alex. “Acho que vocês já ouviram o meu single. Toda a gente diz que aquilo parece Bloc Party português”, referiu. “Eu queria imitar Bloc Party. Eu ouvi aquilo a primeira vez e eu nunca pensei que fosse possível fazer rock e pôr as pessoas a dançar. Era mesmo fora na minha cabeça”, assumiu o músico. Grupos de punk-rock como os Refused – banda que o trio convidado da entrevista aprecia em comum – transmitem toda uma atitude para além do simples conteúdo musical. “Eles têm imenso. Têm uma atitude inteira de revolta, contra as coisas certas. Muitas vezes, é uma revolta perdida, muito séria. Uma consciência social muito importante”, afirmou o companheiro de palco e estúdio, Victor. Já a banda de metalcore Underoath foi crucial no processo de aprendizagem de guitarra para Alex. “Não sou um guitarrista muito virtuoso como eles são, mas noto que algumas das coisas que sei fazer na guitarra aprendi ao tentar tocar músicas deles”, rematou.

O processo de construção da identidade de Alex ainda vai no início e todos os dias se vai moldando às vivências que o mesmo experiencia. “Cada vez que eu experimento qualquer coisa nova dou por mim a descobrir o que eu achava que nunca viria a fazer”, afirmou o próprio. O artista tem a perfeita noção das suas limitações e do longo percurso que ainda lhe falta percorrer. “Há alturas em que eu me sinto o maior, mas o Ben tem a função de me fazer ver que não e que ainda me falta um bocadinho.Essas limitações têm de ser trabalhadas e só assim eu posso conseguir ir mais longe.”, desabafou.

Esta conversa abriu-nos uma porta para quem é Alex D’Alva Teixeira, que finalizou explicando o porquê de recorrer a um nome tão extenso para se denominar artisticamente. “Quando pus a minha música online quis meter Alex Teixeira, mas já havia um jogador de futebol brasileiro com esse nome, e na minha família sempre deram muita importância ao d'Alva Teixeira, que vem da parte paterna”, explicou. “Na altura achava que era um nome demasiado grande, mas nas redes sociais e na imprensa aparecem várias pessoas com dois nomes sobrenomes.”, alegou. Alex é assim um artista com uma carreira influenciada pelos demais artistas que idolatra, apostando severamente num futuro cheio de inovações e experimentações a nível musical. Sempre com a versatilidade imposta como regra fundamental. O mesmo encontra-se a trabalhar no seu primeiro registo de longa duração, que será lançado apenas em 2013. Até lá, ficamos com o EP “Não é Um Projeto” e com uma ideia de que o artista nos irá surpreender no futuro.